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Segunda parte da Guerra Traduzida, agora com os destaques da imprensa russa. O Kremlin diz que nem a União Europeia, nem a ONU têm a legitimidade para, Diana Rosa, participar nas negociações de paz, porque são parciais.

Foram dois diplomatas que falaram à agência TASS. Um é o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, outro, num outro artigo, é o embaixador russo nas Nações Unidas. Dizem que a União Europeia não pode mediar o conflito porque está envolvida nele, pelo fato de dar apoio à Ucrânia, o bloco europeu que é acusado de ter um papel subversivo. E quanto às Nações Unidas, a Rússia diz que tanto a organização como o próprio António Guterres perderam a autoridade moral de participar nas negociações. Para o Kremlin, a ONU está a jogar só de um lado, com a narrativa de favorecer a Ucrânia, e isso incomoda a Rússia, que diz, de resto, que já expressou esse mesmo desagrado a António Guterres, o secretário-geral, mas que nada mudou.

E o Kremlin diz que concorda em suspender os ataques aéreos contra Kiev, pelo menos até domingo.

O Kremlin falou abertamente sobre esse pedido feito por Donald Trump a Vladimir Putin. Foi um pedido pessoal, admite o porta-voz de Moscovo. Dmitry Peskov diz que o pedido surgiu como forma a favorecer as próximas rondas de negociações e revela que sim, Putin concordou com o pedido, embora a Ucrânia continue a denunciar ataques, como falávamos também aqui há pouco. Aliás, Zelensky disse que seria uma ação recíproca caso Putin aceitasse. Peskov não mencionou o frio intenso que se faz sentir na Ucrânia, onde se esperam perto de 30 °C negativos. Essa pausa de alguns dias seria apenas para favorecer o diálogo, ao contrário do que disse Donald Trump, que falou nesse frio intenso que afeta o país. Nem explicou, Dmitry Peskov, se seria apenas Kiev a cidade abrangida por esse cessar-fogo temporário. Certo é que os ataques aéreos da Rússia têm afetado gravemente a rede elétrica da Ucrânia nas últimas semanas. Milhares de pessoas em Kiev têm estado sem aquecimento.

O Kremlin diz que os ucranianos estão tristes com as negociações, mas a Rússia está de bom humor.

Uma notícia do Komsomolskaya Pravda. Esta quinta-feira, Vladimir Putin recebeu o presidente dos Emirados Árabes Unidos em Moscovo. A situação na Ucrânia foi muito discutida, tanto oficialmente quanto nos bastidores. Lembro que a negociação trilateral que ocorreu em Abu Dhabi. Disse Putin que os Emirados Árabes Unidos são o parceiro comercial mais importante, com um volume de negócios que cresce a um ritmo constante. O diálogo e a interação política foram estabelecidos em fóruns internacionais. Putin diz também que reconhece especialmente os esforços dos Emirados Árabes Unidos no contexto da crise ucraniana. À margem do encontro com o chefe de Abu Dhabi, os jornalistas puderam fazer diversas perguntas ao líder da delegação russa nas negociações. Perguntaram em que idioma estão a ser realizadas essas conversas. Ele respondeu que os ucranianos têm falado em russo. Quando questionado sobre o clima das negociações, o responsável russo diz que os ucranianos estão a passar por momentos tristes, mas a Rússia está a divertir-se. É o que responde o almirante com um sorriso na cara. Sobre a influência dos Estados Unidos nas negociações, o líder da equipe russa explica apenas que nunca foi fácil.

A Rússia devolveu os corpos de mil soldados ucranianos na primeira troca de prisioneiros este ano.

Já a Ucrânia devolveu corpos de 38 militares russos, é o que adianta o site de notícias RBC. O governo ucraniano partilhou fotos que mostram pessoas com roupas de proteção, roupas brancas. Estão reunidas estas pessoas em torno de várias carrinhas, bem como carros com o logotipo da Cruz Vermelha Internacional. O quartel-general ucraniano para o tratamento de prisioneiros de guerra confirmou a troca e agradeceu à Cruz Vermelha pela ajuda. A investigação policial, em colaboração com peritos forenses ucranianos, vão agora tomar todas as medidas necessárias para identificar os corpos repatriados. Embora o local da troca não tenha sido divulgado, há uma foto, que foi partilhada pela Ucrânia, que mostra uma placa de sinalização lá bem ao fundo com a inscrição Chernihiv. Sugere que a operação ocorreu no norte da Ucrânia, perto da fronteira com a Rússia. A repatriação de soldados mortos em combate e a troca de prisioneiros de guerra têm sido uma das poucas áreas de cooperação entre a Rússia e a Ucrânia.

É o ponto final. A Guerra Traduzida está de regresso na próxima semana.