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Está na hora da Guerra Traduzida, na Rádio Observador. É aqui que analisamos tudo o que escreve a imprensa russa e ucraniana sobre a guerra em Kiev. Hoje com o jornalista André Maia. André, bem-vindo. Começamos pelo grande destaque do jornal Pravda de hoje. As duas notícias mais lidas do dia neste jornal têm o mesmo protagonista, é Viktor Orbán, o primeiro-ministro da Hungria.

Exatamente, e por dois motivos. Começamos com a notícia mais lida do dia, que é sobre a reação de Orbán ao ataque da Rússia à região ucraniana da Transcarpátia. Falamos ontem aqui na Guerra Traduzida, dois ataques que aconteceram a infraestruturas civis. São duas fábricas, uma de café e outra de eletrodomésticos. Ora diz o jornal Pravda que Viktor Orbán reagiu pedindo paz, mas sem condenar a atitude da Rússia, sem condenar os ataques da Rússia. No artigo podemos ler que Orbán não conseguiu condenar o ataque a estas duas fábricas. Em vez disso, observou apenas, e cito: "Os esforços para estabelecer a paz e o processo de negociação iniciado pelo presidente Trump devem continuar, apenas a paz". Por outro lado, há aqui outra notícia com grande destaque sobre Orbán no jornal Pravda. O título é: "Orbán reclama com Trump sobre ataque da Ucrânia ao oleoduto russo de Druzhba". Em causa estará uma carta que foi enviada pelo próprio primeiro-ministro húngaro ao presidente dos Estados Unidos. O Pravda revela esta carta que diz: "Este oleoduto abastece a Hungria e a Eslováquia, dois países que não têm outros meios de importar petróleo bruto. A Hungria apoia a Ucrânia com eletricidade e gasolina e em troca bombardeia o oleoduto que nos abastece". É uma atitude muito hostil, mas depois, novamente, não sabemos se aqui com um tom mais irônico ou não, desejamos ao presidente Trump todo o sucesso na sua busca pela paz. Relembro que Orbán é cada vez mais um personagem importante, tendo em conta que nos últimos dias tem-se falado bastante sobre onde é que pode ser feita a reunião entre Putin e Zelensky. A Hungria é um dos sítios que tem sido falado e portanto Viktor Orbán é cada vez mais falado nos órgãos ucranianos e também russos nos últimos dias.

Vamos ao jornal TSN. André, tem como artigo mais lido hoje um antirrecord da Rússia. O que é exatamente um antirrecord?

Sim, está também relacionado com os tais ataques, Vasco, que eu dizia agora, ataques da Rússia à região ucraniana da Transcarpátia. Zelensky falou aos ucranianos sobre estes ataques, que relembro, incidiram sobre alvos civis. Falamos de uma fábrica de café, outra de eletrodomésticos, ambas as fábricas com investimento americano. Ora o presidente ucraniano falou com alguma ironia, e são palavras destacadas pelo jornal TSN, estão mesmo no título, e diz Zelensky: "O exército russo estabeleceu hoje um dos seus recordes mais loucos. Atacaram instalações civis, prédios residenciais e o nosso povo. Usaram vários mísseis de cruzeiro contra uma empresa americana na Zakarpattia", que é a linguagem ucraniana, em português traduzimos para Transcarpátia. No total, durante a noite, a Rússia usou 574 drones de ataque e também 40 mísseis contra a Ucrânia nesta zona e contra estas duas fábricas e também alguns prédios civis.

Um recorde louco aqui trazido pelo TSN. André, terminamos esta parte ucraniana da Guerra Traduzida de hoje com uma reportagem do jornal Ukrinform sobre a reconstrução de um bairro na Ucrânia. Borodyanka está a ser um exemplo de como um bairro pode renascer das cinzas.

