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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, dia 15 de março de 2023. Vamos ver o que dizem os média russos sobre a invasão da Ucrânia. É um trabalho do jornalista Rui Casanova, em colaboração com a Larissa Tovmazian. Rui, boa tarde.

Boa tarde.

Hoje a imprensa russa dá grande destaque a novas movimentações no terreno.

Especialmente perto de Bakhmut. Os combatentes do grupo Wagner afirmam que tomaram o controle da vila de Zaliznytska, uma vila que fica um pouco a norte de Bakhmut, como temos referido várias vezes aqui na "Guerra Traduzida" ao longo das últimas semanas, uma cidade que fica no leste da Ucrânia e que é um dos pontos mais quentes da guerra, principalmente neste momento. O anúncio é feito pelo líder do grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, afirma mesmo que as tropas russas controlam cada vez mais Bakhmut. É uma notícia em destaque na agência estatal Ria agora com esta novidade. Os combatentes do grupo Wagner afirmam que tomaram o controle da vila de Zaliznytska. Também esta quarta-feira, o exército russo afirma que os ucranianos continuam a abandonar Bakhmut, perdendo muitos soldados e também equipamento militar.

Continuamos no leste da Ucrânia, porque Rui, as tropas russas afirmam que destruíram três depósitos de munições das Forças Armadas da Ucrânia na região de Donetsk.

Um anúncio feito pelo porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia. Igor Konashenkov adianta que as tropas russas mataram até 160 militares ucranianos, destruíram um tanque, um veículo de combate de infantaria, dois veículos blindados de combate e ainda quatro veículos pertencentes às Forças Armadas da Ucrânia. São declarações do porta-voz do Ministério da Defesa da Rússia num briefing esta manhã e que estão também em destaque a esta hora no jornal estatal russo KP.

Hoje a imprensa russa fala também sobre novas armas que a Ucrânia vai receber.

A Ucrânia vai receber em breve caças MiG-29 de vários países ao mesmo tempo. É um anúncio feito pelo porta-voz do governo da Polónia, declarações citadas por esta agência estatal. O porta-voz do governo da Polónia não adianta mais detalhes ou que países poderão ser estes. Diz apenas que cada Estado vai fazer este anúncio em tempo próprio. É habitual, de resto, importa também frisar, a imprensa russa falar sobre as armas que o Ocidente envia para a Ucrânia. É habitual este tipo de notícias, falarmos deste tipo de informação aqui na "Guerra Traduzida".

A Rússia pode também suspender, Rui, acordos fiscais com países considerados hostis.

O Ministério das Finanças e o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia propõem ao presidente Vladimir Putin a suspensão dos acordos de dupla tributação com todos os países que impuseram sanções contra a Rússia desde o início da invasão. É o que se pode ler num comunicado conjunto destes dois ministérios e passo a citar o que se pode ler neste documento: "A introdução unilateral de medidas restritivas é uma violação do direito internacional, portanto, a Rússia tem motivos para a introdução de medidas de retaliação. Propõe-se assim que a ação destes acordos seja suspensa até à restauração dos direitos violados da Rússia", é o que se pode ler neste comunicado. A Rússia pondera assim suspender acordos fiscais com países considerados hostis, ou seja, países que não apoiam a guerra da Rússia contra a Ucrânia.

E agora uma citação: "Nenhum amador conseguia tal ação". É a reação de Vladimir Putin sobre a alegada ligação de ativistas ucranianos às explosões do gasoduto Nord Stream.

Sim, e para que os ouvintes se recordem, na semana passada um relatório de inteligência produzido pelo governo norte-americano concluiu que um grupo pró-ucraniano foi o responsável pelo ataque aos gasodutos Nord Stream, no Mar Báltico, em 2022. Foi uma notícia divulgada na semana passada pelo jornal norte-americano New York Times. Perante esta informação, a Casa Branca concluiu também que não existem provas do envolvimento do governo ucraniano. A reação do presidente russo Vladimir Putin surgiu hoje. Chama de absurdo completo esta versão do possível envolvimento de um grupo pró-ucraniano nas explosões. São declarações de Putin em entrevista ao canal Russia One, que o jornal independente Meduza reproduz. De acordo com Putin, uma explosão deste tipo, com tanto poder e com tanta profundidade, só pode ter sido realizada por especialistas e apoiada por um grande país com certas tecnologias, ou seja, também aqui uma bicada de Vladimir Putin à Ucrânia, aqui a desvalorizar o poderio de Kiev.

E é assim que terminamos a "Guerra Traduzida", versão Rússia. Já a seguir passamos em revista a imprensa ucraniana desta quarta-feira.