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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, um episódio especial pra acompanharmos toda a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.
Boa tarde, Ricardo.
Donald Trump pede, mas Israel e Irão fazem ouvidos moucos. O presidente norte-americano pediu que os combates parassem, mas o conflito, Carlos, continua a escalar.
Foi através da Truth Social que o líder da Casa Branca deixou mais uma mensagem de aviso a Telavive e a Teerão: "Israel e Irão têm imediatamente de parar de andar aos tiros", escreve Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos garantiu ainda que vai continuar em vigor o bloqueio a todos os portos iranianos e quanto a um iminente acordo, Trump foi duro nas palavras. Diz que as negociações finais sobre a paz estão a decorrer, salvo se a ignorância ou a estupidez vierem atrapalhar. No entanto, nas últimas horas, o Irão terá voltado a disparar cerca de 30 mísseis contra Israel. É o que conta o jornal The Guardian, que cita uma fonte oficial das Forças Armadas de Israel. O militar acrescenta que os rebeldes houthis do Iémen dispararam também dois mísseis contra o país.
Precisamente os houthis, Carlos, que se juntaram a esta escalada de tensão no Médio Oriente e também já tomaram medidas.
Vão fechar o acesso israelita ao Mar Vermelho. A informação é do Times of Israel. Os houthis do Iémen, mas apoiados pelo Irão, assumiram esta manhã a responsabilidade pelo ataque com mísseis contra o centro de Israel e, na sequência da ofensiva, o grupo militar decidiu suspender por completo a circulação de navios israelitas. Passam agora a considerar todos os movimentos inimigos como alvos militares legítimos. Também o Hezbollah atacou esta manhã o exército israelita no sul do Líbano. É a resposta deste grupo militar libanês à violação do cessar-fogo por parte de Israel. No Telegram, o grupo afirma ter disparado um conjunto de foguetes contra um grupo de carros militares e soldados nos arredores de Beit Yahun, em Israel. Do lado de Tel Aviv, mais recentemente, dezenas de caças fizeram ataques contra sistemas estratégicos em todo o Irão. Esta informação foi relatada inicialmente pela Sky News, confirmada pelas Forças de Defesa do país, confirmam e dizem que os sistemas iranianos de defesa foram desmantelados, o que reforça a liberdade de ação de Israel nos céus de Teerão. A capital iraniana, por esta altura, tem todos os voos a partir do aeroporto de Mehrabad suspensos até nova ordem.
E entretanto, Carlos, também já houve uma reação por parte da Europa. De manhã, Kaja Kallas, a chefe da diplomacia europeia, pediu que as partes se sentassem à mesa e agora surge com uma condenação mais clara.
Os ministros da Defesa da União Europeia reuniram-se esta manhã numa reunião informal no Chipre e à imprensa, no final desse encontro, Kaja Kallas afirma que o bloco impôs sanções a personalidades e entidades iranianas por ameaças à liberdade do tráfico marítimo, proibições de viagem e congelamento de bens de altos funcionários e entidades são algumas das sanções acordadas. De recordar que em janeiro a União Europeia designou a Guarda Revolucionária do Irão como uma organização terrorista. Em março, incluiu autoridades iranianas na lista de violações de direitos humanos.
Olhamos agora para alguns impactos destes últimos desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente. O preço do petróleo, sem grande surpresa, começou o dia a subir.
Sim, e olhamos aqui primeiro para o preço do petróleo Brent, referência para as importações portuguesas. Disparou esta manhã em quase 5%. Os contratos futuros que estão a ser negociados entre os investidores nos mercados energéticos internacionais estão a encarecer mais de 4,5% face ao preço de fecho na sexta-feira. O preço do petróleo está agora na casa dos 97 dólares por barril.
Importa ainda olhar para os impactos no Líbano, sobretudo quanto ao cessar-fogo em vigor no país. A questão é, Carlos, continua ou não a haver um cessar-fogo?
É uma pergunta que um artigo em destaque no portal Al Jazeera, assinado pelo jornalista Kawan Majed, procura responder. O acordo foi anunciado por Trump na passada quinta-feira, mas antes, outro cessar das hostilidades tinha sido anunciado ainda em abril. Ainda assim, Israel manteve a sua ofensiva terrestre. Este avanço representa a incursão mais profunda de Israel em território libanês em mais de um quarto de século. As tropas israelitas controlam agora cerca de 2 mil metros quadrados de terras no Líbano, quase um quinto do território do país. Desde o início de março, mais de 3 mil pessoas foram mortas e há também mais de 1 milhão de deslocados. A reportagem aponta para análises de especialistas que dizem que os países estavam a tentar separar os conflitos no Líbano da guerra entre Estados Unidos e Irão, apesar de os iranianos manterem a retórica de que um ataque no Líbano é um ataque contra o Irão.
É desta forma que terminamos mais uma edição da Guerra Traduzida, especial Irão, desta vez com a edição do jornalista Carlos Pedro.