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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida, um episódio especial para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é do jornalista Carlos Pedro. Boa tarde, Carlos.

Boa tarde, João.

Começamos com os ataques que se mantêm de parte a parte e já levaram o principal negociador iraniano a acusar os Estados Unidos de não cumprirem o acordo de cessar-fogo.

Falamos de Mohammad Bagher Ghalibaf, também presidente do Parlamento do Irão. Aponta essencialmente dois fatores: a manutenção do bloqueio norte-americano aos portos iranianos e a incapacidade para os Estados Unidos impedir que o aliado, neste caso Israel, intensifique os ataques no Líbano. Numa publicação na rede social X, citada pela Al Jazeera, Ghalibaf deixa ainda um aviso aos norte-americanos e também aos israelitas: "Toda a escolha tem um preço e a conta chega. No fim, tudo se encaixará". São palavras do presidente do Parlamento iraniano. Os militares dos Estados Unidos reivindicaram, entretanto, ataques contra radares e instalações de drones iranianos na cidade de Goruk e na ilha de Qeshm durante o fim de semana, classificando-os como ataques de autodefesa. A Guarda Revolucionária Iraniana já respondeu com ataque contra uma base norte-americana no Kuwait.

E entretanto continuam as negociações, mas sem incluir um ponto importante para Washington. Qual é, Carlos?

O tema da energia nuclear e o enriquecimento de urânio. Já depois de Donald Trump ter afirmado que o Irão concordou em não possuir armas nucleares, Esmail Baghai é perentório ao dizer que é necessário agir em questões nucleares, mas diz ao mesmo tempo que não houve qualquer negociação nesse sentido. A Al Jazeera aponta também para um aumento da desconfiança entre Washington e Teerão, sobretudo devido aos recentes ataques de parte a parte.

E ainda sem grandes avanços nas negociações, os iranianos acreditam que o fim da guerra pode estar perto e, por isso, olham com atenção para o mercado imobiliário.

Que é tradicionalmente visto como um dos destinos mais seguros para investimentos de capital em períodos de alguma incerteza. De acordo com a imprensa iraniana, um número crescente de anúncios de imóveis foi retirado do mercado nos últimos dias. Aos jornais locais, agentes imobiliários admitem que instruíram proprietários de imóveis a suspender as vendas. Isto porque acreditam que a redução das tensões e a possibilidade de uma abertura diplomática podem fazer disparar os preços das casas. O jornal "Iran International" aponta para um comportamento semelhante quanto ao mercado de arrendamento. Já quanto aos mercados financeiros, notícias de ambos os lados sobre um possível memorando de entendimento ajudaram também a melhorar a atual situação na Bolsa de Valores de Teerão. As expectativas aumentaram ainda mais depois de o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, o Ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Abbas Araqchi, e o governador do Banco Central do Irão, Abdolnaser Hemmati, viajarem para Doha, no Qatar, onde o Irão espera garantir o acesso a mais de mil milhões de dólares em ativos congelados.

Nos Estados Unidos, o "New York Times" escreve que o exército norte-americano está a guiar discretamente navios pelo estreito de Ormuz.

Este importante canal, por onde passa cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumido a nível global, continua com a passagem condicionada. Ainda assim, o "New York Times" aponta que nas últimas semanas os militares norte-americanos ajudaram a coordenar a passagem de dezenas de embarcações. O jornal fala em 70 navios mercantes, ainda que sem revelar pormenores como o tipo de embarcações e a rota seguida. A verdade é que os navios que passam por perto do Irão sem obter a aprovação iraniana enfrentam a ameaça quase certa de um ataque com drones ou mísseis por parte de Teerão. O "New York Times" fala ainda em quase 900 travessias do estreito entre março e meados do mês passado, maio. Cerca de 40% seguiram rotas desconhecidas ou não oficiais.

E na manchete do "Washington Post", o jornal norte-americano escreve, e passo a citar: "O Pentágono quer drones assassinos baratos".

E para isso está a recorrer a antigos entusiastas. É uma reportagem do jornalista Ian Duncan, que aponta para uma corrida a estes drones, que descreve como bombas voadoras baratas. Diz que as autoridades estão a recorrer a uma mistura eclética de empresas e até já há uma competição que dura 18 meses e começou este ano. O prêmio é uma parte de mais de mil milhões de dólares em contratos de defesa. É este o valor que a Casa Branca espera que seja suficiente para comprar mais de 300 mil drones. Os objetivos finais do governo são ainda mais ambiciosos, diz o "Washington Post". O orçamento de defesa do próximo ano prevê mais de 54.5 mil milhões de dólares só para financiar uma unidade de guerra com drones.

E fica por aqui mais uma edição da Guerra Traduzida, edição especial sobre o conflito no Médio Oriente, desta vez com edição do jornalista Carlos Pedro.