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Guerra traduzida na Rádio Observador. Olhamos agora para a imprensa russa deste dia 29 de dezembro de 2023. É um trabalho do jornalista João Filipe Cruz, que contou com a colaboração da Larissa Tovmazian. Começamos, João, com o aviso do Kremlin ao Ocidente sobre os bens russos congelados.

Deixa-me fazer uma ressalva logo de início. Em momento algum o Kremlin reagiu ou teceu qualquer comentário sobre os ataques que conduziu na Ucrânia durante a madrugada e durante a manhã, só para que não achem estranho que nós não tenhamos qualquer referência da imprensa russa sobre o que aconteceu na Ucrânia hoje. Começamos então por esse aviso sobre os bens congelados russos. Para Moscovo, vem aí um efeito bumerangue, porque assegura ter também uma lista de bens de outros países que podem ser confiscados em resposta ao congelamento de cerca de €300.000 milhões, dinheiro russo, por parte de vários bancos centrais. O aviso é do porta-voz do Kremlin, citado pelo jornal russo RBC. Dmitry Peskov entende que, tendo em conta aquilo que entende ser a imprevisibilidade dos países ocidentais e a tendência que têm para violar a lei internacional, há várias hipóteses de retaliação em cima da mesa. Tendo isto em conta, o porta-voz de Putin refere o tal efeito bumerangue com que o Ocidente não está a contar porque não pensou nele e perspetiva consequências desastrosas no futuro em resposta ao roubo, que é assim que ele se refere ao roubo dos bens russos.

Em destaque na imprensa russa está também a introdução de mais um nome na lista de organizações terroristas aos olhos do Kremlin.

Já são 49. A última é o Batalhão Aidar, um grupo de assalto das Forças Terrestres Ucranianas. A unidade opera no leste do país, tem cerca de 400 membros e recebeu o nome do rio Aidar, que fica na região de Luhansk, onde foi inicialmente criado este batalhão. Ficou conhecido também pelas ligações políticas à extrema-direita ucraniana. A notícia é do jornal "Komsomolskaya Pravda", aquele que é tido como o jornal preferido de Vladimir Putin, jornal que lembra que este verão foi condenado um combatente do Batalhão Aidar, Denis Moriga. De acordo com a acusação, o batalhão foi criado em Kiev e tinha, e tem, como objetivo apagar a população do Donbass.

Entretanto, o presidente argentino enviou uma carta a Vladimir Putin a recusar participar na Cimeira dos BRICS.

E talvez mais do que isso, a participar também, a fazer parte deste grupo de países de mercado emergente que tem como fundadores a Rússia, a China, a Índia e o Brasil. Javier Milei notificou os líderes dos países que compõem este grupo. Diz que a Argentina não vai juntar-se porque considera inapropriado. Disso mesmo dá conta o jornal russo RBC. Para além de Vladimir Putin, receberam também a mesma carta Xi Jinping, Lula da Silva, o presidente da África do Sul e o primeiro-ministro da Índia. Há três dias, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, já tinha levantado um pouquinho o véu sobre qual é que poderia ser a resposta da Argentina. Disse que o país e Javier Milei, mais concretamente, tinha pedido um tempo para pensar no assunto. Buenos Aires foi convidada a juntar-se no final de agosto, tal como o Egito, a Etiópia, o Irão, a Arábia Saudita e também os Emirados Árabes Unidos. A expansão está programada para o primeiro dia do próximo ano e começou a ser negociada a entrada da Argentina ainda com o presidente anterior, Alberto Fernandez. O jornal russo lembra também que Javier Milei já tinha nomeado os Estados Unidos e Israel como os principais futuros aliados da Argentina e também sublinha que já houve resposta na altura de Putin. O presidente russo disse que seria um erro e que a Argentina vai perder a soberania.

Já falámos do tema aqui na guerra traduzida. A imprensa livre da Rússia dá destaque ao ataque de Moscovo a várias regiões ucranianas.

É mesmo a imprensa livre que dá efetivamente o destaque a esse ataque. De resto, temos a menção ao comunicado do Kremlin sobre o sucesso das operações que foram conduzidas ao longo da semana e já demos também conta disso mesmo no episódio dedicado à imprensa ucraniana. Já são 23 as mortes até ao momento contabilizadas, mais de 130 feridos em várias regiões ucranianas, inclusive a região da capital Kiev. E o portal independente Meduza diz mesmo que este já é um dos maiores bombardeamentos na guerra da Ucrânia e faz uma suma através do canal do YouTube. Também partilhou esse vídeo no site do Meduza, partilhou um vídeo com várias imagens dos ataques desta manhã.

Um ataque em larga escala das forças russas com o aproximar do final do ano. E é assim que fechamos este episódio da guerra traduzida, o último de 2023, hoje trazido à antena do Observador pelo João Filipe Cruz. Estamos de regresso em 2024.