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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa russa, com a edição da Diana Rosa. O Kremlin insiste que a NATO prepara-se para um confronto com a Rússia, já que Kiev está a planear uma trégua. É o entendimento de Moscovo.
É o que afirma a porta-voz do Ministério Russo dos Negócios Estrangeiros. Maria Zakharova diz que o relatório da NATO volta a apontar a Rússia como a ameaça mais significativa à segurança, à paz e à estabilidade na região euro-atlântica. O número e a escala dos exercícios da NATO estão a aumentar. Mais de 120 manobras foram realizadas no ano passado e mais de 700 treinos foram realizados por cada Estado-membro de forma individual, é o que adianta Zakharova. Para o Kremlin, mais uma vez, estão a ser tiradas conclusões injustificadas, sem fundamento e, sobretudo, sem qualquer base em procedimentos democráticos de obtenção de informação.
Quanto à Ucrânia, Maria Zakharova diz também que Zelensky quer reagrupar as forças militares.
As declarações de Zelensky sobre uma trégua na Páscoa são típicas dele, diz Zakharova, citada pela agência TASS. Afirma que é a estratégia preferida de Zelensky e mais uma jogada de relações públicas, que é o quê? É reagrupar forças para continuar as hostilidades. E o Kremlin afirma que o presidente ucraniano precisa disso, não porque queira uma paz duradoura, mas como mais um passo, seguindo o conselho dos aliados europeus e da Europa Ocidental, para conseguir uma trégua de um ou dois meses, por forma a compensar as perdas no terreno. Se Zelensky estivesse realmente interessado em pôr um fim ao conflito, diz Maria Zakharova, ele demonstraria vontade política, revogando as leis que diz discriminatórias contra russos e residentes ucranianos de língua russa, confirmando a seriedade das suas intenções de ajudar a resolver esta crise. No entanto, diz o Kremlin, não é isso que se vê, veem-se coisas diferentes e ouvem-se coisas diferentes. Zelensky e o seu regime, para salvar a própria pele, vão atacar qualquer país para apaziguar os aliados. Além disso, como ele próprio diz, não se refere ao seu país, nem ao seu povo, nem mesmo aos seus colegas. Só se salvará a si mesmo, apenas a própria pele interessa. Isto estou, obviamente, a citar as declarações de Maria Zakharova, que é porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Kremlin.
Também reações norte-americanas. Os Estados Unidos suspenderam as sanções contra três navios de carga russos que estão ligados a exportações da Ucrânia ocupada.
Os Estados Unidos suspenderam essas sanções contra três navios, que incluem dois porta-contentores operados pela Fesco, é o que confirma o gabinete do controle de ativos estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Os navios Fesco Magadan, Fesco Moneron e o navio de carga SV Nikolai, já vamos falar dele também mais à frente, foram designados em 2022, devido a ligações com empresas de leasing russas associadas a bancos sancionados. Há relatos de que possuem ligações com o financiamento da defesa russa, mas também com membros do governo e com a exportação de recursos extraídos da Ucrânia. A OFAC afirmou que os dois navios porta-contentores foram sancionados por serem propriedade da PSB Leasing, uma subsidiária de um importante financiador da indústria de defesa da Rússia. Investigações anteriores da Reuters e da PBS revelaram que o navio de que falava há pouco, o SV Nikolai, foi utilizado pela Rússia para transportar grãos ucranianos do porto anexado de Sebastopol para a Turquia.
Rússia que diz estar a avançar no terreno e afirma ter assumido o controle total de Luhansk, na Ucrânia.
Outra vez, Ricardo, é o que garante o Ministério da Defesa da Rússia. Já não é a primeira, é a terceira vez que a Rússia faz esta afirmação desde o início da invasão. Descreve a suposta tomada de poder como uma libertação. É, de resto, sempre assim que os russos descrevem essa ocupação a terras de outro país, terras ucranianas. Os militares dizem que as unidades do grupo de forças ocidentais tomaram posse de todo o território. Os analistas militares independentes, diz o Moscow Times, afirmam que as forças russas ocupam quase toda a área de 26700 km² da região de Luhansk desde o verão de 2022, portanto, quase há quatro anos. O anúncio do Ministério da Defesa acontece numa altura em que há relatos de que as forças russas estão a preparar-se para uma nova ofensiva na Ucrânia neste verão. Tem sido, de resto, uma regra todos os anos que haja esta desconfiança e, de facto, efetivou-se em anos anteriores, que são novas ofensivas e grandes ofensivas no verão, enquanto as autoridades em Moscovo podem estar a entrincheirar-se para mais um ou dois anos de guerra, apesar das tentativas dos Estados Unidos de intermediar um acordo de paz.
Fica por aqui este episódio da "Guerra Traduzida". Como sempre, estamos de regresso já amanhã.