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Guerra traduzida. Vamos olhar para a imprensa da Ucrânia nesta terça-feira, dia 10 de maio. Contamos com a ajuda da Tânia Olinyk. Tânia, bem-vinda. Hoje começamos com o apoio dos Estados Unidos à Ucrânia. Foi confirmado ontem já o final do dia e é uma informação que está em destaque pela imprensa ucraniana.
O chefe do Pentágono, Lloyd Austin, anunciou no seu Twitter que conversou por telefone com o Ministro da Defesa ucraniano, Oleksii Reznikov. Austin escreveu que: "Discuti com meu colega Oleksii Reznikov sobre as necessidades dos militares ucranianos. Reafirmei o nosso forte apoio a fornecer à Ucrânia as oportunidades necessárias para combater a agressão russa". Além disso, ontem, quando a Rússia comemorou o Dia da Vitória, o presidente dos Estados Unidos da América, Joe Biden, assinou uma lei sobre o arrendamento de terras pra Ucrânia, que inclui aumentar o fornecimento de armas e acelerar esse fornecimento para a Ucrânia. O título completo do projeto de lei é a Lei do Empréstimo e Arrendamento de Defesa de Democracia da Ucrânia de 2022. Isto foi aprovado a 7 de abril, em que o Estado dos Estados Unidos aprovou por unanimidade um projeto de lei para restaurar o programa da Segunda Guerra Mundial Lend-Lease. Mais tarde, a 28 de abril, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou a lei sobre arrendamento de terras pra Ucrânia, onde os senadores explicaram que apoiam esta decisão, pois os defensores ucranianos provaram que podem combater as tropas russas e mostrar um verdadeiro heroísmo na luta contra esse inimigo.
Sim, o que temos aqui é mais apoio, dinheiro e armamento para a Ucrânia conseguir combater a Rússia. E a Ucrânia já reagiu para explicar a importância deste apoio, dizendo que com este apoio começa a tornar-se realmente possível vencer frente aos russos.
De acordo com Oleksandr Musienko, o chefe do Centro de Pesquisa Jurídico-Militar, esta lei tem quatro vantagens principais pra Ucrânia, nomeadamente a redução do prazo da assistência militar, ampliar a assistência prestada pelos Estados Unidos, a assistência à Ucrânia tornar-se uma prioridade nas esferas de defesa e segurança dos Estados Unidos e, no futuro, a Ucrânia poderá receber todas as armas que solicitar. De acordo com muitos especialistas, a introdução de um programa de arrendamento de terras pode simplificar muito a burocracia na prestação de assistência dos Estados Unidos à Ucrânia, como é o caso atual, pois atualmente, qualquer processo de fornecimento de armas passa por vários funcionários americanos, o que acaba por atrasar bastante todo o processo.
Vamos ver como é que corre este avanço de apoio dos Estados Unidos à Ucrânia e a importância que pode ter neste conflito e na resolução deste conflito. Entretanto, avançando pela imprensa, vamos olhar um pouco para Mariupol, porque há várias notícias hoje sobre esta zona. Começamos pela propaganda russa que começa a circular em Mariupol.
O conselheiro do presidente da Câmara de Mariupol, Petro Andriushchenko, escreveu no seu Telegram que os ocupantes hoje, a 10 de maio, divulgaram a primeira edição da lista de batalha, um jornal pertencente ao escritório editorial Priazovske Rabochy. Hoje, a primeira edição do folheto de ocupação foi partilhada pela população. Petro comentou acerca disso, afirmando: "Assim, pelo menos haverá algo para acender a fogueira na rua para podermos cozinhar".
É um folhetim de propaganda que começa a ser distribuído pelos russos em Mariupol. Mas há mais. Há hoje uma notícia na TCN que dá conta de professores russos e outros funcionários, como funcionários de bancos, de instituições bancárias, que estão a viajar da Rússia para Mariupol com o objetivo de ocupar esses cargos, ou seja, perante aquilo que é a recusa de funcionários ucranianos em colaborar com os russos, a Rússia está a enviar esses funcionários para Mariupol para ocuparem essas posições.
