Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
"Guerra Traduzida", edição especial Irão, o espaço em que falamos sobre o que conta a imprensa israelita, norte-americana e iraniana em plena guerra no Médio Oriente. Eu sou o Rui Casanova. Hoje a edição é do jornalista João Gama. João, vamos começar por olhar para a imprensa do Irão. Os vários jornais destacam as palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros do país, que acusa os soldados norte-americanos de utilizarem civis como escudos humanos.
É uma informação, Rui, que está em destaque na agência iraniana Tasnim. Abbas Araghchi critica de forma forte a atuação das tropas norte-americanas por se refugiarem em hotéis nos países do Golfo Pérsico, onde há bases militares norte-americanas desde o início da guerra. Escreve o ministro nas redes sociais que os soldados dos Estados Unidos fugiram das respectivas bases militares, que têm sido atingidas, ainda hoje, por mísseis iranianos para procurar esconderijo em hotéis e em escritórios.
A imprensa israelita partilha a mesma notícia, mas com uma perspectiva diferente.
É verdade. Deixamos a Tasnim e passamos para o "Times of Israel", onde podemos ler que as palavras de Abbas Araghchi e do porta-voz das Forças Armadas são interpretadas da seguinte forma: o exército de Teerão alerta que hotéis que abrigam soldados americanos no Médio Oriente vão ser alvos na guerra contra os Estados Unidos e Israel. Citam, por isso, as declarações do porta-voz das Forças Armadas, que diz que quando todas as forças norte-americanas entram num hotel, esse hotel passa também a ser norte-americano.
Os jornais de Israel destacam também o ataque a um dos principais locais de produção de armamento naval do Irão.
Afirmam as Forças de Defesa de Israel que a instalação em Isfahan era utilizada pelo Irão para planear, desenvolver e armazenar mísseis avançados destinados ao lançamento de navios de cruzeiro, submarinos e helicópteros contra alvos marítimos móveis e fixos. Este é um local onde a maioria dos mísseis e minas navais são desenvolvidos pelas Forças Navais Iranianas, é o que afirma o exército de Israel, numa notícia que é manchete a esta hora do "Times of Israel". O mesmo jornal recorda que o ataque ocorre um dia depois de Israel ter morto o comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica e outros oficiais de alta patente.
Falamos agora de uma notícia que é de ontem, mas que ainda está em destaque hoje na imprensa iraniana. Teerão recebeu formalmente a proposta feita pelos Estados Unidos para um cessar-fogo. E João, como é que reagiu?
A Tasnim cita uma fonte bem informada que explica que a resposta já seguiu, através de intermediários, esta madrugada. Sabemos que o Paquistão tem sido um intermediário importante para este conflito, esta ponte do diálogo entre os Estados Unidos da América e o Irão. E de acordo com esta mesma fonte, a Tasnim recorda uma agência de notícias estatal, o Irão deixou claro na sua resposta que os atos agressivos e homicidas, estou a citar, do inimigo têm que parar e devem ser estabelecidas condições concretas para garantir que a guerra não só termina, como também não se repete. Há outros pontos, Rui, por exemplo, indenizações e reparações de guerra, o fim da guerra em todos os seus pontos e para todos os grupos de resistência. Aqui uma clara referência que a Tasnim e que esta fonte faz ao Hezbollah, no Líbano, e ao Hamas, na Faixa de Gaza. E a soberania do Irão sobre o estreito de Ormuz tem que ser reconhecida pelos Estados Unidos da América. São condições a que, lembra aqui a agência de notícias, se somam às exigências que já eram feitas durante as negociações em Genebra entre os Estados Unidos e o Irão, o que sinaliza que a guerra serviu apenas para afastar ainda mais os dois países.
Entretanto, os Estados Unidos estão a ponderar colocar mais soldados no terreno. O "Wall Street Journal" fala de mais de 10 mil soldados.
Com o objetivo de dar a Donald Trump mais opções militares enquanto descobrimos se as negociações para a paz andam ou não para frente com Teerão. O "Wall Street Journal" cita fontes do Departamento de Defesa, o departamento da guerra dos Estados Unidos, ou seja, mais precisamente o Pentágono. Não é a primeira vez que é noticiado o envio de tropas norte-americanas para o Médio Oriente, mas é sim a primeira vez que o número é tão expressivo. O jornal escreve que além de soldados, o Pentágono pode enviar também mais veículos blindados. Feitas as contas, Rui, são 50 mil os militares norte-americanos que estão nesta região, no Médio Oriente. É também notícia em destaque, não apenas na imprensa norte-americana, como também na imprensa árabe. A "Arab News" escreve que este envio de tropas aumenta a especulação de que Donald Trump pode mesmo avançar para tentar conquistar a ilha de Karg.
Uma pretensão há muito falada a propósito aqui de Donald Trump. Nos Estados Unidos surgem as primeiras vozes de alerta sobre o ritmo com que estão a ser utilizados mísseis Tomahawk. Esta notícia, João, está em destaque na imprensa israelita.
Em quatro semanas de guerra com o Irão, o exército norte-americano disparou mais de 850 destes mísseis de cruzeiro, utilizando estas armas altamente precisas a um ritmo que está, de facto, como dizias Rui, a deixar alarmados alguns oficiais do Pentágono. De acordo com as fontes do "Washington Post", esta preocupação está a provocar discussões internas no Departamento de Defesa, enquanto se procura uma solução para disponibilizar mais mísseis. Ainda assim, a Casa Branca mantém silêncio e não responde aos pedidos de comentário por parte dos autores da notícia.
Entretanto, os ataques no terreno continuam. Dois drones foram interceptados e destruídos perto de Riad, capital da Arábia Saudita, onde hoje está João Volodymyr Zelensky.
E curiosamente, é esse o tema em destaque nos jornais sauditas e não propriamente estes ataques associados ao Irão. São dedicadas poucas linhas nos meios de imprensa estatais à destruição destes dois drones, não só em Riad, como também no leste do país. Aqui recorremos à agência de imprensa saudita. O destaque é sim essa visita de Zelensky, que está a decorrer sem percalços de maior. Há várias fotografias que mostram o presidente ucraniano ao lado do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, na cidade de Jeddah. Os dois líderes discutiram a escalada militar no Médio Oriente e os últimos desenvolvimentos também sobre a guerra na Ucrânia. Além da experiência que foi trocada entre os dois países, a Ucrânia e a Arábia Saudita assinaram um acordo de cooperação em defesa, principalmente, Rui, em defesa de proteção antidrone.
Fica por aqui mais um episódio da "Guerra Traduzida" da Rádio Observador. Esta é uma edição especial dedicada à guerra no Irão. Hoje com o jornalista João Gama. Eu sou o Rui Casanova. A "Guerra Traduzida" está de volta para a próxima semana. Bom fim de semana.