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Continuamos a traduzir a guerra da Rádio Observador. Vamos agora olhar para a imprensa russa neste dia 466 da invasão. Trabalho do Rui Casanova, feito em colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, como prometido há pouco na guerra traduzida versão Ucrânia, vamos começar com a rede de sabotagem da Ucrânia na Rússia.

Sim, boa tarde outra vez, João. Falamos há pouco desta notícia no episódio anterior de guerra traduzida, mas como dissemos, é também uma informação em destaque na imprensa estatal russa. Falamos de uma investigação da CNN Internacional que diz que a Ucrânia criou uma rede de agentes de sabotagem dentro da Rússia e que está a fornecer drones para realizar ataques contra alvos russos. É uma informação que não abona a favor da Ucrânia e que está em destaque na imprensa estatal russa, faz manchetes em todos os jornais que costumamos consultar aqui na guerra traduzida. Estas fontes citadas pela CNN Internacional acreditam que estes agentes pró-ucranianos foram os responsáveis pelo ataque com drones ao Kremlin no início de maio, há cerca de um mês. Os drones serão de fabrico ucraniano. É uma investigação que a imprensa estatal russa está a dar bastante destaque.

E para além da imprensa estatal na Rússia, a notícia está também em destaque nos meios independentes.

Sim, como por exemplo, o canal Medusa também destaca esta informação. Adianta que estas células de sabotagem dentro da Rússia são compostas por ativistas pró-ucranianos e agentes treinados para este tipo de guerra. O canal Medusa adianta que, de acordo com esta investigação, não é bem conhecida a rota de entrega dos drones, ou seja, como é que os drones são fornecidos a estes agentes ucranianos dentro da Rússia. Essa é uma das questões em aberto nesta investigação, mas o canal Medusa adianta que Kiev possui rotas eficazes de contrabando que podem ser utilizadas para transferir este tipo de armamentos e os componentes que dizem respeito aos drones para território russo. Vamos ver que consequências tem esta investigação. Volodymyr Zelensky ainda não reagiu oficialmente, Vladimir Putin também não, até ao momento em que estamos a falar. Vamos ver que consequências ou desenvolvimentos podem surgir daqui.

Continuamos, voltamos à imprensa estatal russa. Os ataques a Belgorod estão também em destaque.

Sim, e aqui falamos de uma reportagem do jornal estatal KP. Um jornalista visitou a cidade de Shebekino, na região russa de Belgorod, que tem sido atacada alegadamente pelas tropas ucranianas, isto de acordo com as autoridades russas. Este jornalista diz que devido aos recentes bombardeamentos, é agora proibido viajar para esta cidade. A cidade está fechada, sem eletricidade e praticamente despovoados, porque os moradores saíram, foram retirados por precaução. Ainda assim, este jornalista do jornal KP entrou nesta cidade. Descreve que através de caminhos secretos, é a expressão utilizada, caminhos secretos, os moradores voltam à cidade para verificar se as casas estão intactas e também para recolher ou retirar alguns objetos de primeira necessidade. Ele diz que com estes moradores aventurou-se a ir a esta cidade bombardeada pelas Forças Armadas da Ucrânia. O jornalista divulga fotografias de casas danificadas por estes ataques e também carros com os vidros partidos, abandonados no meio da rua. Dá conta do relato de moradores que se mostram assustados com o bombardeamento. Aqui é curioso, porque se olharmos apenas para esta reportagem, parece que é a Rússia que está a ser atacada pela Ucrânia, parece que foi a Ucrânia que invadiu a Rússia e não o contrário. É sempre interessante analisar este tipo de reportagens e notícias aos olhos da imprensa estatal russa, porque de facto, é uma espécie de vitimização do lado da Rússia.

E entretanto, um aviso do Kremlin: a Rússia não tem outra alternativa que não a vitória.

Um aviso que surge pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, no habitual briefing diário que faz aos jornalistas todos os dias. Afirma que a Rússia não tem escolha a não ser encerrar a operação militar especial com a vitória. Dmitri Peskov fez estas declarações esta manhã. Diz que é preciso conhecer a missão da Rússia e levar o trabalho e a missão até ao fim. Não temos outra alternativa, é o que afirma Dmitri Peskov. Por isso, como temos dito aqui na guerra traduzida, podemos estar aqui perante um longo conflito. Dmitri Peskov diz mesmo que a Rússia estabeleceu metas e que elas têm de ser cumpridas.

E é com este aviso do Kremlin que fechamos este episódio de guerra traduzida, versão Rússia, com o jornalista Rui Casanova.