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Está no ar a Guerra Traduzida da Rádio Observador, destaques da imprensa russa e da imprensa ucraniana. Hoje com a jornalista Diana Rosa. E vamos começar com a imprensa da Rússia, que diz que a Rússia lançou o primeiro ataque combinado de drones e mísseis em Kiev desde o verão.

A primeira vez em mais de 70 dias, numa altura em que Moscou intensifica os ataques à capital ucraniana. A informação é confirmada pelas autoridades locais, citadas pelo Moscow Times. O ataque coincidiu com novas alertas do Departamento de Estado norte-americano, que avisou que as tropas norte-coreanas começaram a combater a sério ao lado da Rússia. Esta manhã, Kiev não teve sossego. A Força Aérea da Ucrânia interceptou quatro mísseis e 37 drones em oito regiões durante a manhã. Há jornalistas da AFP que relatam explosões, viram dezenas de pessoas abrigadas numa estação de metro subterrânea no centro da cidade. Uma pessoa ficou ferida, foi apanhada por destroços de um drone. Os bombeiros tiveram de correr ao local na sequência de incêndios. Em resposta ao ataque, Zelensky reforça que a Ucrânia precisa de mais meios para se defender.

E a Rússia lançou hoje várias farpas a países europeus, algumas até o tom de ameaça. Comecemos pela Alemanha. Moscou diz que a Alemanha é um país ingrato.

É, começamos do mais suave para o mais forte. Já lá vamos. A porta-voz dos negócios estrangeiros da Rússia diz que Berlim retribuiu a Moscou com uma negra ingratidão ao enviar armas para a Ucrânia e contribuir para o aumento do nazismo. Ingratidão por quê? Maria Zakharova puxa, traz a história. Em março de 1990, foram realizadas pela primeira vez eleições livres e multipartidárias na Alemanha Oriental. Os democratas cristãos ficaram em primeiro lugar. Em agosto, foi concluído um acordo sobre a unificação da RDA e da República Federal da Alemanha e a unificação, a anexação da Alemanha Oriental, a Alemanha Ocidental, ocorreu no dia 3 de outubro. Além disso, com a participação da RDA e da Alemanha Ocidental, bem como da União Soviética, dos Estados Unidos, França e Grã-Bretanha, foi assinado o então tratado sobre o acordo final em relação à Alemanha, que determinou as condições de política externa para a unificação do país, então em 1990. Nesse sentido, diz Maria Zakharova, que os alemães deviam saber que a Rússia foi a favor e contribuiu para a unificação do povo alemão. Pagaram por isso com ingratidão, fornecendo agora armas para matar aqueles que os ajudaram a unir-se. Isto, estou a citar, obviamente, foi numa entrevista à Rádio Sputnik, em que a porta-voz da diplomacia russa lamenta que a Alemanha considere agora como aliados países como França e Reino Unido.

Das críticas à Alemanha, passamos para um alerta à Polónia.

Desta feita sobre os sistemas de defesa antiaérea. A inauguração de uma base norte-americana de defesa na Polónia é uma tentativa de conter o potencial militar da Rússia e a Polónia não se devia meter nisso. É o que diz o porta-voz do Kremlin. Dmitry Peskov falou numa conferência de imprensa esta manhã, citado pela agência TASS. O porta-voz do Kremlin acrescenta que ao longo de todo o conflito com a Ucrânia, as Forças Armadas russas têm sido muito cuidadosas com a população civil ucraniana, mas que as forças opostas não têm retribuído da mesma forma.

Passamos para os avisos aos Estados Unidos da América, ao Reino Unido, à França e à União Europeia, no geral. Moscou ameaça com uma guerra mundial se a Ucrânia for autorizada a lançar armas de longo alcance para a Rússia.

Maria Zakharova não deixa dúvidas.

"O presidente francês está a tentar convencer Joe Biden a dar permissão ao regime de Kiev para lançar ataques com mísseis Storm Shadow nas profundezas da Rússia antes da tomada de posse de Donald Trump. Quanto aos meios de comunicação social britânicos, há a esperança de que a Casa Branca dê finalmente esse consentimento. Disseram, inclusivamente, que já foi dada ordem de transferência de cerca de 10 mísseis de longo alcance para as Forças Armadas da Ucrânia e fingir que as armas são produzidas em Kiev. Isto é uma farsa sangrenta ao estilo de Zelensky e do seu gangue. Sabemos perfeitamente que sem a aprovação dos aliados seria impossível. Mas digo-vos que se os Estados Unidos, Inglaterra, França e a União Europeia continuarem a brincar com o fogo, a Rússia já tem a resposta traçada. Se o regime de Kiev receber permissão para estes ataques, vamos considerar que a NATO entra num conflito direto com a Rússia."

Um registo do Izvestia, uma resposta da Rússia que será inevitável e destrutível, que garante o Kremlin.

Só falta falar do mar Báltico. A Rússia diz que estas águas nunca vão pertencer à NATO.

Um mar que não se vai tornar num copo de água da aliança, independentemente da vontade que o Ocidente tenha. Mais uma vez, declarações da porta-voz dos negócios estrangeiros da Rússia, que hoje, como vemos, disparou em todas as frentes. A Rússia avisa que o mar Báltico será sempre um espaço comum para todos os países da região, sem exceção. Moscou vai, de resto, continuar a defender sistematicamente os interesses nacionais no mar Báltico e considera fútil e desastrosa para todos os países da região a política absolutamente imprudente dos países ocidentais em restringir qualquer cooperação com a Rússia nas esferas econômica, política, humanitária e ambiental.

Para fechar, o insólito do dia. A Rússia vai lançar uma nova marca de vodka. O nome? Trump.

Para desanuviar um bocadinho. Esta é uma notícia que está em destaque no Moscow Times. Uma empresa de tecnologia sediada em São Petersburgo entrou com o pedido de registo da marca em homenagem ao presidente eleito dos Estados Unidos. Inclui o rótulo com a silhueta de Trump a segurar num acordeão. A empresa, que trabalha com gigantes russas como a própria Gazprom, diz que independentemente da data de lançamento da vodka, o importante agora é proteger o nome de Trump para evitar que outros concorrentes façam dinheiro com o nome dele no mercado russo. Há planos para estender a marca a produtos não alcoólicos, como água mineral e isotónicos. Esta é uma firma que já usou o nome de outras figuras públicas de primeira linha para construir a marca. Por exemplo, Miguel, ainda no ano passado lançou a Putnika, Putinka, aliás, assim é que é, uma vodka em homenagem a Vladimir Putin, tornou-se rapidamente numa das mais vendidas na Rússia. Há ainda outra que se chama Volodya e Medvedi, numa alusão à dupla Putin e Medvedev, o antigo presidente russo. Apenas uma curiosidade antes de fechar. Trump não bebe, pelo menos essa é a informação que temos. Já se aventurou no mercado de vodka com a Trump Vodka em 2005, durou apenas seis anos depois do flop de vendas. No entanto, é uma bebida que ainda é vendida em Israel, na Páscoa, mas como uma bebida kosher à base de batata.

São os destaques da imprensa russa. Nesta altura, ainda é cedo, talvez para beber vodka em Portugal, na Rússia-

Na Rússia, não se sabe

...ao pequeno-almoço, já é tarde.

Exato.