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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Destaque para a imprensa russa nesta quinta-feira, dia 8 de setembro. Já aqui está conosco o Miguel Cordeiro para esta revista de imprensa, num trabalho feito em colaboração com a Larissa Tovmasyan. Boa tarde, Miguel. Começamos hoje com declarações do primeiro-ministro russo, que diz que as receitas com a venda de petróleo e gás aumentaram 50%.
As sanções ocidentais contra a campanha militar de Moscovo na Ucrânia falharam em minar a estabilidade financeira da Rússia. Esta é a frase do primeiro-ministro russo Mikhail Mishustin. Ele explica que uma desaceleração da economia era inevitável perante as sanções, mas que não se mostrou destrutiva. De acordo com Mishustin, o PIB da Rússia caiu pouco mais de 1% nos primeiros seis meses de 2022. Ele diz mesmo que essa tentativa de limitar as exportações de energia levou a um aumento natural das receitas de petróleo e gás no orçamento, quase para metade. As declarações surgiram no Fórum Financeiro de Moscovo. A verdade é que depois das sanções europeias, a Rússia alargou o mercado exportador para outros países, tem conseguido escoar petróleo e gás em maiores quantidades e, de acordo com o primeiro-ministro, com mais receita. Não se sabe com muito mais lucro, mas sabe-se que a receita aumentou.
Primeiro-ministro dando conta de que as sanções aplicadas pelo Ocidente eventualmente não estarão a surtir o efeito desejado. Avançamos para o Izvestia, que hoje escreve que a nova secretária-geral da NATO pode ser uma mulher com origem na Ucrânia.
Chrystia Freeland. Ela é ministra das Finanças do Canadá, mas é também alguém que tem ascendência ucraniana. Chrystia é filha de um advogado canadiano, Donald Freeland, e da advogada ucraniana Halyna Yushchuk. Ou seja, é uma candidata a líder da NATO que tem essa ascendência da Ucrânia. A notícia foi inicialmente avançada pelo canal norte-americano CBS. Tem agora claro eco na imprensa russa, está em vários artigos da imprensa estatal. O nome Freeland é mencionado nos círculos internacionais de defesa e segurança há vários meses como uma potencial sucessora do atual chefe da aliança, Jens Stoltenberg, que está no cargo desde 2014. Stoltenberg até devia deixar o cargo já no próximo dia 1 de outubro, mas recordo que em março o mandato foi estendido até setembro de 2023, precisamente por causa da guerra. Hoje a imprensa russa faz eco deste artigo da CBS, que dá a Freeland como uma das mais fortes candidatas à sucessão. Sabemos que uma das razões apontadas por Putin para iniciar esse conflito é o aproximar da NATO da fronteira. Ter uma líder com ascendência ucraniana, para Putin não seria certamente muito agradável. Freeland foi jornalista, foi editora de várias publicações, Reuters, Financial Times, tem uma vasta obra na área da economia, é agora ministra das Finanças do Canadá e surge como uma grande candidata à liderança da NATO, até porque, para além de falar inglês, francês também fluentemente, a partir do Canadá, sabe também falar russo e ucraniano.
Vantagens para esta mulher apontada como possível sucessora de Jens Stoltenberg. Seguimos para a tecnologia. O ministro do Comércio da Rússia diz que o iPhone 14 vai chegar ao país, mas por portas travessas.
Sim, é uma forma algo manhosa de contornar as sanções. A Rússia compra produtos a países intermediários. Isto acontece com vários produtos. O cenário é simples. Por exemplo, a Índia compra milhões de iPhones. A Rússia, como não pode comprar diretamente aos Estados Unidos, compra à Índia por um preço ligeiramente mais caro ou então a troca de outros favores comerciais. Assim, os iPhones e muitos outros produtos continuam a chegar à Rússia. O vice-primeiro-ministro chefe do Ministério da Indústria e do Comércio na Rússia, Denis Manturov, diz que o novo iPhone vai ser entregue na Rússia por importações paralelas e por isso os russos vão ter a oportunidade de comprar esta novidade no mercado da tecnologia. Ontem foi apresentado o novo iPhone.
Para fechar, um grupo de deputados municipais de São Petersburgo exigiram que a Duma do Estado acusasse Putin de traição devido à guerra.
E é na imprensa independente que está esta notícia, no jornal Meduza. O Conselho da Formação Municipal Smolninskoye, em São Petersburgo, decidiu apelar aos deputados do Parlamento estatal, o Parlamento russo, a Duma, para apresentarem acusações de traição contra o presidente russo Vladimir Putin. O objetivo é remover Vladimir Putin do cargo. O anúncio foi feito pelo deputado municipal Dmitry Palyuga. A decisão de enviar este inquérito aos deputados foi apoiada pela maioria dos deputados presentes neste conselho municipal. Diz Palyuga, que não especifica exatamente quantos deputados aprovaram esta decisão, que durante a guerra, cidadãos russos jovens, fisicamente aptos, estão a morrer. A economia russa está a sofrer. A NATO está a expandir-se para o leste e a Ucrânia está a receber novas armas, apesar de Putin ter chamado esta operação uma desmilitarização do país, neste caso da Ucrânia, e consideram estes deputados que está a acontecer precisamente o contrário. É uma ação que está prestes a avançar, mas que ainda conta com muito pouca informação, apenas na imprensa independente há notícias sobre isto.
E é com esta história que terminamos a revista de imprensa russa, num trabalho do Miguel Cordeiro, que contou com a colaboração da Larissa Tovmasyan.