Exatamente, Vasco. E é uma reportagem muito impressionante, principalmente do ponto de vista fotográfico. A destruição desta zona de Borodyanka aconteceu muito cedo na altura da guerra, aconteceu logo no terceiro dia da invasão. Estamos ainda a falar em fevereiro de 2022 e temos na primeira parte da reportagem do Ukrinform uma descrição de como é que aconteceu esta invasão da zona de Borodyanka. Falamos da Rua Veteranov, que é onde incide a reportagem. As casas ficaram parcialmente destruídas, mas pior do que isso, os moradores ficaram numa espécie de cativeiro subterrâneo. Foram obrigados a ficar nas caves que tinham, as casas que tinham cave, claro. Os moradores contam ao Ukrinform o que viveram. As descrições são arrepiantes. Dizem que não havia nada pra comer, não havia água. Tiveram de acender uma fogueira. Que os russos quando chegaram, um dos moradores diz que levaram 15 sacos de batatas e deixaram apenas um. Foi com esse um e esse único saco de batatas.

Para dividir por todos os moradores.

Exatamente, por todos os moradores. Eram 11 moradores nesta rua. Diz que talvez os russos não tenham visto esse saco que sobrou. Diz que levaram as chaleiras elétricas, mas deixaram a parte dos fundos, lá está, das caves, onde ainda havia eletricidade. Naquela época, dizem que os porões, as caves, se tornaram uma salvação para os adultos, para as crianças, apesar dos ratos, apesar da poeira. Diz que as mulheres tiravam colchões, cobertores, de todos os sítios onde podiam para que as crianças não tivessem de dormir no chão, no cimento frio. E diz que ficaram também sem eletricidade até maio e por isso eram obrigados a cozinhar ao ar livre. Não havia sistema de esgotos, contam. Mesmo o gás foi depois desligado e dizem: "Só Deus sabe como sobrevivemos".

Uma reportagem arrepiante, mas pelo que se pode perceber deste artigo que nos trazes, André, quem for a este bairro agora nem imagina que tudo isto aconteceu.

Sem dúvida, sim, porque houve então esta requalificação. Ela é demonstrada de uma forma muito criativa, espetacular, é muito visual. À porta de cada casa foi fixado um cartaz, uma espécie de cartaz que vemos às vezes, por exemplo, as imobiliárias colocarem nos jardins das casas, por exemplo, na América do Norte, nos Estados Unidos. É um cartaz que está afixado nos jardins à porta da casa, em que temos uma imagem gigantesca de como é que era a casa na altura da destruição.

O antes e o depois.

O antes e o depois, exatamente. O depois não está na imagem, basta as pessoas olharem pra as casas, mas temos na imagem o antes, de forma que quem passa consiga perceber o que é que aconteceu e de que forma é que as casas foram reconstruídas. Foram reconstruídas com apoios europeus, foram reconstruídas também com apoios da Da Ucrânia, dos próprios vizinhos. E é interessante ver precisamente um dos moradores diz ao Ukrinform que parece que agora já vivemos na União Europeia, porque diz que as casas estão melhores do que estavam até antes da destruição, o que mostra também a importância que teria para os ucranianos entrar na União Europeia.

A mudança a acontecer na Ucrânia, a guerra traduzida, versão ucraniana. Já a seguir voltamos com os destaques da imprensa russa. Segunda parte da guerra traduzida agora com destaque para o que diz a imprensa da Rússia. O jornalista André Maia continua conosco. André.

Boa tarde.

Começamos com o jornal estatal "Izvestia", que hoje fala dos desenvolvimentos positivos das forças russas em Pokrovsky.

Sim, bem ao estilo do "Izvestia", o jornal destaca obviamente o lado positivo do percurso militar, é um jornal estatal.

Sendo um jornal estatal.

Exatamente. Muita adjetivação, por exemplo, escreve o jornal que os militares das Forças Armadas da Federação Russa estão a avançar de forma ativa e com sucesso na direção de Pokrovsky. E mesmo a fonte que é utilizada para esta informação é adjetivada. O "Izvestia" diz que foi informado pelo herói da Rússia, o capitão Tkach. Diz ele que estão a ser bem-sucedidos, que os militares russos estão a progredir muito bem, estão a consolidar-se na posição inimiga. Diz que a maior parte da cidade já está cercada e o capitão Tkach observou também, diz que as Forças Armadas russas, entre outras coisas, estão a seguir para o norte, isto para expandir a linha de frente inimiga e o objetivo é desmantelar a linha ucraniana.

