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Episódio desta terça-feira da "Guerra Traduzida Especial Irão" para analisar os conflitos no Médio Oriente hoje com o João Lourenço. Começamos, naturalmente, com os últimos desenvolvimentos no Golfo Pérsico. O bloqueio naval dos Estados Unidos está a travar as exportações de petróleo do Irão.
E continua a recorrer às reservas de petróleo armazenadas em navios que já estão no mar. Segundo o The Wall Street Journal, estas reservas devem esgotar-se em meados de outubro e as receitas provenientes das exportações vão desaparecer por completo até meados de dezembro. A publicação revela que a quebra das receitas em moeda estrangeira está a agravar a pressão sobre a economia iraniana. Apesar da pressão norte-americana, o especialista em Irão no Conselho Europeu de Relações Externas, Henri Jaramie, mostra-se cético quanto à cedência de Teerão nas negociações. Reitera que, e passo a citar: "As provas que dispomos sugerem que o regime iraniano deverá resistir". Insiste ainda que a gestão de crise do Irão vai depender do grau de sofrimento económico que o regime está disposto a suportar para alcançar os objetivos militares e geopolíticos.
Seguimos, João, com um artigo da Axios que dá conta de que a guerra no Irão já custou mais de 100 mil milhões de dólares em aumentos nos preços de energia, isto aos consumidores norte-americanos.
E continua a subir 1 milhão de dólares a cada dois minutos. É uma estimativa da Universidade de Brown, nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, o aumento nos preços dos combustíveis custou, em média, a uma família norte-americana mais de 760 dólares desde o início da guerra, a 28 de fevereiro. Na sexta-feira, o preço do gasóleo atingiu um recorde histórico e continua a subir desde aí. Por esta altura, diz o Axios, regista-se um aumento de cerca de 60% em relação ao ano passado. Donald Trump já falou sobre este aumento constante no preço dos combustíveis. O líder da Casa Branca diz que os norte-americanos estão dispostos a pagar preços mais altos só para impedir que o Irão tenha uma arma nuclear. No entanto, diz também a Axios, a inflação é mesmo a questão mais preocupante para os norte-americanos, o que tem valido avaliações negativas a Donald Trump.
Entretanto, a CNN Internacional diz que as autoridades militares dos Estados Unidos estão a discutir uma eventual diminuição da presença no Médio Oriente.
E isto são discussões discretas, diz a CNN Internacional. Incluem a redução do número de pessoas e instalações no Médio Oriente, caso o governo de Donald Trump consiga pôr fim ao conflito no território. É bom relembrar que os norte-americanos expandiram a presença no Médio Oriente no pós 11 de setembro de 2001. Várias instalações militares e de inteligência foram construídas em países como o Iraque, o Afeganistão, a Síria, o Iémen e também a Líbia.
No entanto, João, os recentes ataques do Irão vieram expor profundas vulnerabilidades na infraestrutura norte-americana no Médio Oriente.
Isto porque estas instalações se tornaram alvos de ataques repetidos por parte de Teerão. De momento, estão presentes no Médio Oriente cerca de 50 mil soldados norte-americanos, bem como um elevado número de recursos militares. Dois anos após os ataques do 11 de setembro, este número chegou a ser de 250 mil soldados. Depois de 2011, já com Barack Obama no poder, o número passou a oscilar entre os 30 e os 60 mil militares na região. A CNN Internacional conta também que em cima da mesa estão, destas discussões informais, a possibilidade destas bases norte-americanas no Golfo serem transferidas para o subsaara.
Nas redes sociais, o presidente do Irão garante continuar a resistência até à derrota dos Estados Unidos.
Uma publicação na rede social X, Masoud Pezeshkian garantiu que o país sempre foi contra a guerra, mas que vai continuar a resistir contra os Estados Unidos até à derrota de Washington no conflito.
Terminamos esta guerra traduzida com o primeiro-ministro israelita. O jornal Haaretz revela que Benjamin Netanyahu foi avisado do ataque de 7 de outubro de 2023, ou seja, foi avisado 10 dias antes, mas não avisou os responsáveis pela segurança israelita.
A informação consta de um livro, "Kidnap: 843 Dias de Abandono", dos jornalistas Shlomi Eldar e de Rotem Yoav, com entrevistas a dezenas de fontes, incluindo altos responsáveis israelitas e também estrangeiros. Segundo o jornal, o aviso terá sido feito numa conversa por telefone de cerca de 45 minutos entre Netanyahu e o presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed, no final de setembro de 2023. Nesta chamada, o líder dos Emirados Árabes Unidos avisou Netanyahu de que o líder do Hamas em Gaza preparava uma ação de grande dimensão contra Israel, que poderia provocar um elevado número de vítimas. O Haaretz avisa ainda que Netanyahu terá reagido com tranquilidade, garantindo que o país tinha a situação na Faixa de Gaza sob controlo. Pode ler mais sobre este assunto no site do Observador, num artigo assinado pelo jornalista Manuel Nobre Monteiro.
Fica por aqui mais uma edição da "Guerra Traduzida" especial Irão. Eu sou o Carlos Pedro, a edição de hoje foi do jornalista João Lourenço.