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Guerra traduzida na Rádio Observador é o programa em que falamos dos temas que estão em destaque nos jornais russos e nos jornais ucranianos. Conosco está a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.

Olá, João.

Começas hoje pela imprensa russa e com os avanços das tropas de Moscovo no campo de batalha, o Kremlin reivindica a ocupação de uma cidade na região de Sumy, isto na fronteira norte com a Ucrânia.

O Ministério Russo da Defesa, citado pela Ria Novosti, adianta que se trata da localidade de Zhuravka, que foi alvo de várias operações ofensivas por unidades do grupo militar norte. De acordo com o Kremlin, os combatentes do Sever derrotaram ainda seis brigadas ucranianas na área de Gornale e Olesnia, na região de Kursk. Falamos de 420 militares. Foram ainda atingidos equipamentos das Forças Armadas Ucranianas, é pelo menos o que adianta a Rússia esta tarde.

Isto acontece, Diana, no mesmo dia em que as delegações dos Estados Unidos da América e da Rússia estão novamente reunidas, desta vez na Turquia.

As conversas decorrem no Consulado-Geral da Rússia, sim, em Istambul. A delegação russa foi a primeira a chegar. Os dois lados estão a debater o restabelecimento de actividades das respectivas embaixadas, que foram reduzidas depois da invasão da Ucrânia por Moscovo há mais de três anos. De acordo com os norte-americanos, em cima da mesa neste encontro, não vão estar questões políticas nem de segurança, assim como também não se vai falar da guerra na Ucrânia, o que adianta o porta-voz do Kremlin. A reunião teve início às 10h, hora local. Duas horas depois, Moscovo dizia que grande parte dos tópicos já tinha sido discutida.

O Parlamento russo, Diana, ameaça o Ocidente, diz que vai haver consequências sérias caso sejam usados mais ativos russos e deixa acusações de roubo.

A alta representante da diplomacia europeia tinha revelado que o bloco comunitário está a discutir a utilização de ativos russos congelados na sequência das sanções aplicadas. Ora o vice-presidente dos assuntos internacionais da Duma, o Parlamento russo, acredita que alguns países europeus podem baixar a cabeça porque têm medo da Rússia. Diz Alexei Chepa que Moscovo tem a capacidade de se vingar de forma séria do Ocidente por alegada tentativa de roubo do dinheiro russo. É uma notícia do Izvestia. Vamos ouvir aqui o representante russo.

Isto é um roubo. É roubo e há muitos países que entendem perfeitamente que essas ações podem levar a um desastre. E nós temos aqui uma oportunidade de lhes responder de forma séria. Há países menos interessados em arranjar problemas, como os bálticos. Esses têm medo, são os que mais gritam. Há países que hoje querem voltar pra Rússia, assim como muitas empresas. Nesse sentido, estamos muito atentos à possibilidade de retorno de empresas estrangeiras. Nem todos os países apoiam a política de roubo da União Europeia.

Para Alexei Chepa, a União Europeia tentou, ao longo de muitos anos, implementar os princípios que defende, levando o mundo ao colapso.

A Rússia nega estar a arrastar a China para o conflito ucraniano.

O Kremlin contraria o presidente ucraniano, que garantiu que foram capturados soldados chineses a combater nas fileiras russas. Falamos de quase 160 militares. Dmitri Peskov diz que Zelenskyy está errado. O porta-voz da presidência russa também descreve Pequim como um parceiro amigo e camarada de Moscovo, mas diz que não, não é verdade. Garante que a China sempre manteve uma posição equilibrada relativamente a este conflito. Portanto, o presidente ucraniano não tem razão. Peskov nega que Moscovo queira envolver Pequim no conflito a todo o custo.

Já do lado da China, Diana, pede-se que se evitem comentários irresponsáveis sobre o papel que o país pode estar a ter neste conflito.

O governo chinês apela a uma compreensão correta e clara do papel que desempenha na guerra na Ucrânia e pede a Kiev que evite certas afirmações sobre um alegado envolvimento de chineses no conflito. O porta-voz do Ministério Chinês dos Negócios Estrangeiros diz que Pequim não é nem o criador da crise na Ucrânia, nem parte do conflito, e garante que a China tem sido um forte defensor e promotor ativo de uma resolução pacífica da guerra. Acrescenta ainda que o governo chinês sempre exigiu que o seu povo se mantivesse afastado das zonas de conflito armado e se abstenha de participar em operações militares de qualquer um dos lados.

Voltamos já a seguir para saber o que diz a imprensa ucraniana.