E ainda o "Izvestia", André, pega num ângulo além-fronteiras, a ligação da Rússia à China, isto por causa das celebrações do aniversário 80 da vitória na Segunda Guerra Mundial.

Sim, o título diz logo tudo, Vasco. Estou a citar: "Calendário virado de cabeça para baixo. Os diplomatas da União Europeia não vão comparecer ao desfile militar na China no dia 3 de setembro". E depois, no restante corpo da notícia do "Izvestia", são muito duros os russos para com esta ausência da União Europeia no desfile chinês. Diz o "Izvestia" que os embaixadores da União Europeia decidiram boicotar, é mesmo esta a expressão utilizada, o desfile militar na China por ocasião do 80º aniversário da vitória da Segunda Guerra Mundial. De acordo com os relatos conseguidos apurar pelo "Izvestia", decidiram os europeus não participar no evento por causa da presença de Vladimir Putin. O presidente russo vai estar na marcha, como é óbvio. E tendo em conta que também há a possível participação, é o que diz o "Izvestia", de militares russos na marcha, a União Europeia não vai estar presente. O artigo do "Izvestia" diz que esta medida pode afetar mesmo as relações entre Pequim e as capitais europeias. Este jornal estatal russo cita o "South China Morning Post", que diz que o embaixador da União Europeia na China, Jorge Toledo, não vai sequer nem ele próprio participar ou comparecer no desfile. Quanto aos outros países da União Europeia, vão seguir o mesmo exemplo e diz mesmo o "Izvestia" que há algumas destas figuras que vão estar de férias. Não é só o fato de estarem em trabalho, é o fato de terem colocado mesmo férias, especificamente neste período, só para não estarem presentes.

André, por último, vamos ao jornal independente, o "Moscow Times", e não ficamos muito longe da China. Hoje é notícia neste jornal que Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte, premiou os soldados que lutaram pela Rússia na guerra da Ucrânia.

Exatamente. O jornal cita os jornais norte-coreanos, que mostram as imagens do líder Kim Jong-un ajoelhado à frente de vários retratos dos soldados que morreram nas linhas da Ucrânia. Relembro que foram sensivelmente 10 mil soldados pra Rússia em 2024, para além de muitos carregamentos de mísseis, de artilharia, sistemas de foguetes de longo alcance. Estamos a falar de muita artilharia que foi enviada para a Rússia por parte da Coreia do Norte. Para além disso, cerca de 600 soldados norte-coreanos foram mortos, milhares ficaram feridos também. Isto são dados que nos chegam de Seul e não propriamente da Coreia do Norte.

De Pyongyang.

Exatamente, porque já sabemos que muito dificilmente teríamos acesso a esses números. Ora, esta cerimônia, que aconteceu hoje, ou pelo menos foi noticiada hoje, foi realizada na sede do Partido dos Trabalhadores em Pyongyang. Nas fotografias conseguimos ver Kim Jong-un entregar medalhas, também colocar flores junto às fotografias dos soldados que morreram, também a consolar alguns soldados que regressaram, mas que ficaram feridos. E saudou também os heróis, estou a citar, "heróis que sacrificaram as juventudes e as suas vidas". Kim Jong-un elogiou os soldados que regressaram à casa com grande honra, depois de, e aqui vou também citar, "terem suportado a chuva de balas e bombas da guerra de vida ou morte num país estrangeiro". A verdade é que foi apenas voluntário este serviço dos norte-coreanos, tendo em conta que a Coreia do Norte, como disse, no ano passado, enviou daquilo que a Coreia do Sul conseguiu apurar, porque não sabemos do lado da Coreia do Norte, mas terá enviado mais de 10 mil soldados pra Rússia.

