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Estamos de volta à Guerra Traduzida com a Diana Rosa. Diana, vamos desta vez à imprensa da Ucrânia e onde o destaque é Volodymyr Zelensky, que acusa a Rússia de estar a mentir a Donald Trump. Isto a propósito destas negociações de paz.

Para evitar sanções, João, numa declaração ao jornal Bild, citado pela imprensa ucraniana, o chefe de Estado diz que Moscovo está a empatar as negociações de paz com o objetivo de evitar mais prejuízos econômicos por parte dos Estados Unidos. Zelensky sublinha que as conversações de paz são importantes para mostrar a Trump que existe uma ponte diplomática entre a Ucrânia e a Rússia e que o Kremlin joga com esse argumento de se retirar das negociações face a uma eventual aplicação de novas sanções. Putin sente que a economia russa está a sofrer, diz Zelensky, mas quer ganhar tempo, uma sensação que o presidente Trump também começa a ter, afirma o chefe de Estado ucraniano. É, de resto, uma ideia que tinha sido já reiterada por Donald Trump. Não sei se te lembras, ainda ontem falámos aqui na Guerra Traduzida sobre a entrevista que Donald Trump deu a um podcast que foi publicado ontem.

Que tu ouviste na íntegra, sei lá.

Para variar, pelo New York Post. Nesse podcast, Donald Trump referiu que no dia 4 de junho tinha tido uma conversa telefónica com Vladimir Putin. Não sei se foi a terceira, creio que foi a terceira conversa telefónica, e disse que essa conversa correu muito bem.

Como todas as outras, não foi?

Como todas as outras, como disse todas as outras. Mas o que é facto é que não havia qualquer tipo de avanços, qualquer tipo de acordo que tenha sido alcançado nessa conversa. Donald Trump ainda ontem dizia que não sabe se Vladimir Putin, de facto, quer a paz ou não, porque se diz que sim e que está disposto a alcançar algum tipo de consenso, depois a verdade é que levanta uma data de restrições, que quer os Estados Unidos, quer a Turquia, que também tem estado envolvida nestas negociações, quer a Ucrânia, obviamente, dizem que são completamente inaceitáveis.

E não deixa de ser interessante, Diana, porque há pouco, na parte da imprensa russa, falávamos do dia feliz, quase desejado por Marco Rubio, e no mesmo dia vemos uma retórica completamente diferente do lado ucraniano, que é Zelensky a dizer que a Rússia está a mentir a Donald Trump e aos Estados Unidos como resultado disso. Aparece aqui um joker, sendo que quando tens uma aproximação maior desta administração norte-americana ao Kremlin e esta necessidade, Zelensky está sempre a dizer, está sempre a alertar a propósito dos objetivos da Rússia, que tem marcado esta fase do conflito.

Porque no fundo, aquilo que tem saído na imprensa ucraniana, mas também na imprensa russa, por pessoas que falam em off e são próximas de Vladimir Putin, é que de facto o presidente russo quer ganhar tempo nestas negociações para duas coisas. Primeiro, para conseguir atrair Donald Trump para eventuais negócios na Rússia. Isso já foi adiantado há alguns meses.

E admitido pelo próprio também, Donald Trump, não queria mais sanções.

Admitido pelo próprio. Aliás, Donald Trump sempre teve esse sonho de ter a Trump Tower em Moscovo e, portanto, esse é um doce que Vladimir Putin quer dar também a Donald Trump. E depois, quanto mais zonas ucranianas Vladimir Putin ocupar, mais forte está a posição da Rússia nestas negociações e, portanto, é que estas acusações de Zelensky a dizer que Putin quer ganhar tempo e que, de facto, fontes próximas do Kremlin não negam.

Já que falamos dele, Volodymyr Zelensky critica ainda Vladimir Putin pelo que diz serem fantasias políticas doentias do presidente russo, isto numa altura em que a Rússia, Diana, e são números ucranianos, supera já um milhão de baixas nesta guerra.

Sim, é um número que diz respeito a soldados mortos e feridos nas forças russas nestes três anos de guerra. Normalmente, nenhum dos lados gosta de adiantar o número de soldados mortos ou feridos, porque isso no fundo acaba por ser um pouco aqui o assumir de uma posição eventual de fraqueza e, portanto, aquilo que habitualmente estamos acostumados a ver é a Rússia a dizer quantos soldados perdeu a Ucrânia e a Ucrânia a dizer quantos soldados perdeu a Rússia.

Uma guerra de informação, não é?

