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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos nos próximos minutos analisar a imprensa da Rússia e da Ucrânia neste dia 28 de dezembro, dia 673 da invasão. Hoje começamos com os jornais da Rússia, é um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, com a colaboração de Larissa Tovmazian. Bem-vindo, João. Em destaque o ministro russo dos Negócios Estrangeiros que diz que o Ocidente falhou completamente ao tentar uma derrota estratégica da Rússia.

Foi numa entrevista à agência estatal TASS que Sergei Lavrov aproveitou ainda para acusar a Ucrânia de não querer a paz e em jeito de balanço do ano que está quase a passar, o chefe da diplomacia russa acusou o regime de Volodymyr Zelensky de agir dentro da retórica de guerra sem querer chegar à tão esperada paz. Os representantes da Ucrânia estão a pensar em termos de guerra, recorrendo a uma retórica bastante agressiva, é o que relata a agência estatal russa Sergei Lavrov. Apesar de Moscovo ter invadido a Ucrânia, Lavrov culpa Kiev de forma repetida e acusa Zelensky de ter banido as negociações com o Kremlin em setembro do ano passado e de não as querer retomar.

João, a imprensa russa também já está a lançar o próximo ano, o ano que vem. É nessa tentativa de prever o que 2024 vai trazer que há quem espere uma guerra generalizada entre Ocidente e também o Leste.

É pelo menos essa a leitura de algumas das personalidades a quem o Komsomolskaya Pravda lançou o desafio. O jornal que é tido como o preferido de Vladimir Putin entrevistou académicos ligados à área da ciência política e das relações internacionais e há a opinião generalizada que o próximo ano vai trazer o intensificar de uma guerra mais abrangente e não apenas circunscrita à Ucrânia. Defendem ainda que também está a crescer a tensão entre Estados Unidos e China devido ao Taiwan. Lembram a guerra entre Israel e Palestinianos e que o KP não particularizou a Hamas. Os especialistas acusam também a administração Biden de algumas contradições. Já asseguram que está a ganhar forma essa tal batalha global entre Ocidente e Leste e acusam mesmo os países do Ocidente de terem decidido enveredar por esse caminho em 2024, ou seja, guerra contra, e estou a citar, aqueles que ameaçam a posição do rei da colina, king of the hill.

Em destaque na imprensa russa, João, também um antigo vice-ministro ucraniano que diz que Vladimir Putin queria muito a paz.

Notícia da agência RBC. A frase é de Aleksandr Chaly, o antigo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, que fez parte da delegação que foi até Istambul para tentar negociar a paz com a Rússia na primavera do ano passado. De acordo com Chaly, já havia um acordo e também já havia nome para o acordo, seria comunicado de Istambul, estou aqui a socorrer-me de uma tradução livre. O texto até seria muito diferente do que originalmente pedia a Rússia, mas por alguma razão não foi pra frente. O antigo governante ucraniano acredita que foi o próprio líder do Kremlin, Vladimir Putin, que empurrou as negociações de paz para bom porto, mas em lado nenhum desta notícia da RBC está uma causa para que as conversações não tenham dado fumo branco, à parte dessa tal frase. Por alguma razão, não chegou a acordo.

João, fechamos com a imprensa livre de Moscovo e aqui destaca a explosão de um navio com a bandeira do Panamá. Isto por causa de uma mina russa.

É uma notícia confirmada pelas Forças de Defesa do Sul da Ucrânia, replicadas também pelo jornal independente Medusa. Aconteceu no Mar Negro. O navio encaminhava-se para um dos portos do rio Danúbio para carregar cereais ucranianos e terá embatido contra uma mina russa. Depois do impacto, a embarcação começou a arder. Dois tripulantes ficaram feridos. Um foi assistido no local, o outro foi transportado pro hospital, mas está nesta altura estável.

É o fecho deste episódio de "Guerra Traduzida" e João, já a seguir olhamos para a imprensa da Ucrânia.