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Guerra traduzida, estamos de volta com a jornalista Diana Rosa, que nos traz desta vez as principais notícias dos jornais russos. Começamos, Diana, com as declarações do presidente da Polónia, que diz que a Ucrânia não se pode juntar à NATO enquanto o país estiver ocupado pela Rússia.
A Ucrânia candidatou-se à adesão à NATO em setembro de 2022, já lá vão quase dois anos, em regime de fast track, e foi garantido na Cimeira da Aliança em Vilnius, no ano passado, que seria admitida se as condições necessárias fossem cumpridas. No entanto, Andrzej Duda é mais um líder a diminuir as expectativas ucranianas. Diz numa entrevista ao Washington Post, citada pela TASS, que a porta da NATO está fechada até terminar a guerra. Os líderes das maiores potências da NATO, nomeadamente Joe Biden, já disseram que apesar de acolherem a vontade da Ucrânia, não vai haver, para já, sequer um cronograma estabelecido para a respectiva adesão. E apesar dos pedidos de Volodymyr Zelenskyy, a Aliança tem reiterado que não aceita Kiev na lista de membros enquanto houver um conflito.
E o Kremlin diz que é irresponsável que o Reino Unido permita que a Ucrânia ataque a Rússia com armas britânicas.
E não fica por aí, Luís. A Rússia ameaça retaliar caso isso aconteça. É esta a reação do Kremlin às declarações do novo primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que fez saber que não se opõe ao uso de mísseis britânicos por parte da Ucrânia para atacar alvos em território russo. Dmitry Peskov, o porta-voz do Kremlin, disse que caso isso seja verdade, é mais um passo irresponsável para aumentar a tensão e agravar a situação.
E a Rússia, Diana, aprovou um aumento do imposto sobre os rendimentos dos mais ricos. Tudo isto para financiar a guerra na Ucrânia.
É verdade, o projeto de lei foi hoje aprovado pelo Parlamento russo com o objetivo de encher os cofres do governo durante a guerra. Para se tornar lei, tem agora de ser assinado pelo presidente russo, Vladimir Putin. Esta proposta impõe um imposto de 13% para rendimentos até 2,4 milhões de rublos, ou seja, pouco mais de €25 mil, mas não por mês, por ano. Para rendimentos superiores a esse montante vão aplicar-se taxas de imposto ainda mais elevadas. Putin garante, no entanto, que o aumento dos impostos não vai afetar mais do que 3% dos contribuintes russos. O projeto de lei prevê igualmente o aumento da taxa do imposto sobre o rendimento das empresas, que passa de 20% para 25%.
E temos ainda um estudo que indica que atingiu um recorde o número de russos que apoia uma solução de paz para a Ucrânia.
Mais de dois anos depois da invasão em larga escala, 58% dos russos acreditam que a guerra deve terminar. Esta é uma das principais conclusões da última pesquisa do Levada Center, o último grande instituto independente de pesquisas a trabalhar na Rússia, num estudo realizado no final do mês passado. Ao Moscow Times, o diretor da instituição, Denis Volkov, atribui essas e outras mudanças na opinião pública a uma alteração na retórica de Vladimir Putin, que nas últimas semanas tem falado com mais frequência sobre negociações pacíficas, que é algo que a maioria dos russos está interessada. Moscovo é o sítio na Rússia onde há mais pessoas a apoiar a continuação da guerra. Denis Volkov acredita que se deva ao facto de grande parte dos liberais ter abandonado a cidade no início da guerra. Por outro lado, Moscovo é uma cidade, é uma capital onde as pessoas não sofrem ataques, como por exemplo em Belgorod, junto à fronteira com a Ucrânia, podem, por isso, viver com normalidade. Embora a maioria dos entrevistados tenha dito que é a favor da paz o mais rapidamente possível, apenas 17% acreditam que a Rússia deve fazer concessões significativas para chegar a um acordo com Kiev. E mais, Luís, mais de 78% dos russos é contra a devolução de territórios ocupados na Ucrânia e é ainda mais resistente a permitir que a Ucrânia se junte à NATO.
E é com este estudo que termina esta edição da Guerra Traduzida. Estamos de regresso amanhã.