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Está no ar mais um episódio de Guerra Traduzida aqui na Rádio Observador. Vamos olhar para a imprensa dos dois lados do conflito. Vamos começar hoje pela Ucrânia. É um trabalho do jornalista Rui Casanova. Olá, boa tarde, Rui.
Boa tarde.
Contaste com a preciosa e estreita colaboração da Tânia Olinik. Rui, é um tema incontornável na imprensa de hoje. Kiev voltou a acordar ao som de explosões. Pelo menos duas pessoas morreram num dos maiores ataques nos últimos meses à capital.
O gabinete do presidente da Ucrânia afirma que o ataque desta madrugada a Kiev é um ato de terrorismo pensado e premeditado e que visou de forma deliberada a população civil. As autoridades falam mesmo no maior ataque à capital ucraniana desde, pelo menos, a primavera. Um ataque que, como dizias, Miguel, fez pelo menos dois mortos e também um ferido que foi levado para o hospital. É o balanço atual divulgado pelas autoridades ucranianas. Durante a madrugada, estes ataques russos foram levados a cabo com recurso a mísseis e drones. Destroços de mísseis caíram sobre vários edifícios em Kiev. Tal provocou incêndios que às primeiras horas da manhã ainda estavam a ser combatidos pelas autoridades.
Mas Rui, não foi só em Kiev, não é? A Rússia atacou também Donetsk nas últimas horas.
Sim, e aqui duas pessoas morreram e sete ficaram feridas. É o que indicam as autoridades de Donetsk, citadas pelo jornal Pravda. Falam as autoridades ucranianas em ataques a várias zonas residenciais que fizeram dois mortos e sete feridos. O jornal Pravda divulga fotografias dos edifícios atingidos, completamente destruídos e em chamas. Há até uma foto de uma das vítimas mortais caída no chão. Está naturalmente desfocada e o jornal Pravda divulga estas imagens.
Os ataques não ficam por aqui. Também Odessa foi um alvo na última noite.
Vários ataques das tropas russas à Ucrânia nas últimas horas com mísseis de cruzeiro. As tropas russas atacaram Odessa, no sul da Ucrânia. É uma notícia em destaque no jornal Pravda. Foram ouvidas explosões e foram também acionados os alarmes que alertam para possíveis ataques aéreos. Não há, para já, informação sobre vítimas ou danos. É uma notícia em destaque no jornal Pravda.
Apesar destes vários ataques, as autoridades ucranianas afirmam que a contraofensiva está a avançar bem.
Sim, e aqui é interessante, passo a citar o título de um artigo do canal ucraniano TCN: "A contraofensiva bem-sucedida das Forças Armadas está a todo vapor. Eis todos os detalhes das últimas conquistas mais importantes da Ucrânia na linha de frente". Ou seja, o canal TCN faz aqui um resumo do que tem acontecido nos últimos dias no terreno e conclui que a contraofensiva está a avançar bem, está a decorrer com sucesso. Ora, o canal TCN faz aqui um resumo, destaca a libertação da aldeia de Robotyne, que falámos aqui na Guerra Traduzida esta semana. Fala também em sucessos na região de Zaporizhzhia, fala no aproximar das Forças Armadas da Ucrânia da segunda linha de defesa dos russos em várias regiões do país e destaca também que os militares hastearam pela primeira vez a bandeira da Ucrânia na região de Kherson e que há avanços positivos na região de Bakhmut. São dados em destaque no canal TCN, num longo artigo que tem pormenores sobre todos estes pontos que eu aqui enumerei. São informações do TCN com base em dados do exército ucraniano.
E Rui, aqui em Portugal, mas também na Ucrânia, o novo ano letivo está aí à porta para os alunos ucranianos. Vai ser um regresso às aulas atípico.
Sim, mais um ano muito atípico por causa deste contexto de guerra. O jornal Pravda falou com alunos de um liceu em Mykolaiv, portanto, alunos do 10º, 11º e 12º anos. Estes alunos têm tido aulas online, mas dizem que não é a mesma coisa, para além dos constrangimentos de serem aulas online com computador. Sabemos por causa da pandemia todos os problemas que isso causa. Há também problemas de um país em guerra, como por exemplo, falhas constantes na eletricidade, na internet, etc. Por isso, estes alunos querem voltar à escola, mas para isso, esta escola, este liceu de Mykolaiv, precisa de um abrigo antibomba e por isso o jornal Pravda está a angariar fundos para a construção deste abrigo. Quem quiser pode ir a este artigo e encontrar lá as informações necessárias para fazer um donativo. Ora, o jornal Pravda falou com uma das alunas desta escola, chama-se Valéria, é aluna do 11º ano e diz que infelizmente, sem este abrigo, os alunos não podem regressar às aulas. Diz que mal pode esperar para que esse abrigo seja construído para poder regressar à escola e ter aulas como deve ser, aulas presenciais e reencontrar os amigos. Diz, no entanto, que quer estudar sem ter medo, e estou aqui a citar, de que a qualquer momento os terroristas russos possam atingir a sua escola e que ela e os colegas não possam fugir aos perigos destes ataques, mas com o abrigo antibomba, isso vai ser possível e por isso fica aqui o apelo de Valéria para que quem puder possa fazer um donativo para que estes alunos possam regressar à escola em segurança.
E é com este apelo que nos faz apertar o coração que pomos um ponto final neste episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir vamos traduzir a imprensa do lado russo.