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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, programa onde analisamos a forma como a guerra é noticiada na Ucrânia e na Rússia. Hoje começamos com os jornais da Rússia. Estamos no dia 15 de fevereiro, dia 723 da invasão russa à Ucrânia. É um trabalho do jornalista Rui Casanova. Rui, começamos com novos ataques da Ucrânia a Belgorod.
Pelo menos seis mortos, incluindo uma criança, e 18 feridos. É o balanço do mais recente ataque da Ucrânia a Belgorod, região russa que fica muito perto da fronteira ucraniana, cerca de 40 km. Tem sido alvo de ataques da Ucrânia desde o início do ano, praticamente diários. Hoje não foi exceção. São dados das autoridades russas citadas pela agência de notícias estatal TASS.
Como dizias, os ataques da Ucrânia a Belgorod têm sido constantes, mas desta vez o Kremlin afirma que vai tomar medidas.
Sim, o Ministério dos Negócios Estrangeiros fala em mais um ataque terrorista e, por isso, afirma que vai levar esta questão ao Conselho de Segurança da ONU. O anúncio feito pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, em comunicado, um comunicado aqui citado pelo jornal estatal RBK. A porta-voz Maria Zakharova lembra que há crianças entre os mortos e os feridos, fala num ato terrorista que tem de ser discutido nas Nações Unidas. De resto, não é a primeira vez que a Rússia leva estes ataques da Ucrânia a Belgorod a esta Assembleia das Nações Unidas. Veremos o que sai daqui, porque como dizíamos há pouco, estes ataques a Belgorod duram praticamente desde o início do ano, final do ano passado, e têm sido constantes. Agora há esta nova reação do Kremlin.
E como sempre, nas guerras, há ataques dos dois lados. A Rússia também atingiu a Ucrânia nas últimas 24 horas. O jornal "Izvestia" destaca ataques a fábricas e também a armazéns.
Infraestruturas que eram utilizados para guardar armas e combustível das Forças Armadas Ucranianas, é o que diz o exército russo num relatório citado pelo jornal "Izvestia". Esta manhã foram relatadas explosões em Kiev, Lviv, Zaporizhzhia e perto do rio Dnipro. Estes armazéns e estas fábricas ficavam nestas regiões. Este relatório não detalha ao certo onde é que ficavam. Certo é que o exército russo diz que eram locais de armazenamento de armas e de combustível que as Forças Armadas Ucranianas utilizavam para responder às tropas russas. O Ministério da Defesa afirma que todos os alvos designados foram atingidos e que o ataque foi levado a cabo com sucesso.
E certo é também que a imprensa estatal russa fala hoje de uma ameaça nuclear vinda dos Estados Unidos da América.
Sim, esta notícia surge aqui num contexto de alguma crescente tensão entre Rússia e Estados Unidos. Temos dado conta disso mesmo aqui na "Guerra Traduzida" ao longo da semana. Hoje, a rádio "Komsomolskaya Pravda", uma rádio estatal russa, falou com um especialista militar sobre esta questão. Este especialista alerta que os Estados Unidos estão a preparar-se para colocar armas nucleares no espaço. Fala num clima de histeria e intimidação. Não conclui ao certo o que quer dizer. Certo é que esta é uma notícia que faz manchete no site online desta rádio, "Komsomolskaya Pravda".
Para fechar, falamos da imprensa independente da Rússia e do portal "Meduza", que hoje destaca Donald Trump.
Sim, o canal "Meduza" cita uma notícia da agência Bloomberg que diz que Donald Trump, caso vença as eleições presidenciais nos Estados Unidos, está a considerar a possibilidade de pressionar, de forçar a Rússia e a Ucrânia a voltarem à mesa de negociações, às negociações de paz. Isto logo no início do possível novo mandato de Donald Trump, caso vença as eleições presidenciais que estão marcadas para novembro. A Bloomberg, que cita fontes próximas de Donald Trump, adianta que a decisão da Ucrânia de regressar à mesa de negociações poderá ser influenciada pela ameaça de acabar com a ajuda militar dos Estados Unidos, ou seja, de os Estados Unidos terminarem a ajuda militar à Ucrânia. Do outro lado, a Rússia, diz a Bloomberg, pode ser forçada a voltar a essa mesa de negociações com maior apoio à Ucrânia por parte dos Estados Unidos. Veremos se isto acontece mesmo. É uma notícia da Agência Bloomberg, que cita fontes próximas de Donald Trump e que é aqui também reproduzida pelo canal livre e independente russo "Meduza".
São os destaques da imprensa russa.