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Começa agora a Guerra Traduzida, edição especial do Irão, hoje com a curadoria da jornalista Laura Figueiredo. Muito bem-vinda, Laura. Vamos começar pelo New York Times, que resume o discurso que Donald Trump fez ao país esta madrugada.

O New York Times traçou cinco pontos-chaves desta comunicação feita pelo presidente norte-americano em horário nobre nos Estados Unidos. Em primeiro lugar, Donald Trump não definiu um caminho claro para pôr fim ao conflito. Oscilou entre demonstrações de apoio a negociações de paz e promessas de escalada do conflito. Em segundo lugar, disse que esta guerra deve ser encarada em perspectiva, tendo em conta conflitos anteriores que o presidente lembra terem sido mais longos. Em terceiro, Donald Trump deu sinais de descartar uma incursão para capturar o urânio do Irão, depois de anteriormente ter já admitido essa possibilidade. Em quarto lugar, o presidente norte-americano afirmou que o estreito de Ormuz não é um problema dos Estados Unidos e reiterou as exigências para que os países que dependem do petróleo do Golfo Pérsico tomem a iniciativa de pressionar o Irão a reabrir o estreito. Por último, Donald Trump vangloriou-se da operação na Venezuela, que vê como um modelo para o Irão.

Irão que promete, Laura, ataques esmagadores e mais generalizados contra os Estados Unidos e também contra Israel.

A ameaça vem num comunicado feito por um porta-voz do regime e citado pela agência de notícias Tasnim, próxima de poderes, e uma outra agência, a Fars, também parcialmente ligada ao regime. No documento, o Irão avisa também que os Estados Unidos e Israel têm uma informação incompleta sobre os meios militares que estão ao dispor de Teerão. Afirmam que a produção de equipamento militar do Irão é feita em sítios que Washington e Tel Aviv desconhecem. O comunicado termina com o aviso de que os Estados Unidos e Israel vão ter de pagar pela agressão que fizeram.

Vamos ainda falar sobre um artigo da NBC News que diz que os novos detentores do poder no Irão são tão ou mais de linha dura do que os líderes que os Estados Unidos e Israel mataram.

A NBC News cita relatórios de informação secreta. No discurso de ontem, Donald Trump dizia que os ataques que mataram, entre outros líderes, o aiatolá Ali Khamenei, levaram a uma mudança de regime. Ora, de acordo com os documentos confidenciais citados pelo órgão de comunicação, os novos líderes não estão, de forma alguma, a afastar-se mais da doutrina islâmica que há décadas governa o país. De acordo com a NBC News, que se baseia em relatos oficiais e na análise de especialistas no Médio Oriente, o regime não está a dar quaisquer sinais de desmoronamento e as pessoas que substituíram os líderes anteriores são conhecidas por serem igualmente de linha dura ou possivelmente até mais militantes do que os antecessores.

E Laura, um bombardeamento feriu gravemente um antigo ministro do Irão e matou mesmo a mulher deste antigo ministro.

Um ataque aéreo de origem não especificada terá ferido gravemente o antigo ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Kamal Kharazzi, e matou a mulher do ex-governante. A informação está a ser avançada por jornais iranianos citados pelo The Times of Israel. De acordo com a mesma fonte, não é claro se o ataque tinha como alvo o antigo ministro, de 81 anos, ou se o objetivo era atingir alguma infraestrutura próxima. Como recorda o jornal israelita, em 2022, este governante disse à Al Jazeera que Teerão possuía os meios técnicos para produzir uma bomba nuclear, mas não tinha ainda tomado qualquer decisão nesse sentido. Já depois do início deste conflito, ouvido pela CNN, Kamal Kharazzi declarou que não via espaço para a diplomacia. Acusou Donald Trump de estar a enganar os outros e a não cumprir as promessas. O antigo ministro lembrava que os Estados Unidos atacaram o Irão enquanto decorriam negociações entre os dois países.

Vamos agora falar sobre o presidente francês, que diz que é irrealista abrir o estreito de Ormuz.

Depois de Donald Trump ter desafiado os aliados dos Estados Unidos a irem buscar o petróleo diretamente ao estreito, Emmanuel Macron diz que essa é uma hipótese irrealista. Citado pelo The Times of Israel, o presidente de França lembra que algumas pessoas defendem a ideia de libertar o estreito de Ormuz pela força, através de uma operação militar, mas para Macron, essa não é uma opção que a França vá apoiar. No entendimento do chefe de Estado, reabrir o estreito de Ormuz dessa forma demoraria uma eternidade e exporia todos os que atravessam o estreito a vários riscos.

Entretanto, os líderes europeus defendem uma cooperação entre os aliados para reabrir o estreito de Ormuz.

O Reino Unido e a Comissão Europeia concordaram sobre a importância de um plano para restaurar a navegação no estreito, bloqueado pelo Irão. De acordo com um comunicado divulgado hoje pelo gabinete do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer e a presidente da Comissão Europeia tiveram ontem a discutir a crise no Médio Oriente. Ambos condenaram as ações do Irão no estreito de Ormuz. Consideram que Teerão está a manter a economia global como refém. Concordaram também que os aliados devem unir-se para restaurar a navegação no estreito, assim que as circunstâncias o permitam.

Também a Rússia falou sobre este tema e diz estar, Laura, pronta para resolver este conflito no Irão.

Quem o diz é o porta-voz do Kremlin, citado pela Al Jazeera. As declarações de Dmitry Peskov são feitas numa altura em que Vladimir Putin tem estabelecido contactos com vários líderes regionais do Médio Oriente para tentar preparar uma mediação entre as partes envolvidas no conflito. O porta-voz do Kremlin diz que Putin continua a manter estes contactos e que se os serviços russos forem necessários, o Kremlin está naturalmente pronto para dar um contributo para garantir que a situação militar evolui para um caminho pacífico o mais rapidamente possível.

E o Iraque começou a transportar a maioria do petróleo por terra para a Síria para tentar ajudar na operação.

Uma decisão com o intuito de contornar o fecho do estreito de Ormuz é o que revela o Ministério do Petróleo do Iraque, citado pelo Times of Israel. O plano do Iraque é fazer os camiões-cisterna atravessarem todo o território sírio, de forma a chegar à costa oeste síria, voltada para o mar Mediterrâneo. Aí, nesse local, estarão petroleiros prontos para exportar o petróleo que não tem passado pelo estreito de Ormuz. De acordo com o comunicado do mesmo ministério, a Síria vai garantir a passagem segura do petróleo e as exportações vão aumentar gradualmente.

E é desta forma que fecha este episódio da Guerra Traduzida na Rádio Observador, esta edição especial dedicada ao conflito no Irão, hoje com a curadoria da jornalista Laura Figueiredo.