E é com essa homenagem do líder norte-coreano que fazemos aqui o ponto final em mais uma edição da Guerra Traduzida na Rádio Observador, esta semana com o André Maia. Voltamos já na próxima segunda-feira com mais destaques da imprensa ucraniana e russa sobre esta invasão.

Rádio Observador.

Atenção, dia 29 de agosto o Mateus Fest em Viseu vai mexer com a cidade. Matuê, Van Zee, Lonor Johnny, Prof Jam, juntos num só dia, com espírito de festival e muita animação. Garanta já o seu bilhete por 20 € e venha viver esta energia na maior feira do país. Muito boa tarde, está com a Rádio Observador. Vamos atualizar as notícias daqui a pouco com o Vasco Maldonado Correia, na síntese das 15h30. Ainda vamos receber o músico Diogo Clemente esta tarde, depois das 16h, para o ao vivo desta sexta-feira. Destaque também para a cidade do Porto, onde arranca hoje a Feira do Livro. Sérgio Godinho é o homenageado da edição deste ano. Há por lá também muita música com concertos de B Fachada, Lu Cargel, Manuel Cruz, Três Tristes Tigres e também o próprio Sérgio Godinho com Manuela Azevedo. A Feira do Livro do Porto arranca hoje nos Jardins do Palácio de Cristal e decorre até 7 de setembro. Aqui temos o homenageado deste ano com "O Porto Aqui Tão Perto". Um abraço para o Porto.

Vá comboio, o meu comboio Carrega na velocidade Para só quando chegarmos à cidade Ó la cidade do Porto A lágrima ao canto do olho Estava fechada há que tempos com farrolho Custou tanto cá chegar Mil e uma peripécias Quando menos se espera o diabo tece-as Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Mal chegado vislumbrei Dois amigos do alheio Vasculhando a minha caixa do correio À tratantes apanhei-vos Com a boca na botija Com certeza não esperam que trazija Não é nada do que pensas Viemos trazer-te um recado Que nos foi entregue por um embuçado Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Dizia assim o recado No Palácio há variedades Se lá fores verás que vais matar saudades De matar não gosto muito Mas saudades é diferente Como matar fogas alivia a gente Cheguei lá e deparei Com uma mulher embuçada Intimei-a para lá com essa tourada Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Desembuçamos vá lá E já agora desembucha Que se cá puseste pareces uma bruxa Diz-me o que fazes aqui Toco ali com as atrações No conjunto do Godinho e seus godões Já te topo há quanto tempo Te não punha a vista em cima Diz-me lá se és ou não és a Itelvina Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Sou Itelvina, sim senhor Não me digas Itelvina Que andas assim por andares clandestina Clandestina não estás bom Eu fugida nem se pense Este fato é só pra aumentar o suspense Sou cantora no conjunto E aparecemos embuçados E ficam os espectadores arrepiados Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Mas na vida é bem diferente Ando de cara descoberta Com a cabeça e com os sentidos bem alerta Já vi tantas injustiças Falam dentro de mim E o que me sai cá de dentro sai-me assim Faço música pro povo E do povo retribois Tu me inspiras sustenidos e bemóis Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Eu que também faço o mesmo Com o povo que me dá Gratuito dó, ré, mi e mais o lá Lá fiquei a noite toda numa de improvisação A regenerar o corpo e o coração Lá fiquei a noite toda numa de improvisação A regenerar o corpo e o coração Ai, eu estive quase morto no deserto E o Porto aqui tão perto Tinto no Branco. Todas as quintas-feiras, depois das 11 da noite. Brindamos juntos.

Então, à nossa.

À nossa.

Na companhia dos melhores vinhos portugueses.

Ser agricultor tem a parte bonita o contacto com a natureza, mas também que é preciso não desistir, ser resiliente.

Com histórias de vida.

E perguntei ao meu pai: "Pai, como é que se vende vinho?" E ele: "Conta a sua história."

E dicas para trazer melhor sabor quando saca a rolha. O vinho branco deve colocar-se no congelador?

Não, nem pensar.

Tinto no Branco, com Ana Sofia Fonseca.

