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Começamos assim este Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos olhar pra forma como os media da Rússia noticiam esta invasão, num trabalho do jornalista Rui Casanova, com a colaboração da Larissa Tovmazian. Neste dia 348 do conflito, começamos com as negociações entre Vladimir Putin e Alexander Lukashenko.

Sim, o presidente da Rússia e o presidente da Bielorrússia estiveram ao telefone durante o dia de ontem. É o que avança o porta-voz do Kremlin em declarações aos jornalistas no habitual ponto de situação diário. Dmitry Peskov explica que nesta conversa foram abordados vários temas, como as relações bilaterais, uma agenda comum de cooperação econômica, política e também de segurança, e também uma visão ao Estado da União, que vai acontecer nas próximas semanas. O porta-voz do Kremlin adianta que os dois líderes, Putin e Lukashenko, falam regularmente ao telefone e que também nesta conversa de ontem combinaram encontrar-se presencialmente em breve. É uma notícia que está em destaque a esta hora na Ren TV, uma televisão estatal russa.

Também destaque para as declarações do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, que diz que o Ocidente tem vindo a preparar a Ucrânia para uma guerra híbrida contra a Rússia desde há vários anos.

Sim, estas declarações surgiram lado a lado com o homólogo do Iraque. O Ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia e o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque estiveram reunidos num encontro formal nas últimas horas e partilharam depois uma conferência de imprensa comum. Sergei Lavrov afirma que o Ocidente tem como objetivo perturbar o acordo de Minsk, um acordo assinado por representantes da Ucrânia, da Rússia, da República Popular de Donetsk e da República Popular de Lugansk para pôr fim à guerra no leste da Ucrânia em 5 de setembro de 2014. Sergei Lavrov, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, afirma que o objetivo de interromper este tratado é o de criar condições para dar armas à Ucrânia contra a Federação Russa e também destruir os direitos da população russa. É o que afirma Lavrov, lado a lado com o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque. Já o Ministro dos Negócios Estrangeiros do Iraque afirma que é a favor de um cessar-fogo na Ucrânia. É uma notícia em destaque no jornal russo estatal Vesti.

E também em destaque numa agência estatal, a RIA diz que a Rússia tornou-se o quarto país do mundo com maiores reservas de ouro.

Sim, a RIA partilha estes dados de acordo com dados de bancos centrais nacionais. É um artigo em destaque nesta agência a esta hora. E a RIA afirma que no final de 2022, ou seja, no final do ano passado, a Rússia tornou-se o quarto país entre os detentores das maiores reservas de ouro e divisas do mundo. De acordo com a Agência RIA, a China lidera a lista, segue-se o Japão, depois a Suíça e então em quarto lugar, a Rússia, que de acordo com a RIA, fechou o ano de 2022 com cerca de 540 mil milhões de euros em reservas. Em 2021, a Rússia tinha perdido este quarto lugar da lista para a Índia, mas no verão passado recuperou.

E Rui, como é hábito, olhamos também pra imprensa russa independente.

Para o jornal Meduza, como é hábito aqui na Guerra Traduzida da Rádio Observador, este jornal independente cita um artigo do Financial Times que deixa um aviso: a Rússia pode lançar uma ofensiva em larga escala na Ucrânia dentro de 10 dias. Como falávamos há pouco no episódio da Ucrânia, Volodymyr Zelensky tem alertado para esta possibilidade de uma ofensiva em larga escala a coincidir com o primeiro aniversário de guerra, ou seja, 24 de fevereiro. Mas agora o Financial Times afirma que essa ofensiva pode surgir antes, dentro de 10 dias. O Financial Times cita um conselheiro militar ucraniano que não foi identificado e o jornal Meduza replicou esta notícia. De acordo com o Meduza, vários analistas militares acreditam que a parte ocidental da região de Lugansk pode mesmo tornar-se o local de um novo ataque, isto porque a Rússia tem estado a reunir tropas nesta zona há várias semanas. O presidente da Ucrânia também tem alertado para esta possibilidade nas últimas semanas.

Rui Casanova, com a Guerra Traduzida versão russa. Amanhã voltamos a atualizar todas as notícias que nos chegam sobre esta invasão, numa altura em que nos aproximamos a passos largos do primeiro ano de conflito.