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Partimos para mais um episódio da "Guerra Traduzida". Vamos agora passar em revista tudo o que diz a imprensa ucraniana. O jornalista Vasco Maldonado Correia continua conosco em estúdio. Vasco, em destaque no TSN, Donald Trump, que recusa estar a vender armas pra Ucrânia.
O presidente norte-americano garante que os Estados Unidos não fornecem armas para Kiev, apenas as vendem para países da NATO. Donald Trump esclarece que essa é a abordagem do governo para o conflito na Ucrânia e sublinha que Washington não está a gastar dinheiro em fornecimento direto de armas para as forças ucranianas. Isto numa entrevista ontem à noite. Trump enfatizava a importância das garantias de segurança para a Ucrânia, também a importância da ausência de tropas americanas em terra, no terreno. Ao mesmo tempo que reiterava que o conflito na Europa não é uma guerra sua, mas uma situação que herdou do governo anterior. Diz que se está a limitar a apagar as chamas de uma guerra muito difícil. Refere-se aqui à administração Biden. Ou seja, resumindo e concluindo, Trump está a tentar transmitir que a prioridade é minimizar os custos norte-americanos, proteger os interesses dos Estados Unidos, ao mesmo tempo que apoia os aliados da NATO em circunstâncias internacionais especialmente difíceis.
E Vasco, o TSN tem em destaque o que descreve como uma declaração inesperada por parte do presidente da Turquia.
Diz Erdoğan que Volodymyr Zelensky e Vladimir Putin ainda não estão prontos para um encontro pessoal. O líder turco afirma ter chegado a essa conclusão depois ter conversado com os líderes dos dois países. Ele que esteve também em Pequim, onde ontem discutiu maneiras de encerrar a guerra em dois momentos diferentes. Primeiro, num encontro com Putin, que está também na China, como já aqui ouvimos. Mas também Erdoğan conversou ao telefone com Zelensky e é daí que tira esta conclusão de que não há condições para esta conversa acontecer nesta altura. Ankara defende um aumento gradual do nível das negociações para transformar estas esperanças de paz em resultados concretos e enfatiza que o caminho pra paz permanece aberto.
No terreno, Vasco, Kiev garante que o exército russo perdeu mais de 70 divisões de artilharia apenas no último mês.
São números avançados pelo Ministério da Defesa Ucraniano, hoje em destaque no Ukrinform. Convém fazer aqui uma conversão. Falamos da perda de cerca de 1300 sistemas de artilharia na guerra, o que equivale a 73 divisões de artilharia. No relatório do Ministério da Defesa, pode ler-se que ao longo do mês de agosto, o inimigo tentou pressionar a defesa ucraniana em várias áreas da frente, sacrificando um grande número da infantaria, com resultado no dia 31 de agosto, ou seja, no final do mês, o exército russo tinha sofrido cerca de 29 mil baixas. Além disso, as forças de defesa desativaram e destruíram ativamente veículos do exército russo, com perdas a totalizar cerca de 3500 veículos militares, também tanques de guerra. Isto diz Kiev, apesar da tendência do inimigo de reduzir o uso de veículos blindados pesados devido à vulnerabilidade que apresentam no campo de batalha.
O Pravda, Vasco, descreve hoje a maneira como o governo da Geórgia está a expurgar o funcionalismo público. Diz que é algo que serve para agradar a Rússia.
Nesta publicação pode ler-se que a estrutura interna do Estado georgiano está a passar por mudanças radicais e que isso é apenas mais uma parte das tentativas de Tbilisi de desafiar os laços institucionais do país com o Ocidente. Por mais de três décadas, o serviço público da Geórgia tem sido um dos pilares mais resilientes da transição democrática e das ambições euro-atlânticas. É isso que escreve o Pravda. Mas agora, explica o jornal, surgem grandes reformas no funcionalismo público, com uma chamada reorganização do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do Ministério da Defesa da Geórgia. Para o Pravda, não se tratam de atualizações administrativas ou de melhorias de eficiência e fazem parte, isso sim, de uma campanha sistemática para punir a lealdade aos princípios constitucionais e romper o compromisso institucional do Estado com o Ocidente. É o que escreve hoje o Pravda, que relembra como gerações de funcionários públicos, apesar das mudanças na liderança política da Geórgia, trabalharam incansavelmente para promover a integração do país à NATO e à União Europeia, para construir alianças estratégicas e fortalecer a segurança nacional. Ora, garante o jornal ucraniano que hoje esse pilar está a ser deliberadamente desmantelado.
É o ponto final em mais uma edição da "Guerra Traduzida". Nós voltamos já amanhã.