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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, o espaço em que olhamos, como é habitual, para a imprensa russa e ucraniana em tempo de guerra. Hoje, com o jornalista João Gama. Boa tarde, João.

Boa tarde, Luís.

Hoje, para começar com os jornais da Rússia, com o Kremlin a confirmar uma pausa no diálogo direto entre a Rússia e a Ucrânia.

Uma notícia que está em destaque em toda a imprensa estatal. Socorremo-nos aqui da agência TASS, mais uma vez. Estas declarações são feitas na voz de Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin e de Vladimir Putin, na comunicação diária com vários meios de comunicação social russos por telefone. O porta-voz do Kremlin confirma que as conversações entre as equipes de negociação da Rússia e da Ucrânia estagnou, apesar de terem sido estabelecidos canais de diálogo próprios. Peskov adianta que a comunicação foi suspensa nos últimos dias. Desde maio, importa recordar, Luís, a Rússia e a Ucrânia realizaram três rondas de negociações diretas. Como resultado das duas primeiras, a agência TASS recorda que foram acordadas trocas de prisioneiros e faz as contas, mil para cada lado e, além disso, foram devolvidos corpos de soldados mortos e também a implementação, apesar de breves, de pausas humanitárias.

E o próprio Dmitry Peskov, João, acrescenta que não se pode olhar para a guerra na Ucrânia com óculos cor-de-rosa.

Ou seja, de forma ingênua, o porta-voz do Kremlin adianta que não se deve esperar resultados diretos e rápidos deste processo de paz, que o próprio diz terem agora sido interrompidas estas negociações. Lembra, por exemplo, Peskov, que Donald Trump prometeu acabar com a guerra na Ucrânia em apenas 24 horas e que o próprio presidente dos Estados Unidos foi obrigado a reconhecer que este conflito está longe de ser um processo simples.

E hoje é dia de eleições na Rússia. Jornais como o RBC e o KP trazem, João, um guia para podermos saber exatamente o que é que está aqui em causa.

São eleições regionais que vão decorrer entre o dia de hoje, 12 de setembro, e até o final do fim de semana, dia 14, domingo. 81 de um total de 89 regiões da Federação Russa são chamadas a ir a votos. Vão ser eleitos 21 governadores e cerca de 46 mil deputados a nível regional. A expectativa da Comissão Nacional de Eleições é que até o final do dia, 70% das pessoas que se inscreveram para votar à distância, com voto eletrônico, o tenham feito. Moscovo é uma das regiões precisamente que não vai a votos. São muitas outras. Estas eleições regionais vão chegar, por exemplo, Luís, às regiões mais remotas no país. O RBC cita aqui a responsável da comissão, que agradece a todos os envolvidos no trabalho para preparar este ato eleitoral, principalmente às mulheres que utilizaram, e cito aqui esta responsável: "helicópteros, tratores, lanchas, trenós puxados por renas ou por cães para chegar a todos os eleitores que estão nas regiões de mais difícil acesso".

E João, a economia russa está a abrandar. A imprensa estatal escreve que a trajetória de crescimento equilibrado está a diminuir.

E que o desvio ascendente desacelerou neste terceiro trimestre do ano, mas continua a ter valores positivos. São dados do Banco da Rússia, em comunicado enviado à imprensa. A Rússia vai reduzir as taxas básicas de juro de 18 para 17% e acrescenta ao banco que se está a observar um arrefecimento significativo nos setores focados na procura externa, enquanto a procura interna continua a ser sustentada pelo crescimento das despesas familiares. Os analistas ouvidos aqui pela Interfax no início de setembro preveem o aumento de 1,1% do PIB na totalidade do ano de 2025, quando a previsão anterior era de 1,4%.

E na imprensa russa, destaque também para a visita do príncipe Harry a Kiev, em particular nos jornais independentes, João.

Que fazem disso manchete. É o caso do Meduza, Luís. O filho mais novo do rei Carlos III, o príncipe Harry, chegou a Kiev esta manhã. O Meduza cita aqui a imprensa ucraniana também, a imprensa britânica, principalmente no que toca à imprensa ucraniana, jornais como o Kyiv Post, que partilharam imagens da chegada. É a primeira vez que Harry está em Kiev. Chegou a convite do governo ucraniano para ajudar na recuperação de soldados gravemente feridos. Em abril deste ano, Harry já tinha estado na Ucrânia, mas em Lviv, bem longe da linha da frente, a visitar um centro de reabilitação de soldados. Foi depois convidado a visitar Kiev. Em entrevista ao The Guardian, que acompanhou a viagem noturna de comboio que o filho do Carlos III fez, Harry admite que vai ser em Kiev que vai poder ver pela primeira vez a devastação da guerra com a Rússia. Vai encontrar-se com 200 veteranos de guerra, depois de visitar o Museu da História da Ucrânia na Segunda Guerra Mundial e também tem um encontro marcado com a primeira-ministra do país. É uma notícia que está em destaque no Meduza.