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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Seguimos com a imprensa ucraniana e com a jornalista Diana Rosa. Começamos com críticas de Zelensky, que aponta o dedo ao que diz ser o puro cinismo da Rússia.
Ao pedir um cessar-fogo para comemorar a vitória soviética sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial e continuar a atacar a Ucrânia. É cinismo absoluto pedir uma trégua para realizar celebrações de propaganda enquanto se realizam estes ataques todos os dias, considera o líder ucraniano nas redes sociais. É que ao mesmo tempo que Putin quer uma pausa para a grande festa na Rússia, novos ataques aéreos russos com mísseis e drones mataram nesta terça-feira pelo menos cinco pessoas e deixaram 33 feridas, incluindo membros de equipas de socorro e emergência, de acordo com as autoridades ucranianas. Ainda assim, Zelensky anunciou ontem que a Ucrânia vai levar a cabo uma trégua, mas não começa quando Putin quer. Começa hoje, à meia-noite, não sem deixar uma bicada à Rússia. Diz que chegou a hora de os líderes russos tomarem medidas reais para acabar com a guerra, especialmente porque o Ministério da Defesa russo acredita que não pode realizar um desfile em Moscovo sem a boa vontade da Ucrânia.
Quem saudou esse cessar-fogo hoje foi António Costa, que exige também o fim de um massacre sem sentido.
O presidente do Conselho Europeu enaltece mais uma iniciativa do presidente Zelensky em prol de um cessar-fogo. Nas redes sociais, Costa afirma que a guerra continuada da Rússia contra a Ucrânia tem causado sofrimento e perdas incomensuráveis. Repete que a União Europeia apoia firmemente todos os esforços para assegurar uma paz justa e duradoura para a Ucrânia.
Diana, há registo de quatro mortos e mais de 30 feridos. É o resultado de um ataque russo a Poltava, na Ucrânia.
No centro-leste do país. Uma notícia do Ukrainska Pravda. O chefe da administração militar de Poltava escreveu no Telegram que as forças russas lançaram um ataque noturno com mísseis e drones. Alguns dos projéteis passaram as defesas aéreas, enquanto outros terão sido interceptados. No entanto, os destroços caíram sobre zonas residenciais. Há registo de danos em infraestruturas industriais e ferroviárias.
Notícia também de que a Ucrânia atingiu uma refinaria e fábricas de armamento russas num ataque de larga escala.
Esta noite foram atingidos locais críticos do complexo militar industrial russo, avança o Kyiv Independent. O governador da região de Leningrado relatou inicialmente um ataque ocorrido numa zona industrial, confirmando depois que a refinaria de petróleo, que processa cerca de 20 toneladas de combustível por ano, foi o principal alvo. Foram atingidas instalações também em São Petersburgo. Fotos e vídeos publicados nas redes sociais mostram ainda um grande incêndio num instituto estatal russo que produz componentes para armas de alta precisão usadas por Moscovo para atacar a Ucrânia. No ataque, cerca de 1000 km da fronteira entre os dois países, terá sido usado pela Ucrânia um míssil de longo alcance, Flamingo. O governador local afirmou que uma pessoa ficou ferida nesse ataque. De acordo com o Estado-Maior da Ucrânia, o instituto também desenvolve sistemas de guerra eletrónica, incluindo conjuntos de antenas Cometa, utilizados para interferir em sinais de satélite, rádio e radar, e para guiar drones, mísseis e bombas guiadas. Na última noite, a Ucrânia atingiu ainda as localidades de Voronezh e Kazan, e ainda a península da Crimeia, território ocupado pela Rússia desde 2014.
E falamos agora de um escândalo, um escândalo de corrupção que volta a colocar Rustem Umerov sob pressão política na Ucrânia.
Foram divulgadas novas gravações no âmbito do maior escândalo de corrupção dos últimos anos na Ucrânia, numa altura particularmente sensível para Kiev, marcada por um impasse nas negociações com a Rússia. Umerov, atual secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional e antigo ministro da Defesa, não foi formalmente acusado, mas está a ser investigado e surge mencionado nas escutas agora tornadas públicas. Os registos ligam-no a Timur Mindich, empresário próximo do círculo do presidente Volodymyr Zelensky e figura central do caso, que entretanto deixou o país rumo a Israel. Apesar da controvérsia, fontes citadas pelo Kyiv Independent garantem que Umerov mantém um papel ativo na diplomacia ucraniana, com contactos frequentes com responsáveis norte-americanos, mesmo num contexto em que as negociações de paz se encontram paralisadas há mais de dois meses.
E Diana, este caso envolve alegadas práticas de corrupção na Energoatom, a empresa estatal de energia nuclear, e já levou mesmo à acusação de nove suspeitos.
As gravações, inicialmente divulgadas em novembro pelo Gabinete Nacional Anticorrupção, captam conversas entre altos responsáveis sobre possíveis esquemas de subornos. A mais recente vaga de áudios acrescenta novos detalhes. Segundo as transcrições, Umerov terá discutido com Mindich temas ligados à aquisição de equipamento militar, incluindo drones e coletes à prova de bala, bem como decisões estratégicas e potenciais investimentos. Entre os pontos em análise está ainda a empresa FirePoint, ligada ao desenvolvimento de drones e mísseis, alegadamente mencionada nas conversas como alvo de subfinanciamento e possível entrada de capital estrangeiro. Com uma carreira marcada por um papel relevante nas negociações internacionais desde o início da guerra, incluindo acordos de exportação de cereais e trocas de prisioneiros, Umerov vê agora a reputação afetada por um escândalo que pode ter impacto direto na posição negocial da Ucrânia no cenário internacional.
Fica por aqui esta edição de terça-feira com a jornalista Diana Rosa. A "Guerra Traduzida" está de regresso amanhã.