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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador, espaço em que trazemos os destaques da imprensa ucraniana e da imprensa russa. Hoje com a jornalista Laura Figueiredo. Olá, Laura, boa noite.
Boa noite, António.
Vamos então começar pela imprensa ucraniana. Milhares de manifestantes marcham em Kiev exigindo o regresso de Fedorov ao Ministério da Defesa.
Este protesto marca o início da terceira semana, na sequência da remodelação do governo ucraniano. Os organizadores da manifestação denominam-na como a Marcha pelo Diálogo e pelas Reformas na Defesa. Este protesto tem exigido a recondução imediata de Mykhailo Fedorov ao cargo de Ministro da Defesa, depois de ter sido demitido e isto ter provocado uma crise política que se estende já há três semanas. Entrevistado pelo The Kyiv Independent, um dos rostos destas manifestações apelou directamente ao presidente Volodymyr Zelenskyy para que ouça o clamor popular e que permita a Fedorov concluir o plano de reformas estruturais. Esta mobilização ganhou um novo fôlego depois de uma entrevista de Fedorov à Ukrayinska Pravda, onde o ex-ministro sugeriu que a sua aposta na transparência da contratação militar terá precipitado o seu afastamento devido a interesses instalados no sector. Embora Zelenskyy tenha nomeado o respeitado general Mykhailo Drapatyi para chefiar as Forças Armadas, o presidente recusa reintegrar Fedorov no ministério, tendo-lhe oferecido, sem sucesso, uma posição no sector tecnológico. Ainda assim, Fedorov mantém a posição, recusa qualquer alternativa que não seja o regresso à pasta da Defesa.
E Laura, Donald Trump desmente Zelenskyy. O presidente dos Estados Unidos diz que não autorizou a construção de mísseis Patriot na Ucrânia.
Tinha sido uma promessa deixada já no início do mês, na Cimeira da NATO e também esta semana, depois do encontro entre os dois líderes na Casa Branca, o presidente ucraniano afirmou sair de Washington com a autorização dos Estados Unidos para avançar com a construção de mísseis Patriot na Ucrânia. Hoje Donald Trump recuou, diz que não concordou com nada disso. Admite existirem conversas sobre o tema, mas salvaguarda que é preciso cautela para fornecer informações sobre a produção de armamento a outros países, por haver probabilidade de virar-se contra os Estados Unidos.
Seguimos com uma notícia que dá conta de que Volodymyr Zelenskyy pediu a Donald Trump autorização para usar a rede Starlink em solo russo na destruição de lançadores de mísseis.
Um pedido feito durante a mesma reunião, à porta fechada, esta semana, na Casa Branca. O objectivo da proposta passa por permitir aos drones ucranianos a capacidade de atacar com precisão as plataformas móveis de lançamento de mísseis balísticos na Rússia. A informação foi avançada pela revista The Atlantic, com base nas declarações de três responsáveis governamentais, sob anonimato. De acordo com as fontes contactadas, a iniciativa de Kiev surge como uma solução alternativa perante o esgotamento dos stocks norte-americanos de mísseis interceptores para os sistemas de defesa antiaérea Patriot. Um cenário que tem sido agravado pelo recente envolvimento militar dos Estados Unidos no conflito com o Irão.
E Laura, a Ucrânia denuncia uma tentativa de assassinato contra o comandante da Brigada Kartia.
As autoridades ucranianas detiveram hoje um homem de 69 anos, suspeito de tentar assassinar este comandante da Brigada Kartia, Ihor Obolenskyj, na cidade de Kharkiv. A operação contou com a intervenção directa do Serviço de Segurança da Ucrânia e culminou na captura do atacante e também de um cúmplice. O anúncio foi feito já pelo presidente da Ucrânia, através da rede social X, depois de ter recebido um relatório. Nesta publicação, Volodymyr Zelenskyy diz já ter falado, entretanto, com o comandante da Brigada. Afirma também que estão em curso as medidas processuais necessárias. O chefe de Estado garante ainda que esta tentativa de golpear a Ucrânia e um comandante ucraniano terá uma resposta.
São estas as principais notícias dos jornais ucranianos com a Laura Figueiredo. Voltamos a seguir com a imprensa russa.