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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com o jornalista Martim Madeira e começamos com os destaques do lado ucraniano. Falamos primeiro das eleições na Arménia. Zelensky saúda a vitória do partido pro ocidente na Arménia e fala em teste para a Europa.

Os jornais escrevem que a diplomacia ucraniana celebra hoje o resultado das eleições na Arménia. Volodymyr Zelensky já felicitou Nikol Pashinyan pela vitória eleitoral, que é lida em Kiev como um distanciamento claro de Erevan face à órbita de Moscovo. Para o presidente ucraniano, a escolha do povo arménio é uma vitória da democracia e um desafio para a União Europeia apoiar estas nações que tentam fugir ao domínio russo. Este alinhamento político reforça a narrativa de que a influência russa no Cáucaso está em queda livre, é o que escrevem os jornais ucranianos, enquanto a Ucrânia se posiciona como um farol de mudança regional.

E em destaque nos jornais ucranianos está a notícia de que as forças especiais ucranianas atingiram um centro crucial de oleodutos a 500 km da fronteira.

É uma das operações mais audazes dos últimos tempos, é o que escreve o Ukrayinska Pravda. As forças de operações especiais da Ucrânia confirmaram hoje um ataque bem-sucedido a um centro estratégico de oleodutos em território russo, a meio milhar de quilómetros da linha da frente. Este golpe atinge diretamente a logística de exportações de energia da Rússia, um dos pilares que financia a nação de Putin. Segundo o comando ucraniano, esta operação faz parte da estratégia de ataques profundos para estrangular o fornecimento de combustível às tropas russas. Em Kiev, o sucesso é visto como uma prova de que nenhuma infraestrutura russa, por mais longe que esteja, está a salvo dos novos drones e unidades de elite.

Ainda os jornais ucranianos falam de história no combate à corrupção. O ex-presidente do Supremo Tribunal é condenado a cinco anos de prisão.

A notícia domina os jornais como o Ukrayinska Pravda, sublinhando que a integridade das instituições é tão vital para a vitória como as munições na frente de batalha, é o que escreve este jornal ucraniano. No plano interno, a Ucrânia assinala hoje o que é considerado o caso de corrupção de mais alto perfil da história do país. Vsevolod Kniazew, antigo chefe do Supremo Tribunal, chegou a um acordo de confissão e vai cumprir cinco anos de pena. Este veredito é enviado como um sinal claro para Bruxelas e para todos os países ocidentais de que a Ucrânia está a limpar a casa mesmo sob fogo.

E o exército ucraniano recuperou mais território do que aquele que perdeu. Martim, são informações do balanço do mês de maio sobre a guerra.

O comandante-chefe Oleksandr Syrskyi apresentou os dados que trazem otimismo moderado a Kiev. Durante o mês de maio, as forças ucranianas conseguiram reconquistar mais terreno do que aquele que foi cedido aos avanços russos. Os combates mais pesados concentram-se nos setores de Pokrovsk e Huliaipole, onde a pressão russa é mais constante, mas a resistência ucraniana tem conseguido estabilizar as linhas e até contra-atacar com sucesso. Este relatório surge num momento em que se discute a eficácia das novas tecnologias de drones, que estão a reescrever as regras do combate moderno, segundo os jornais ucranianos.

E a Ucrânia resgata 15 crianças dos territórios ocupados, Martim.

No meio da violência, há uma notícia que comove toda a Ucrânia. O país conseguiu trazer de volta 15 crianças e adolescentes que estavam sob esta ocupação russa. O processo de repatriação é complexo e perigoso, mas cada regresso está a ser celebrado como uma vitória contra a política de deportação forçada de Moscovo, é o que escrevem os jornais ucranianos. Em simultâneo, também os media ucranianos relatam ataques russos devastadores em Zaporíjia e Solviansk, que deixaram mortos e dezenas de feridos, incluindo jovens de 17 anos.

Está tudo dito na Guerra Traduzida, versão Ucrânia. Voltamos já a seguir.