Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

"Guerra traduzida". Falamos do que dizem os jornais russos e os jornais ucranianos em tempo de guerra com a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana. Começas pela imprensa ucraniana e pelas negociações de paz em Istambul, na Turquia. Essa reunião já terminou, é desta segunda-feira e ainda estão por conhecer as conclusões.

Precisamente, Vanessa. Boa tarde. Depois de ter começado com atraso de duas horas essa ronda de negociações, o motivo desse atraso ainda é desconhecido. A delegação russa é representada por figuras de segunda linha, tal como na primeira reunião há cerca de duas semanas. Falamos do assessor de Putin, Vladimir Medinsky. Esta delegação é também composta pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros, pelo representante do Serviço de Informações das Forças Armadas Russas e pelo vice-ministro da Defesa. Já a equipe ucraniana é liderada pelo ministro da Defesa e outras 13 pessoas responsáveis pelo setor militar, mas também das áreas dos direitos humanos e da Justiça. Antes deste encontro, a Rússia falhou com mais um compromisso, não apresentou o memorando com o qual se tinha comprometido para quando terminasse a troca de prisioneiros de guerra com a Ucrânia, o que já aconteceu há mais de uma semana. Resta saber se Putin deixa cair algumas das exigências que tinha apresentado na primeira ronda e que foram consideradas irrealistas por parte não só da Ucrânia, como também da Turquia, e que incluíam a retirada de tropas ucranianas do campo de batalha, assim como a entrega do território ucraniano já ocupado pela Rússia.

E se desta vez ainda não foram divulgadas as propostas do lado russo, conhecem-se, no entanto, algumas das medidas avançadas pela Ucrânia na tentativa de alcançar a paz.

Sim, de acordo com o que já tinha avançado a imprensa ucraniana, antes desta reunião, o processo de paz começaria com um cessar-fogo mínimo de 30 dias. A seguir-se, depois, uma troca completa de prisioneiros e ainda o regresso das crianças ucranianas levadas para áreas controladas pela Rússia. Já depois deste encontro, há instantes, o chefe de gabinete da presidência da Ucrânia disse que foi entregue à Rússia uma lista com nomes de crianças ucranianas que precisam de ser devolvidas. De acordo com Andriy Ermak, são centenas de crianças que a Rússia deportou de forma ilegal. O governante diz que espera agora a resposta de Moscovo.

Antes desta ronda de negociações, Volodymyr Zelensky reiterou que a Ucrânia está pronta para a paz.

À margem da participação numa cimeira na Lituânia, onde está hoje Zelensky, lembrou que o ponto de partida será sempre um cessar-fogo, assim como uma ação humanitária e a libertação de prisioneiros, como já aqui falámos. No entanto, confrontado com a possibilidade das negociações serem infrutíferas, o presidente ucraniano pede a Donald Trump que aplique um novo e forte pacote de sanções à Rússia, caso se confirme esse cenário. Zelensky considera que se essa reunião não der em nada, a Rússia tem de ser pressionada de outra forma a fazer avanços. Para o líder ucraniano, as sanções devem atingir a energia russa, em específico, o setor do petróleo e os navios-tanque, assim como a banca e o setor financeiro em geral.

Já que falaste, Diana, nessa cimeira que decorre na Lituânia, onde está Volodymyr Zelensky, dá-nos alguns detalhes sobre as questões que estão a ser abordadas nesse encontro internacional.

São discutidas, essencialmente, as questões da defesa europeia, tanto pelos países nórdicos como pelos países de leste. Vai também ser preparada a próxima reunião da NATO, que está marcada para o final deste mês. O grupo B9, que participa nesta cimeira, foi criado na sequência da invasão da Crimeia, em 2014, para definir estratégias de proteção dos países que fazem fronteira com a Ucrânia e com a Rússia, mas também países do norte da Europa. A cimeira é organizada pelo presidente da Lituânia, conta com a presença do secretário-geral da NATO, também dos líderes dos países bálticos e ainda com a Noruega, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Islândia, Polónia e República Checa. Vai também ser debatido ao longo do dia de hoje o apoio dos aliados à Ucrânia.

E na véspera das negociações em Istambul, Ucrânia e Rússia levaram a cabo vários ataques em ambos os territórios, com Kiev a acusar, sem restrições, os equipamentos de longo alcance. Ao usar esses equipamentos de longo alcance, as Forças Armadas Ucranianas conseguiram destruir vários bombardeiros russos.

As primeiras imagens de satélite já foram divulgadas, mostram as consequências de um grande ataque de drones à base aérea russa de Belaya, na região de Irkutsk, que fica a cerca de 5 mil quilômetros da Ucrânia.

Bem longe.

Exatamente. A Ucrânia está finalmente a atingir alvos muito longe da fronteira. O ataque fez parte de uma operação coordenada pelos serviços de segurança de Kiev. Foram atingidos vários campos de aviação militares russos. As fotografias registadas pela empresa aeroespacial americana Umbra Space confirmam a destruição de, pelo menos, três bombardeiros estratégicos e de um avião.

Mas as autoridades ucranianas dizem que o impacto deste ataque foi muito maior.

Dizem que foram atingidos mais de 40 aviões russos em quatro campos de aviação diferentes. Andrii Kovalenko, funcionário do Conselho de Segurança e chefe do Centro de Combate à Desinformação, afirma que desses 40 aviões, pelo menos 13 ficaram completamente destruídos, o que representa 34% da frota de bombardeiros estratégicos da Rússia, no que é visto como uma das operações mais ousadas durante a guerra. Os drones enviados para território russo eram escondidos em cabines de madeira dentro de caminhões e lançados remotamente no momento certo para atingir os bombardeiros russos. O Ministério da Defesa da Rússia admitiu o que diz ser um ataque terrorista em quatro bases aéreas, dizendo que várias unidades de aviões foram incendiadas. É uma notícia do Ukrinform.

Já a Rússia matou nove pessoas em território ucraniano só nas últimas 24 horas e há, pelo menos, 50 feridos.

É o balanço feito pelas várias autoridades locais. Cinco dos nove mortos foram registados em ataques que atingiram a região de Zaporizhzhia, onde também ficaram nove pessoas feridas. Há ainda registro de outros três mortos e 19 feridos, incluindo duas crianças na região de Kherson e ainda um morto e três feridos no leste, na região do Donetsk. De acordo com o Kyiv Independent, além dos seis feridos em Kharkiv, aqui estamos a falar já no norte da Ucrânia, portanto, ataques em várias frentes. Há registro de três feridos, homens com idades compreendidas entre os 51 e os 72 anos, foram feridos também em Dnipropetrovsk, foram os três hospitalizados. Ainda em Mykolaiv, há registro de dois feridos que tiveram de ser assistidos no hospital.

São os destaques da imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais russos.