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Começa agora mais uma edição da Guerra Traduzida para acompanhar a situação no Irão. Nos próximos minutos passamos em revista alguns dos destaques dos jornais do Médio Oriente e dos Estados Unidos. A edição de hoje é do Miguel Gato. Boa tarde, Miguel.

Boa tarde.

Miguel, começamos, naturalmente, com os ataques desta madrugada entre Estados Unidos e Irão. Os Estados Unidos voltaram a atacar o país esta noite. Aconteceu pela segunda noite consecutiva.

O Comando Central norte-americano revela que a ofensiva atingiu sistemas de comunicação e instalações de defesa aéreas iranianas. O Exército dos Estados Unidos diz que disparou contra alvos iranianos que representavam uma ameaça às forças dos Estados Unidos no terreno e também a navios comerciais internacionais perto do estreito de Ormuz. Além dos sons de explosões ouvidos em várias cidades perto do estreito, a imprensa iraniana avança que confrontos estiveram em curso nas águas do Golfo Pérsico e também no mar de Omã. Os ataques norte-americanos acontecem depois de Donald Trump ter insistido que a Casa Branca iria continuar as operações militares no Irão enquanto não for alcançado um acordo de paz. O Pentágono justifica o ataque, diz que se trata de um ato de diplomacia concebido para forçar concessões iranianas na mesa de negociações, isto de acordo com fontes oficiais ouvidas pelo Wall Street Journal.

Em resposta, Miguel, os iranianos atacaram bases norte-americanas nos países do Golfo.

No Barein, no Koweit e também na Jordânia. Uma fonte militar relatou à agência de notícias Petra que as autoridades da Jordânia interceptaram e destruíram 20 mísseis provenientes do Irão. O confronto provocou a queda de fragmentos e estilhaços, mas não se verificaram quaisquer feridos ou danos materiais. As unidades de engenharia locais investigaram os vestígios dos projéteis, a fim de garantir a inexistência de material explosivo no interior destes mesmos fragmentos. A notícia foi avançada poucas horas depois de a Guarda Revolucionária Iraniana ter anunciado o ataque à base aérea americana de Al-Azraq, situada no país vizinho, sobre a qual disparou 12 mísseis pela segunda noite consecutiva.

Guarda Revolucionária do Irão declarou ainda, em comunicado, a proibição de todo o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, devido à insegurança na região.

Num comunicado divulgado pela agência estatal iraniana IRIB, as autoridades iranianas dizem ainda que o estreito vai permanecer fechado até novo aviso e alertam que nenhuma embarcação deve navegar no Golfo Pérsico e no mar de Omã e aproximar-se do estreito de Ormuz é considerado cooperação com o inimigo, é o que diz também a Guarda Revolucionária do Irão. O Irão que diz que esta se trata de uma resposta direta às atrocidades que estão a ser cometidas pelos Estados Unidos. O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão condena os ataques ilegais e criminosos da Casa Branca e, por isso, diz também que o cessar-fogo fica agora praticamente sem efeito.

Miguel, já começam a surgir reações a esta troca de ataques.

Sim, por exemplo, os ministros dos Negócios Estrangeiros do Egito e do Paquistão apelaram hoje aos Estados Unidos e ao Irão para que concluam o processo diplomático de forma a pôr fim à guerra no Médio Oriente. Na mesma linha, os dois ministros anunciaram que estão a coordenar uma reunião no Cairo do chamado quarteto de países que se encontram a mediar o conflito. Também já há reação por parte da ONU sobre os mais recentes ataques entre Estados Unidos e o Irão. O secretário-geral das Nações Unidas diz que o cessar-fogo na região assemelha-se a um incêndio de menor intensidade. António Guterres insta todas as partes a trabalharem em prol de uma solução diplomática.

E viramos agora atenções para a Casa Branca. O vice-presidente dos Estados Unidos entende que Benjamin Netanyahu tem errado algumas vezes durante a guerra no Médio Oriente, Miguel, apesar de ser um bom parceiro.

São declarações de J. D. Vance, entrevista à CBS News, que também faz eco na imprensa israelita, por exemplo, no "Times of Israel". O vice-presidente norte-americano diz compreender quando os interesses de Israel divergem dos Estados Unidos, pontualmente. J. D. Vance enfatiza ainda que Donald Trump quer um acordo nuclear com o Irão, mesmo que Tel Aviv se oponha e que a conclusão deste acordo pode levar dias ou mesmo meses.

A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, diz que a União Europeia deve estar preparada para impor novas sanções ao Irão.

Isto caso a crise no Médio Oriente não chegue ao fim, os 27 têm de estar preparados para aumentar a pressão por meio de novas medidas específicas. É o que diz Giorgia Meloni, citada pela agência Reuters. A primeira-ministra italiana, que também deixou críticas ao ministro da Segurança Nacional de Israel, considera, Meloni, que Itamar Ben-Gvir tem tido comportamentos considerados inaceitáveis para a Itália e também indignos para com o próprio país, Israel.

Fica por aqui mais uma edição da Guerra Traduzida, especial Irão. A edição de hoje foi com o jornalista Miguel Gato.