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"Guerra" traduzida na Rádio Observador, o espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa em tempo de guerra. Hoje, um trabalho da jornalista Laura Figueiredo. Laura, boa noite.

Boa noite, Maria.

Vamos começar pela imprensa ucraniana. Já está escolhido o novo primeiro-ministro da Ucrânia. É o CEO da empresa estatal de energia Naftogaz.

Sim, o Parlamento ucraniano aprovou hoje a nomeação do diretor do grupo energético público Naftogaz, Serhii Korenskyi, para o cargo de primeiro-ministro, isto no âmbito de uma remodelação ministerial iniciada pelo presidente Zelensky. O nome foi aprovado com 289 votos a favor, num total de 318 deputados. Korenskyi, de 48 anos, vai substituir Yulia Svyrydenko, que oficializou a demissão na terça-feira, dois dias depois do presidente ucraniano ter anunciado uma remodelação governamental no âmbito de uma nova estratégia política. Svyrydenko, de 40 anos, era a primeira-ministra da Ucrânia desde 17 de julho de 2025. De acordo com o jornal "Pravda", o Parlamento aprovou igualmente os novos ministros, tendo ficado por decidir as pastas do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Defesa, uma vez que estes cargos devem ser definidos pelo presidente.

Entretanto, Laura, Volodymyr Zelensky revelou que vai propor ao Parlamento o nome do chefe dos serviços de segurança para o cargo de Ministro da Defesa.

Sim, de acordo com o jornal "Pravda", Yevhenii Mura, atual chefe interino dos Serviços de Segurança da Ucrânia, é o nome que o presidente ucraniano quer ver à frente da pasta da Defesa. Na rede social X, Zelensky adianta que instruiu Mura para servir como ministro da Defesa interino, para continuar a reforma no setor da defesa e assegurar que a Ucrânia alcance todos os objetivos que têm sido discutidos. Na mesma publicação, o presidente ucraniano pede o apoio dos deputados para aprovarem o nome proposto. Segundo o jornal "Le Monde", Yevhenii Mura, indicado por Zelensky para o Ministério da Defesa, construiu a carreira nos serviços secretos do país. Desde 2024 é major-general e passou a liderar o Serviço de Segurança da Ucrânia no início deste ano. Durante a guerra contra a Rússia, o militar tem tido um papel importante. Teve-o na libertação da região de Kiev no início do confronto.

Laura, estas mudanças na pasta da Defesa estão a gerar descontentamento entre os ucranianos.

Parece que sim. Centenas de manifestantes organizaram hoje protestos em várias cidades ucranianas contra a demissão do ministro da Defesa, Mykhailo Fedorov, conhecida ontem. Os jornais ucranianos relatam vários pontos de protestos. Em Kiev, por exemplo, há relatos de centenas de pessoas reunidas numa praça no centro da cidade, a agitar bandeiras da Ucrânia e da União Europeia e também a gritar palavras de ordem como "vergonha" e também "tragam Fedorov de volta". O Kyiv Independent cita manifestantes que dizem que demitir ministros apenas um ano depois da nomeação, sem qualquer explicação, é inaceitável.

Mas, entretanto, Zelensky já veio explicar a saída do ministro da Defesa.

O presidente ucraniano justifica esta saída com a falta de união entre as principais instituições do governo nas decisões sobre a guerra com a Rússia. Citado pelo jornal "Pravda", Zelensky diz, e passo a citar: "Existe um diálogo difícil entre a liderança do exército e o Ministério da Defesa. Difícil, aliás, a vários níveis. A questão não se resume apenas às personalidades". É o que explica o presidente ucraniano, que diz que quando se fala de questões relacionadas com o campo de batalha, as operações ou a situação nas brigadas, é preciso reconhecer o que está certo e o que está errado e tem sido vergonhoso.

Laura, o primeiro-ministro britânico visitou hoje a Ucrânia para reafirmar o apoio do Reino Unido antes de deixar o cargo de chefe de governo.

Keir Starmer viajou esta quinta-feira para a Ucrânia, naquela que será a última visita oficial ao estrangeiro antes de deixar o cargo. Zelensky recebeu o primeiro-ministro britânico, agradeceu-lhe pelo apoio, afirmando que Londres esteve sempre ao lado da Ucrânia ao longo de todo o conflito. Numa publicação na rede social X, Zelensky revelou ter distinguido Starmer com a Ordem da Liberdade, em reconhecimento pela liderança e apoio ao povo ucraniano. O chefe de Estado da Ucrânia referiu ainda que esta foi a quarta visita de Starmer à Ucrânia enquanto primeiro-ministro e disse também que ambos realizaram 46 reuniões desde o início da guerra. Segundo Zelensky, os dois líderes discutiram agora a situação na frente de combate, as operações ucranianas de longo alcance e os ataques de médio alcance. No final do encontro, também na rede social X, Keir Starmer escreveu que viu de perto a devastação causada pela invasão da Rússia e garantiu que o apoio do Reino Unido à Ucrânia nunca vacilará.

São estas as principais notícias dos jornais ucranianos, um trabalho da jornalista Laura Figueiredo. Voltamos já a seguir com os destaques da imprensa russa.