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Tempo agora para analisar a imprensa da Rússia, mais um episódio da Guerra Traduzida, um trabalho do jornalista Rui Casanova, com colaboração da Larissa Tovmazian, dia 558 desta guerra. Começamos novamente com as conclusões da reunião entre o Vladimir Putin e Recep Erdoğan.

Que terminou há pouco e durou cerca de três horas. A imprensa estatal russa tem aqui vários detalhes sobre o que foi discutido, como é de resto costume. A imprensa estatal russa tem sempre muitas informações sobre este tipo de reuniões com Vladimir Putin. O jornal KP escreve que o presidente russo começou por felicitar pessoalmente Recep Erdoğan pela reeleição à presidência na Turquia. Vladimir Putin confirma também, e esta é talvez a parte mais importante, a abertura para negociar e reativar o acordo de exportação de cereais ucranianos. Foi o que disse Vladimir Putin a Recep Erdoğan, que, por sua vez, destacou que o mundo inteiro está atento a este acordo e admite também que considera justas as reivindicações da Rússia. Falando sobre o conflito na Ucrânia, Recep Erdoğan manifestou disponibilidade para se tornar um mediador entre as partes. Vladimir Putin disse também que as negociações sobre a criação de um centro de gás na Turquia vão ser concluídas num futuro próximo. São os destaques desta reunião entre Vladimir Putin e Recep Erdoğan. Uma reunião confirmada na semana passada pelo Kremlin, que decorreu hoje. O Kremlin destaca de resto que foi uma reunião construtiva. Não foi ainda assim assinado ou anunciado nenhum acordo ou comunicado oficial sobre a exportação de cereais ucranianos através do Mar Negro, mas fica este destaque. Vladimir Putin mostra-se disponível para reativar esta iniciativa.

E no terreno, as tropas russas evitaram três ataques das Forças Armadas Ucranianas na direção de Donetsk.

Aconteceu nas últimas 24 horas. As Forças Armadas Russas na região de Donetsk repeliram três ataques de grupos de assalto de tropas ucranianas. Ao todo, 285 militares ucranianos perderam a vida nestas hostilidades. É o que indica um relatório do Ministério da Defesa citado pela Agência RIA.

Um soldado capturado das Forças Armadas Ucranianas falou, entretanto, à imprensa estatal russa sobre como é estar no terreno.

E diz que a experiência é terrível, é a expressão utilizada por este soldado. É uma história em destaque no jornal KB. Chama-se Andrei Tsimin e pertencia à Brigada 54 do Exército Ucraniano. Foi capturado na cidade de Soledar, na zona de Donetsk. Falou à imprensa estatal russa sobre a experiência de lutar pela Ucrânia. Relata que, por exemplo, num combate em Soledar, avançou um grupo de 12 pessoas, apenas três voltaram. Não se sabe o que aconteceu às restantes. Diz que foi uma experiência terrível e que imediatamente pediu aos superiores hierárquicos para recuar, porque estavam a ser conduzidos simplesmente para a morte. Portanto, estes soldados quiseram recuar. O soldado Andrei Tsimin diz que não lhes foi permitido, diz que lhes foi dito que era inadmissível e que havia militares que tinham recebido ordens para não os deixar recuar. Fala este soldado numa terra de cadáveres e nas trincheiras cheias de pessoas. Diz mesmo este soldado ucraniano capturado pelas tropas russas que não desejaria isto nem para o inimigo.

A imprensa livre da Rússia, entretanto, destaca o facto da Roménia negar que caíram drones russos no território romeno.

Falámos desta notícia no episódio anterior de Guerra Traduzida, versão Ucrânia. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia disse ao início da manhã que drones russos caíram e explodiram na Roménia, mas o Ministério da Defesa romeno já veio negar categoricamente esses relatos. É o que se pode ler num comunicado. A Roménia afirma que os ataques de Moscovo a infraestruturas portuárias ucranianas no rio Danúbio são condenáveis. No entanto, não confirma esta informação de que drones russos caíram e explodiram na Roménia.

Terminamos assim mais um episódio da Guerra Traduzida, que está de regresso amanhã.