Exatamente. E ainda ontem Donald Trump tinha falado nessa entrevista, de que ainda há pouco falávamos, que há mais de 5 mil soldados, isto um número por baixo, diz o presidente norte-americano, há mais de 5 mil soldados a perder a vida todas as semanas nesta guerra. Zelensky diz que é esse o preço que Putin está disposto a pagar pelas suas fantasias geopolíticas doentias e mesmo assim recusa-se a pôr termo a esta guerra. Estou aqui a citar estas declarações de Volodymyr Zelensky. Numa série de publicações que foram feitas na rede social X, o presidente da Ucrânia vincou que o respeito pela vida humana não é apenas um valor moral, é também um fator de segurança, considerando que a Rússia não se preocupa verdadeiramente com a vida de um milhão de pessoas do seu próprio povo, isto a contar apenas com os militares. Nesse sentido, apela a um reforço das sanções econômicas, sobretudo nas questões energéticas, nas questões de petróleo. Tem sido, de resto, um apelo feito várias vezes por Volodymyr Zelensky, que diz que é preciso ser realista em relação aos que trouxeram a guerra para a Europa. Não se pode convencer a Rússia a fazer a paz, diz o presidente, mas há formas de pressão que prejudicam os responsáveis. Pede, por isso, à comunidade internacional que apoie um aumento sério das sanções contra a Rússia, que, como sabemos, os Estados Unidos têm tentado pôr aqui um travão, pelo menos no que diz respeito às medidas a tomar pela administração norte-americana.

E olhamos para o que se passa no terreno. Diana, Kharkiv foi novamente alvo dos ataques russos. Tem sido Recorrente. Há registo deste ataque de pelo menos 15 feridos.

A Rússia, desde que a Ucrânia avançou com aquele primeiro ataque, na semana passada, que atingiu aviões de combate russos, tem feito uma espécie de vingança vezes 10. Todos os dias tem havido novos ataques à Ucrânia, ataques massivos. Esta noite houve mais um. Depois de ontem terem morrido quatro pessoas na mesma cidade, em Kharkiv, e terem sido registados 60 feridos, pelo menos 60 feridos. Esta informação que o Kyiv Independent avança hoje aponta para também 15 feridos registados até ao momento, na sequência do ataque desta noite. Pelo menos quatro são crianças, segundo adiantam as autoridades ucranianas. Foram atingidas zonas residenciais, escolas, jardins de infância e ainda outras infraestruturas foram atingidas pelos bombardeamentos russos. Dezenas de carros ficaram danificados, assim como janelas de escolas. E não é a primeira vez que há escolas a serem atingidas por bombardeamentos russos, já para não falar de hospitais. E houve várias casas que ficaram destruídas, é o que adianta o autarca de Kharkiv, Ihor Terekhov, no Telegram e citado aqui pelo Kyiv Independent.

Já as forças ucranianas atacaram uma fábrica militar bem perto da cidade de Moscovo.

Trata-se de uma grande fábrica de equipamentos eletrónicos que estava envolvida no fabrico de componentes para mísseis e drones russos. Foi atacada esta madrugada pelas forças de Kiev. É o que adianta o Conselho de Segurança Nacional e Defesa da Ucrânia, citado pela Ukrinform, a agência ucraniana. O alvo fica a cerca de 40 km do centro de Moscovo. Houve registo de explosões, que foi de facto confirmado pelo parque russo, parque tecnológico Resonit, em Zubovo.

E fechamos com um estudo. Mais de 70% dos ucranianos consideram a presidência de Donald Trump prejudicial à Ucrânia.

É uma mudança acentuada em relação ao otimismo que tinha sido manifestado em dezembro do ano passado, e que tínhamos falado também aqui desse estudo. Isto antes de, querias dizer?

Não, na altura, até o próprio Donald Trump dizia que iria resolver a guerra na Ucrânia em 24 horas. Percebo, daí o otimismo dos ucranianos, suposto.

Exatamente. Antes de Donald Trump tomar posse, havia essa ideia, essa promessa de que a guerra seria resolvida-

Com um telefonema, não é?

Com um telefonema em menos de 24 horas. Era muito fácil. Certo é que passaram seis meses e face a estes não resultados, podemos dizer assim, os ucranianos perderam todo o otimismo. É o que revela uma pesquisa do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev. Apenas 16% dos entrevistados veem a liderança de Trump como positiva para a Ucrânia, claro, em comparação com os 54% que estavam otimistas em dezembro. A pesquisa revela um forte contraste entre o que os ucranianos pensam dos Estados Unidos. Noventa por cento acreditam que os cidadãos norte-americanos têm uma atitude positiva em relação à Ucrânia, no entanto, desaprovam completamente a liderança do país. Esta pesquisa foi realizada entre o dia 15 de maio e o dia 3 deste mês. Foram entrevistadas mais de duas mil pessoas de todos os pontos da Ucrânia. É um estudo que foi publicado hoje no jornal New Voice of Ukraine.

Fica por aqui a Guerra Traduzida. Nós regressamos já amanhã para passar a pente fino a imprensa, com a ajuda da Diana Rosa, para saber o que diz a imprensa russa e a imprensa ucraniana.