Eu acho que hoje temos vinhos ao nível do melhor que se faz no mundo.

E sempre em podcast.

Este podcast tem o apoio de Crédito Agrícola.

Atenção, está vermelho! Então e o novo projeto, avança?

Se avançar, a empresa vai precisar de um apoio bastante próximo.

Não te preocupes, sei quem te vai ajudar. Podes ir, já tens luz verde.

No Crédito Agrícola, damos luz verde às nossas empresas e fazemos da proximidade um fator diferenciador. Estamos perto de quem leva longe os seus negócios. Crédito Agrícola, o banco nacional com pronúncia local. Saiba mais no site ou numa agência CA. Sujeito à decisão de risco de crédito. Caixa Central de Crédito Agrícola Mútuo, CRL registada junto ao Banco de Portugal sob o número 9000.

3h30 da tarde . A cada meia hora atualizamos toda a informação na Rádio Observador. Temos síntese de notícias com o jornalista Vasco Maldonado Correia. Boa tarde, Vasco.

Boa tarde. 21 pessoas ficaram feridas na sequência de um incêndio num prédio no Cacém, que obrigou à retirada de várias pessoas das próprias habitações. Notícia que está a ser avançada pela TVI e também pela RTP. O alerta foi dado por volta de 12h30. O comandante dos Bombeiros do Cacém refere que quando as equipes se dirigiram ao local, o incêndio estava a chegar ao segundo piso do prédio. Devido à inalação de fumos, várias crianças foram assistidas no local. 12 pessoas tiveram de ser retiradas de casa, 21 ficaram feridas. Até o momento, ainda não foi possível apurar a origem do incêndio. O CHEGA critica o pacote de apoio às populações afetadas pelos incêndios promovido pelo governo. Fala em medidas insuficientes, é o que diz o deputado Jorge Galveias, que, ainda assim, mostra disponibilidade para debater medidas que contribuam para o pacto, para a gestão florestal e proteção do território, que foi proposto ontem pelo primeiro-ministro. Para já, na avaliação do CHEGA, as medidas que estão em cima da mesa é negativa. Jorge Galveias reitera o pedido de demissão da ministra da Administração Interna. Com o combate aos incêndios ainda a decorrer, o governo decheu manter o estado de prontidão até o mês de outubro. Uma notícia avançada pelo secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, em declarações à comunicação social em Ponte da Barca, região onde está de visita e onde esteve reunido com o presidente da autarquia e também com várias associações de bombeiros voluntários do concelho. Olhamos ainda para o desporto. Como boa notícia, Portugal é campeão do mundo de canoagem em K4 500 metros, medalha de ouro alcançada há cerca de 1h30 pelo quarteto Gustavo Gonçalves, João Ribeiro, Messias Batista e Pedro Casinha. Os canoístas portugueses partiram da pista seis, concluíram a prova em pouco mais de 1min18s, ficaram à frente das equipes da Hungria e de Espanha. Olhamos ainda para o futebol. O Benfica recebe amanhã o Tondela. Bruno Lage sublinha que, para já, o foco dos encarnados é garantir resultados. A jogar bem ou a jogar mal, diz o técnico encarnado que o importante é vencer, é a resposta às críticas, às exibições recentes dos encarnados. Do outro lado, o técnico Ivo Vieira garante que o Tondela vai ser fiel à própria identidade no Estádio da Luz. Espera um jogo complicado, uma partida que começa às 20h30 e tem relato aqui na Rádio Observador já amanhã.

E é com desporto que fechamos esta síntese das 15h30, pela voz do jornalista Vasco Maldonado Correia, ele que está de regresso às 16h para um jornal onde vai desenvolver todas estas notícias. Até já, Vasco.

Até já.

3h34min, tarde de sexta-feira, já a cheirar a fim de semana, a companhia é a melhor. Eu sou a Maria Ribeiro Nunes, está com a sua Rádio Observador, numa altura em que vamos recordar a edição do passado domingo de português suave. Afinal, qual é o plural de João? Vamos descobrir nesta nova edição.

