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Segunda parte da "Guerra Traduzida", com a jornalista Diana Rosa, que nos vai agora trazer os destaques da imprensa russa. Diana, vamos continuar a falar de armas. A Rússia deixa mais uma ameaça ao Ocidente, diz que o uso de mísseis de longo alcance por parte da Ucrânia vai ter uma resposta à altura.

E, portanto, o míssil que atingiu a cidade ucraniana de Dnipro, no sul do país, é uma mensagem aos aliados da Ucrânia. Em declarações à imprensa russa, o porta-voz do Kremlin diz que as decisões irresponsáveis e as ações dos países ocidentais que produzem mísseis e fornecem à Ucrânia, participando assim nos ataques ao território russo, não podem ser deixadas sem uma resposta. Dmitry Peskov sublinhou ainda que Moscovo já demonstrou várias vezes, de forma clara, as capacidades que tem. Ainda nesta semana, Peskov já tinha avançado que os Estados Unidos da América foram informados que o ataque russo estava prestes a avançar, apesar de não ser uma obrigação da Rússia fazer esse aviso. Um aviso que Washington recebeu meia hora antes do ataque. Nestas declarações à imprensa, o porta-voz do Kremlin acrescenta que Vladimir Putin continua aberto ao diálogo. Alertou, no entanto, que a administração do presidente Joe Biden, que em breve dará lugar à de Donald Trump, continua a promover a escalada do conflito.

E ainda hoje, Diana, o Parlamento de Moscovo aprovou uma resolução que dá luz verde à Rússia para uma resposta armada contra os Estados que a atacam.

No fundo, foi uma decisão tomada por Putin, mas que a Duma apoia, aprova. Isto acontece em resposta à autorização de Joe Biden relativamente às armas de longo alcance. Ora, para o governo russo, uma vez que considera que os Estados Unidos e a Europa usam mísseis para atacar o território da Federação, esta é a resposta correta e há muito esperada. E quer esta medida dizer que a Rússia tem o direito de usar armas para atacar instalações militares dos países que fornecem mísseis à Ucrânia para destruir território russo. Por isso mesmo, a Rússia já tem o plano de eliminar a base norte-americana na Polónia.

E olhamos agora para o terreno, Diana, até porque há novos avanços por parte da Federação Russa. O Kremlin diz que capturou uma nova localidade em solo ucraniano.

Novodmitrovka, em Donetsk, no leste do país, é o que adianta o Ministério da Defesa russo. Donetsk é uma das quatro regiões que Moscovo anexou, aliás, de forma unilateral, apesar da condenação tanto de Kiev quanto da comunidade internacional. Ainda ontem, as forças russas anunciaram que capturaram a localidade de Dalne, também na região de Donetsk.

"Os Estados Unidos estão a alimentar um conflito à escala global". São palavras do primeiro-ministro eslovaco.

E voltamos aqui também a falar nas armas. Robert Fico não compreende a decisão de Joe Biden ao permitir que a Ucrânia use armas de longo alcance para atacar a Rússia. Numa entrevista à rádio sérvia, citada pela TASS, o governante diz que o presidente norte-americano deve ter deixado muitos em choque com a autorização que deu. Diz Robert Fico que o aumento de tensão causado pela decisão norte-americana não tem lugar em 2024, mas lança para cima da mesa a possibilidade de Joe Biden querer complicar possíveis negociações levadas a cabo pelo novo presidente Donald Trump. O primeiro-ministro sérvio sublinha que o mundo atravessa por esta altura um momento de extrema sensibilidade e imprevisibilidade e deixa um recado a países como Espanha, já aqui ao lado, Inglaterra e também aos países americanos: não é pelo fato de estarem mais afastados que não vão ser afetados pela escalada do conflito.

Fica por aqui a "Guerra Traduzida". Estamos de regresso na próxima segunda-feira.