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Estamos de volta com a "Guerra Traduzida", com o jornalista João Gama. Eu sou o Vasco Maldonado Correia. Olhamos agora pra imprensa russa. Vladimir Putin é um presidente cada vez mais viajado.
É ainda tempo de, Vasco, fazermos balanços de 2024. No ano passado, Vladimir Putin quase que duplicou as visitas de Estado a países estrangeiros. São estimativas da TASS, a agência de notícias estatal da Rússia. Putin fez pelo menos 11 visitas a países estrangeiros no ano passado. Em 2023, fez apenas seis. E por onde passou o presidente russo em 2024? Países como a China, a Coreia do Norte, Vietnã, Uzbequistão, Bielorrússia, Mongólia, entre poucos outros. Em 2024, Vladimir Putin fez também 30 viagens a regiões russas. A primeira do ano passado foi à região de Chukotka, no Extremo Oriente do país. É importante recordar que o presidente russo tem, neste momento, ainda em vigor, desde maio de 2023, um mandato de detenção emitido pelo Tribunal Penal Internacional, ou seja, a viajar para um país que pertença ao tribunal, a maior parte países ocidentais, pode vir a ser detido.
A imprensa russa dá, sem surpresas, destaque também às dificuldades na importação de gás pra Europa. Sem a rota ucraniana, as importações podem cair até 30%.
Uma contabilização feita também na TASS. O jornal estatal escreve que, nos últimos três anos, 15 a 20 mil milhares de metros cúbicos de gás foram enviados através do gasoduto ucraniano para a Europa. São contas do Instituto para o Estudo de Mercados Mundiais da Rússia. Agora, sem esta rota ucraniana, o tráfego de gás pode cair a pique. Estimam uma perda de 30%.
E o Kremlin acredita que o encerramento dos gasodutos ucranianos enfraquecem o potencial econômico de todo o continente europeu.
O que vai afetar, por exemplo, o estilo de vida dos europeus. É uma garantia deixada pelo porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova. A culpa, insiste Moscou, é de Kiev e apenas há um país que sai a ganhar com esta decisão, que serão os Estados Unidos da América. A Rússia deixa um aviso principalmente dirigido à Alemanha. Diz Maria Zakharova que a maior economia do mundo é a principal vítima desta estratégia predatória norte-americana. É o destaque que está neste momento, Vasco, no jornal Interfax.
E há um outro alerta na imprensa russa. A Polônia estará a produzir em segredo armas para enviar pra Ucrânia.
Uma informação adiantada pelo diplomata ucraniano na Polônia, que está em destaque no portal RBC. O diplomata assegura que existem fábricas a produzir armamento pra Ucrânia na Polônia, mas por causa da proximidade da Rússia, esta é uma informação que deve permanecer em segredo e com poucos detalhes. O diplomata acrescenta que, no âmbito desta cooperação, estão a ser produzidos drones, a ser reparados tanques e também armas do domínio da alta tecnologia. A Polônia intensificou esforços para modernizar o seu exército já em 2022, mas em 2024, Varsóvia começou a gastar cerca de 4% do PIB em necessidades militares e em 2025 planeia gastar ainda mais 5%.
E no terreno, os jornais russos acusam Kiev de ter lançado um ataque com mísseis a um centro cultural numa aldeia, isto na região de Kursk.
Um ataque que aconteceu esta tarde na aldeia de Ivanovskoye, em Kursk. As imagens a ser partilhadas deste ataque mostram um apartamento destruído, com escombros e fumos em todas estas imagens. De acordo com o governador, apenas objetos civis pacíficos foram atacados. O alvo imediato foi então um centro cultural. Não há mortos nem feridos, mas é uma notícia que está em destaque, quer na imprensa estatal russa, como o portal RBC, quer também na imprensa independente, no jornal Meduza.
Fica por aqui mais um episódio da "Guerra Traduzida", o primeiro do ano, que vai estar disponível daqui a pouco em podcast.