A diretoria principal dos Serviços de Segurança da Ucrânia relatou sobre a situação dos chefes de instituições de educação pré-escolar em Donetsk receberem ordens de selecionar pessoal pra ser transferido para Mariupol e locais próximos como Mangush, Nikosk e Yalta. A administração russa de ocupação explica isso pela necessidade de organizar o trabalho no terreno. O pessoal das instituições bancárias também é selecionado para realocação. Isto às vezes também falha um bocadinho. E é esperado que a gestão do setor financeiro local fique totalmente sob o controle dos ocupantes. Os serviços de segurança da Ucrânia afirmaram que tal deslocalização é devida à desconfiança das administrações dos ocupantes da população local. Também é devido ao fato de existir uma saída em massa de pessoas para o território controlado pela Ucrânia e a recusa de alguns funcionários em cooperar com as autoridades de ocupação. As pessoas que estão a preparar para serem recolocadas opõem-se fortemente a essa decisão e alguns até estão a ameaçar de renúncia se a ordem não for revocada.
Sim, é pra já essa notícia de funcionários russos a serem colocados em Mariupol para ocupar diferentes cargos que estão a ficar vagos na cidade, como de professores e de funcionários do setor financeiro. Avançando, temos hoje uma campanha a decorrer na Ucrânia. Pede um movimento que entre para o dicionário de Oxford o termo rashismo. Estamos a falar de um termo que significa novo fascismo ou fascismo praticado por russos, que os ucranianos querem que entre no dicionário.
Para fazer isso, eles já lançaram uma campanha de informação chamada Brand New Fascism e qualquer pessoa pode participar usando os hashtags Brand New Fascism ou Rashcism. A iniciativa de incluir a palavra rashcism nos dicionários pertence a um grupo de criativos e comunicadores de Kiev. E esta palavra já tinha começado a ser utilizada em 2014, no entanto, tornou-se mais partilhada agora com a invasão em grande escala. Os ativistas dizem que nós, ucranianos, propomos incluir a palavra rashcism nos dicionários oficiais de inglês, principal idioma de comunicação internacional, para descrever a ideologia e o poder do regime russo que iniciou a guerra e cometeu crimes de guerra na Ucrânia. O maior orgulho, como todos nós sabemos, da Rússia é a sua vitória sobre o fascismo e o nazismo na Segunda Guerra Mundial, e o seu status vitorioso é a base da sua autolegitimidação e autorrespeito pelo governo russo, mas hoje mostra que a Rússia do século XXI, de acordo com a sua ideologia e métodos de guerra, é uma reencarnação do fascismo que renasceu com o rashcismo. Os ativistas também apelaram aos estudantes e jornalistas para tornar o termo ainda mais repartilhado.
Vamos ver o que acontece com essa intenção, colocar a palavra rashcismo no dicionário de Oxford. Pra fechar Tânia, hoje temos desporto. Fechamos com o novo equipamento da seleção da Ucrânia, que vai fazer uma série de amigáveis nos próximos dias.
O novo conjunto de equipamento azul e amarelo está associado à guerra que a Rússia iniciou contra a Ucrânia e a parte da frente das camisolas mostra um mapa da Ucrânia e os seus contornos são feitos pelas bandeiras dos países que ajudam a combater o agressor.
Inclui aqui Portugal, dá pra ver aqui do lado esquerdo da camisola.
E dentro do mapa está a inscrição "Unidos pela Ucrânia". Nas costas das camisolas, os números dos jogadores de futebol são feitos a partir de nomes das cidades-heróis da Ucrânia que mais sofreram com a agressão dos ocupantes.
Sim, olhando aqui para as costas da camisola, temos esses números, pode-se ler o nome de várias cidades, Irpin, Mykolaiv, Kiev, vários nomes de cidades, Bucha também, que estão nos números, ou seja, são os números de cidades que acabam por fazer esses números dos equipamentos.
A camisola é completada pelo logotipo U24, uma plataforma projetada para unir os parceiros da Ucrânia para ajudar a reconstruí-la. O presidente da UAF, é assim que se diz, Miguel?
Sim, Federação da Ucrânia. Federação de Futebol da Ucrânia.
O Andriy Pavlenko disse na sua página do Facebook que a UAF, a seleção nacional, apoia a iniciativa do projeto da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, e que os fundos arrecadados para esses jogos, bem como a venda das camisolas, serão transferidos para o programa United 24.
E esta camisola vai ser estreada já amanhã, dia 11 de maio, num jogo frente ao Borussia Mönchengladbach, na Alemanha. Vai ser no Borussia Parkstadion às 9:45, hora da Ucrânia, 19:45 em Portugal, num jogo da seleção da Ucrânia, um jogo amigável frente ao Borussia Mönchengladbach. É assim que terminamos a "Guerra Traduzida" de hoje, com olhar pra imprensa da Ucrânia, com a ajuda da Tânia Olinek.