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Segunda parte da Guerra Traduzida na Rádio Observador, com a jornalista Diana Rosa. Vamos agora olhar para os destaques da imprensa ucraniana. Zelensky esteve hoje em Bruxelas reunido com os líderes da União Europeia. O presidente ucraniano diz que a adesão à NATO está na Constituição ucraniana e não desiste dessa intenção.
Uma constituição que Zelensky diz não vai mudar. Acrescenta que a Ucrânia merece garantias de segurança para travar o conflito em curso e prevenir outra eventual agressão da Rússia. Fala que Joe Biden já lhe tinha dito que a Ucrânia não vai entrar na Organização do Tratado do Atlântico Norte. O chefe de Estado ucraniano frisa que mantém esse objectivo e que tenta mudar estas posições do lado de Washington. Diz também Zelensky que, na Constituição da Ucrânia, está essa adesão à NATO, essas verdadeiras garantias de segurança, e acrescenta que a política actual dos Estados Unidos é que não vê a Ucrânia na aliança transatlântica, mas diz também que tudo na política é efémero, a política muda e, portanto, esta é uma decisão que pode ser alterada. Só os membros da NATO é que podem dizer quem querem nessa aliança, afirma Zelensky, e conclui que a posição da Ucrânia mantém-se, esse desejo também, apesar das exigências da Rússia, que não quer a Ucrânia na NATO.
E o secretário-geral da NATO precisamente falou hoje. Explica quais é que são as três garantias de segurança que estão a ser desenhadas no novo plano de paz para acabar com a guerra na Ucrânia.
Foi numa conferência de imprensa onde esteve também o ministro da Defesa polaco. Mark Rutte explica quais vão ser as linhas da frente para travar a ameaça russa.
As garantias de segurança, como estão agora a ser desenhadas, têm três camadas. A primeira são as Forças Armadas ucranianas. Elas são a primeira linha de defesa. A segunda linha de defesa é o que a coligação dos aliados, sob a liderança do Reino Unido e da França, têm vindo a desenhar nos últimos meses. E os Estados Unidos, que são o terceiro elemento. O presidente americano disse em agosto que quer que os americanos façam parte dessas garantias de segurança.
Na conferência de imprensa, o secretário-geral da NATO deixa ainda um aviso a Putin. Diz que depois do plano de paz existir e ele tentar atacar a Ucrânia novamente, as reacções vão ser devastadoras. O aviso de Mark Rutte na Polónia, ao mesmo tempo em que decorrem as negociações entre os líderes europeus sobre os activos russos em Bruxelas.
Os Estados Unidos falam na sexta-feira com Kiev sobre o plano de paz e depois, Diana, com os russos.
Sim, os representantes ucranianos e norte-americanos vão realizar amanhã, sexta, e no sábado, nos Estados Unidos, em Miami, uma nova conversa sobre esse plano. Foi o que anunciou hoje o presidente Volodymyr Zelensky. A equipa ucraniana já está a caminho de Miami, na Flórida, e os norte-americanos lá estarão à espera da comitiva de Kiev. Zelensky diz que não sabe quem mais poderá estar presente, talvez líderes europeus, mas ainda não há essa confirmação. Não especifica Volodymyr Zelensky a composição da delegação ucraniana. Este é um novo ciclo de conversas entre os dois países, Ucrânia e Estados Unidos, que vai decorrer imediatamente antes de um encontro entre emissários russos e norte-americanos. Do lado da Rússia, o responsável pelo Tesouro da Rússia, e do lado norte-americano, o enviado especial e também o genro de Donald Trump. Está prevista essa reunião também para o fim de semana.
Está a intensificar-se a frente diplomática. As tropas russas estão a pagar a comandantes para evitar a frente de Zaporizhzhia, na Ucrânia.
Sim, para não irem lutar para essa linha da frente, há soldados que estão a pagar a outros responsáveis para ficarem mais afastados. Falamos de 50 mil rublos em dinheiro vivo todos os meses. Ora, em troca, eles não são enviados para essa linha de combate, permanecem no quartel-general ou são designados para funções internas fictícias, embora os registos oficiais digam que estes militares estão em serviço de combate. Como resultado, a Rússia recebe o pacote completo de pagamentos, mesmo que nunca sejam efectivamente enviados para lutar nessa linha da frente, no leste da Ucrânia, e para aqueles que não pagam, é precisamente o oposto. São enviados para ataques em qualquer condição, acabam muitas vezes por sair feridos, não têm descanso, não são substituídos temporariamente por outros militares, é o que afirmam os comandantes. Portanto, há aqui uma discrepância do tratamento de soldados russos. É algo que é feito às claras, dizem os jornais ucranianos, e os privilegiados são imediatamente identificáveis. Dormem em alojamentos fechados, comem de forma separada dos colegas e os respectivos nomes aparecem nas listas de combate, mesmo que ninguém os tenha visto nas respectivas posições.
É o ponto final nesta Guerra Traduzida. Voltamos a fazer a revista de imprensa dos dois lados do conflito na Ucrânia e também o lado russo. Amanhã voltamos com essa atualização.