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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos olhar para a forma como os jornais da Rússia e da Ucrânia noticiam a guerra em curso. Eu sou o Rui Casanova, está conosco em estúdio a jornalista Diana Rosa. Diana, boa tarde.

Boa tarde!

Começamos hoje com as notícias da Rússia. O Kremlin está preocupado com a possibilidade dos Estados Unidos fornecerem mísseis de longo alcance à Ucrânia.

O tema Tomahawk é de extrema preocupação, é o que admite Dmitry Peskov. O porta-voz da presidência russa diz que é um momento muito dramático, porque as tensões estão a escalar de ambos os lados. Os mísseis Tomahawk são capazes de alcançar mais de 2500 km, o que significa que a Ucrânia seria então capaz de atingir o interior da Rússia, incluindo a capital Moscovo. Mas Donald Trump está a ponderar oferecer esses equipamentos a Kiev, caso Vladimir Putin não acabe com a guerra. Foi o que admitiu o presidente norte-americano a bordo do avião que o levou para Israel, apesar de o presidente dos Estados Unidos da América dizer que não vende mísseis diretamente à Ucrânia, pode fornecê-los à NATO e depois direcionar os Tomahawk para Kiev. A pergunta de Donald Trump a Putin: "Querem Tomahawks a voar na direção da Rússia? Acho que não". Estou aqui a citar Donald Trump numa notícia da TASS.

Seguimos com a Agência RIA, que publica hoje um artigo a dizer que o Ocidente anunciou a criação de uma nova frente contra a Rússia.

Essa frente é a Escandinávia, incluindo aqui também a Finlândia. A imprensa russa pega nas declarações de um representante de uma universidade norueguesa, que diz que durante a Guerra Fria, a Escandinávia foi considerada uma região de paz, já que a Finlândia e a Suécia não eram membros da NATO, não hospedava tropas estrangeiras e limitava as respectivas atividades no extremo norte da região. De acordo com este acadêmico, depois de os dois novos países se juntarem à Aliança do Atlântico Norte, as novas bases militares começaram a ser abertas numa região que se começou a transformar numa enorme linha da frente contra a Rússia, tornando-se numa espécie de Ucrânia do Norte. Ainda há duas semanas, o presidente russo disse que a entrada da Suécia e da Finlândia na NATO tinha sido uma tolice, não ganharam segurança, mas perderam a soberania que tinham na implementação das respectivas prioridades de política externa. A Rússia diz que nos últimos anos tem registado uma atividade sem precedentes da NATO ao longo das fronteiras ocidentais, no que acaba por ser, aos olhos da Rússia, uma expansão da aliança. Moscovo insta o Ocidente a abandonar a política de militarização do continente europeu.

E Diana, uma empresa ligada a Volodymyr Zelensky fez um uso incorreto de fundos destinados à defesa aérea ucraniana.

É o que adianta um responsável pela segurança russa. Diz que a Firepoint, uma empresa com ligações a Volodymyr Zelensky e ao chefe de gabinete, Andriy Yermak, desviou fundos originalmente destinados ao fortalecimento das defesas aéreas da Ucrânia. Depois dos ataques russos aos campos de tiro e à infraestrutura crítica da Ucrânia, o comando militar do país foi duramente criticado por não repelir drones e mísseis russos com as defesas aéreas, é o que diz o oficial de segurança, acrescentando que o ativista ucraniano de direitos humanos e ex-membro do Parlamento da Ucrânia, Vitaly Kupry, afirmou que o dinheiro destinado ao reforço das defesas aéreas ucranianas foi desviado pela Firepoint, então, como dizíamos, filiada ao presidente e ao chefe de gabinete.

Seguimos com mais notícias. O FSB impediu um ataque terrorista em Moscovo contra um oficial de alta patente do Ministério da Defesa.

Um ataque alegadamente planeado por serviços de informação ucranianos, em conjunto com o Estado Islâmico, ataque esse que acabou por ser frustrado. Quatro pessoas foram detidas, três delas cidadãos russos envolvidos no encobrimento do crime. Outra era proveniente da Ásia Central, esse que ia executar o ataque terrorista. De acordo com o FSB, o perpetrador foi recrutado por interesse dos serviços especiais ucranianos pelo funcionário do ISIS, Saidakhbar Gulomov, nascido em 1979, foi colocado na lista internacional de mais procurados pelas autoridades russas. Era ele que supostamente seguia as instruções dos agentes ucranianos. Foram-lhes fornecidos os fundos necessários, assim como informações sobre o alvo, também explosivos e outros componentes que foram lançados de forma ilegal na Rússia por serviços especiais ucranianos. Moscovo diz que o crime foi planeado para ser cometido numa das áreas densamente povoadas da capital. Há especialistas russos que estimam que a bomba fabricada pelos terroristas era potente o suficiente para criar uma zona de extermínio num raio de até 70 km.

Diana Rosa, com as notícias que nos chegam da Rússia. Voltamos a seguir para a segunda parte de Guerra Traduzida, com os destaques da imprensa da Ucrânia.