Com o querido mês de agosto já a meio, mas nós continuamos por aqui. Marco Neves, olá. Tenho que ligar o microfone, convém. A ti e ao Zé.

Seja bem-vindo.

Tenho esta dificuldade, desculpem.

Estávamos aqui a ser ...

É a minha primeira vez. Estou orando.

Estávamos aqui a ser interrompidos.

Desculpem.

Interrompidos, não, não nos estavam a deixar falar sobre tudo.

Haja liberdade de expressão para todos.

Exatamente. Em agosto, principalmente. Não, em todos os meses. Enfim, já estamos a delirar. É o calor.

Mesmo. Hoje temos limite, mas não temos aquele limite de 10 minutos e vamos fazer um episódio dedicado só às dúvidas dos nossos ouvintes.

É um episódio especial, porque é um episódio de domingo, mas sobre dúvidas, e durante estas duas semanas não temos o episódio de quarta-feira.

Exatamente.

Porque férias.

Porque férias.

Vimos assim, fazes questão de alimentar, de resolver dúvidas e queres deixar mais alguma intenção ou podemos desde já avançar rumo às dúvidas?

Vamos a isto.

Vamos começar por escutar, não é?

Uhum. Vamos ouvir um áudio que nos chegou através do WhatsApp. A mensagem é do António Brites.

Cumprimentar os presentes, em primeiro lugar. Dizer que acompanho o professor Marco Neves com muito interesse, há bastante tempo, nas várias plataformas em que o posso ouvir Perguntar ao professor: o que acha desta mania que agora se instalou, esta verdadeira praga de começar as frases pelo infinito do verbo, como aqui acabei de parodiar com estas três frases. Um abraço, chamo-me António Britos.

Um abraço pro António.

Um abraço. Há que dizer que foi uma forma muito curiosa e inteligente de fazer a pergunta.

Sim, foi ótimo.

E também te devo dizer uma coisa. Eu tenho a sensação, nunca foi investigada a fundo, porque já falamos desta questão aqui há uns tempos, salvo erro. Por acaso, não me lembro se foi mesmo a gravar ou se foi só enquanto conversa pessoal.

Enquanto amigos.

Enquanto amigos, exato. Mas a verdade é que eu tenho a sensação, sem nunca ter ido investigar, porque nós temos sempre muito a ideia de que as coisas são mais recentes do que são. Que os fenômenos linguísticos são mais recentes e depois quando vamos cavar, muitas vezes já vêm de não sei quantas décadas. Mas eu tenho ideia que este é, de facto, recente, terá uns cinco, 10 anos. E como é que isto se investiga? É ir ouvindo gravações dos vários canais.

Até aqui na rádio, isto já me aconteceu.

Todas as gravações que as rádios e as televisões têm são ótimos material para os linguistas, que usam, de facto, mas eu não estou a fazer essa investigação em particular. Mas a minha sensação pessoal é que é algo muito recente. Parece-me ser a elisão do "quero": quero perguntar, quero dizer, quero fazer. Agora, temo, eu confesso que enquanto ouvinte não gosto muito do fenômeno, mas todos nós temos estas quando são coisas novas. Mas temo que a coisa está a ficar mesmo cristalizada nos hábitos da língua, porque eu ouvi a mensagem e já não tenho nada. Já só quando cheguei ao final e ouvi a pergunta é que eu percebi que havia ali qualquer coisa de estranho.

Exato, foste ludibriado.

O que na perspectiva de quem não gosta do fenômeno, é mau sinal.

Exato.

Quer dizer que o fenômeno está a cristalizar-se. O que eu posso dizer é que todos nós, e como sabem, quem me ouve, tem uma perspectiva mais descritiva do que prescritiva da língua. Mas todos nós também temos os nossos gostos e desgostos e, neste caso, eu gostava que não se implementasse isto como parte da gramática da língua, mas não sei se ainda vamos a tempo, precisamente pela naturalidade com que ouvimos uma coisa destas. É o que eu consigo dizer. E gostava de mandar um abraço.

