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A Guerra Traduzida. Neste episódio voltamos a olhar para os destaques da imprensa russa, agora com a ajuda do Miguel Vitero Dias. E apesar do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, os Estados Unidos mantêm canais de comunicação que ainda estão abertos.
A garantia é deixada à agência TASS por um diplomata sénior, pelo vice-ministro das Relações Exteriores. Rússia e Estados Unidos da América mantêm canais de comunicação abertos. Ainda ontem o ministro da Defesa russo conversou com o homólogo americano, foi isso que deu conta este diplomata, este vice-chefe da diplomacia. Diz também que há contactos noutros níveis e através de outros canais de conversação. Fala, por exemplo, dos serviços de inteligência, mas também de agências diplomáticas que têm estado em contacto umas com as outras e diz que isso acontece de forma regular. Diz até este vice-ministro para as Relações Externas que a Rússia não deve estar numa situação em que trabalha com uma caixa preta e que é essencial que os canais diplomáticos e dos serviços de troca de informações possam estar em contacto. Diz que isso é particularmente relevante. Destaca a função dos embaixadores e das embaixadas e diz que esses canais de conversação são particularmente relevantes no período de crise que se vive com esta guerra. Foi o que disse o vice-ministro das Relações Externas, Sergei Ryabkov.
E a Rússia está também atrás dos imigrantes que obtiveram nacionalidade russa, mas não se alistaram nas Forças Armadas.
Os dados foram transmitidos num discurso pelo presidente do Comitê de Investigação da Federação Russa, Alexander Bastrykin, que disse que mais de 30 mil estrangeiros receberam recentemente cidadania russa e não se registaram nas Forças Armadas. Estes dados foram avançados no Fórum Jurídico Internacional de São Petersburgo. Diz também este responsável pelo Comitê de Investigação que dos 30 mil, 10 mil já foram registados e foram enviados para aquilo que a Rússia designa por zona especial de operação militar, ou seja, para o cenário de guerra. Diz que estas 10 mil pessoas estão a trabalhar para cavar trincheiras e criar fortificações, portanto, estão na retaguarda. Diz que são unidades de retaguarda muito úteis nesta fase do conflito, onde começa a faltar mão de obra. E diz também o responsável deste comitê de investigação, à boleia destes dados, de que muitas das pessoas que obtiveram nacionalidade não se alistaram nas Forças Armadas, coloca em causa a política migratória da Rússia. Diz que é preciso justificar a necessidade de recursos humanos e, com isso, até resolver alguns problemas políticos internos. Diz Bastrykin que na hora de contratar migrantes é preciso estar atento a questões de segurança nacional e diz até que a Rússia deve, para gerir a política migratória, utilizar a experiência do passado soviético.
E para fechar esta guerra traduzida, a história de um antigo funcionário público russo que fugiu para os Estados Unidos da América e foi agora condenado a 14 anos de prisão.
Partiu do Ministério da Justiça da Rússia para os Estados Unidos, foi condenado à revelia num caso de promoção do terrorismo. Este caso começou a ser julgado enquanto divulgação de informações falsas sobre o Exército, mas mais tarde a imprensa independente da Rússia deu conta de que este funcionário estava a ser julgado por promoção de atividades terroristas. O caso de desinformação continua em julgamento no Tribunal de Moscovo e este julgamento à revelia por promoção do terrorismo já terminou com uma condenação de 14 anos. Este funcionário trabalhava no Centro Regional de Justiça do Cáucaso e depois da mobilização militar, em setembro de 2022, recusou organizar angariações de fundos para os militares. Com isso, fugiu. Este funcionário e a mulher fugiram para os Estados Unidos da América e já nos Estados Unidos continuaram a publicar informações falsas, notícias falsas, e é por isso também que esse julgamento continua ainda a decorrer. Mas para já, o caso subiu de nível num outro tribunal e este funcionário foi mesmo condenado por promoção do terrorismo a 14 anos de prisão.
E é assim que terminamos este episódio da Guerra Traduzida na Rádio Observador. Nós regressamos já amanhã.