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"Guerra" traduzida na Rádio Observador. Vamos analisar o que está em destaque na imprensa russa. A embaixada russa em Londres afirma que o sangue dos moradores de Bryansk está nas mãos dos militares britânicos.

A embaixada emitiu, de resto, um comunicado a condenar o envolvimento do Reino Unido no que diz ser a recente escalada de violência na Ucrânia. A nota afirma que o Reino Unido é responsável pelos crimes de guerra cometidos pelo regime de Kiev. Depois, o uso pela Ucrânia de mísseis de longo alcance Storm Shadow, fornecidos pelos ingleses no ataque a Bryansk. É por isso que, para a Rússia, o sangue das pessoas da região, incluindo crianças, está nas mãos dos militares britânicos, tornando Londres cúmplice de alegados crimes de guerra e atos terroristas perpetrados pelo regime de Kiev. Estou citando a embaixada, que designa o regime ucraniano como nazi.

A Gazprom, gigante energética estatal russa, afirma que as forças ucranianas atacaram repetidamente a infraestrutura ligada a dois gasodutos do Mar Negro que abastecem a Turquia e o sudeste da Europa.

Numa ação que Moscovo descreve como uma tentativa de interromper as exportações. A Gazprom afirma que as ligações dos gasodutos TurkStream e Blue Stream, no sul da Rússia, foram alvo de ataques 12 vezes nas últimas duas semanas. As autoridades ucranianas é que não comentam as alegações. O incidente mais recente ocorreu hoje e envolveu um ataque com drones à estação de compressão na região de Krasnodar, a mesma zona onde foram feitos ataques ainda ontem, diz a Rússia. Os gasodutos estão entre as poucas rotas restantes para as exportações de gás natural russo para a Europa, depois da invasão da Ucrânia por Moscovo ter interrompido a maioria dos outros corredores de exportação. O porta-voz do Kremlin descreve estes ataques como muito alarmantes e diz que a Rússia já tinha alertado a Turquia sobre possíveis tentativas de sabotagem contra os oleodutos.

O Kremlin afirma que está a cortar o acesso à internet por motivos de segurança. Os moscovitas dizem que estão a ficar resignados com os apagões frequentes.

Todos os cortes e restrições de comunicação estão a acontecer em estrita conformidade com a legislação em vigor, é o que garante o porta-voz do Kremlin. A declaração foi feita vários dias depois de os moradores de Moscovo, São Petersburgo e outras cidades russas começarem a sofrer interrupções generalizadas de internet. Problemas de conectividade, diz Peskov, que estão ligados a uma necessidade fundamental de garantir segurança. Quanto aos problemas que isso acarreta para as empresas, trata-se de um assunto que requer análise mais aprofundada, acrescenta o porta-voz do Kremlin, e diz que obviamente há diversas soluções que vão ser propostas para lidar com os problemas, que infelizmente acompanham essas restrições. Estou citando Dmitry Peskov. Os utilizadores em Moscovo começaram a relatar problemas para carregar sites e aplicações desde há uma semana. Alguns nem sequer conseguem fazer chamadas telefónicas.

A Comissão Europeia pode retirar à Bienal de Veneza uma subvenção de €2 milhões por ter convidado a Rússia a participar.

Anúncio do porta-voz da Comissão Europeia, que acrescenta que os fundos da subvenção se destinam à formação e à produção cinematográfica. Numa declaração conjunta, os comissários europeus responsáveis pela cultura e pela democracia argumentaram que a participação dos representantes russos na Bienal contradiz o regime de sanções anti-Rússia da União Europeia. Ainda anteriormente, Mikhail Shvydkoy, representante do presidente russo para a cooperação cultural internacional, declarou à Agência TASS que o país deveria participar de todos os eventos culturais internacionais relevantes e que a insatisfação da Ucrânia com a participação da Rússia na Bienal não deveria influenciar as decisões dos organizadores. A Rússia apresentou o último projeto na Bienal de Veneza em 2021, quando a exposição recebeu uma menção honrosa do júri. Desde aí, o Pavilhão Verde tem estado fechado por conta da invasão à Ucrânia.

Fica por aqui a "Guerra Traduzida" com a jornalista Diana Rosa. Está de regresso amanhã.