Pro António Britos. Muito bem. Entretanto, vamos avançar. Zé, temos mais uma dúvida. Eu acho que se pronuncia assim: Alexander Fernandes. Pelo menos, estou a confiar.

Temos a nossa dúvida, o nosso ouvinte, como é que se pronuncia o nome. E a dúvida é sobre o nome João.

É, é sobre o meu nome.

És tu que tens que responder.

Eu não sei. Eu gostava de ter resposta.

Queres ler a dúvida?

Exato. Eu gosto muito destas dúvidas quando começam assim: "Criei uma discussão no trabalho por causa de dois colegas que se chamam João", porque é sinal que, por vezes, isto surge em qualquer lado, seja numa conversa de café, seja no trabalho.

Depois lembram-se de nós, o que é bom.

Exato. Basicamente, com dois colegas que se chamam João, e a brincar, claro, quando quero chamar os dois, chamo-os de Joãos, ao que sou sempre corrigido com Joões. No entanto, pesquisamos na internet e parece que ainda existe a hipótese de Joães. Esta nunca tinha ouvido. Ou seja, Marco, eles estão aqui a perguntar qual é o verdadeiro plural de João e também Sebastião. Ou será que por ser nome próprio, não tem plural?

É assim.

É um bom question.

Antes de dizer alguma coisa, eu gostava de agradecer que as pessoas estejam a discutir sobre estas coisas, depois que se lembrem de nos enviar a pergunta, isso é bom sinal. Eu também gostava de dizer que recebo muitas perguntas, às vezes, pelas redes sociais e que não consigo responder a todas. E algumas delas têm uma característica curiosa e tendo que responder a essas, que é: "Estou aqui com a minha namorada, com meu namorado, e lembrei-me da..." E eu fico sempre a pensar: bem. É curioso.

Duas motivos de conversa entre relações.

Presumo que nas primeiras semanas de namoro as pessoas não pensem nessas coisas, mas mais lá pra frente as pessoas já discutem temas diferentes, como língua portuguesa. Bem, quanto a isto, os Joãos, Joões e Joães são os três plurais que o português permite fazer quando no singular temos ão. Isto é uma característica da nossa língua e normalmente depende da origem da palavra. Dependia da terminação em latim, digamos assim. Agora, Ioannes, que é da origem de João, levar-nos-ia a dizer que o plural é Joães.

Primeira forma: pão, pães.

Exatamente.

Joães.

Só que, a verdade é que, como é um nome próprio, nós quase nunca fazemos o plural. Portanto, esta ligação à origem da palavra quebra-se no que toca ao plural. O plural é tão raro que nós caímos rapidamente naquele que é o plural, digamos, mais normal, que é o "ões". Portanto, se nós criássemos agora uma palavra acabada em ão, sei lá, conseguem inventar aí uma palavra acabada em ão?

Não sei.

Uma palavra qualquer acabada em ão, nova, que não exista.

Ah, nova. Tijolão.

Tijolão. Como é que seria o plural?

Tijolões.

Pois. Ou seja, o que eu quero dizer é: na nossa cabeça, não havendo exceção, nós pomos "ões" como plural. Os outros plurais deste tipo de ditongo só aparecem porque na origem tínhamos ali uma origem diferente e nós mantivemos essa tradição. Como nós não fazemos quase nunca o plural dos nomes próprios, digamos que quando fazemos, vamos cair sempre no "ões". Portanto, eu pessoalmente diria Joões, sempre.

Exato, eu acho que é o mais...

Mas se quisermos ser muito picuinhas com a origem da palavra, é o Joães.

Joães. Ah, não.

E se não quiser dizer Joãos.

Sim, imagina, ninguém está a dizer que estamos aqui...

É assim, o português tem estes três plurais: anciãos, anciães, anciões. Nesse caso, temos os três. Há casos em que só temos dois, há casos em que só temos um. No caso do João, o João é que manda.

Pronto, fica aqui a dúvida do senhor Fernandes para ver se ele vai continuar