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Guerra traduzida. Nos próximos minutos olhamos para os jornais russos e ucranianos para saber o que dizem em tempo de guerra. Hoje com a jornalista Diana Rosa. Boa tarde, Diana.
Olá, Luís. Boa tarde.
Para começar pela imprensa ucraniana, em véspera de nova ronda de negociações de paz com a Rússia, Volodymyr Zelensky já nomeou a delegação que vai representar a Ucrânia.
A delegação, que vai ser liderada pelo secretário do Conselho de Segurança Nacional e Defesa, Rustem Umerov, inclui também representantes dos serviços de informação da Ucrânia, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e do gabinete do presidente. Zelensky garante que a posição ucraniana é completamente transparente à mesa de negociações e insiste que é a Rússia que deve pôr fim à guerra que começou e que a Ucrânia sempre foi contra. O chefe de Estado sublinha a disponibilidade da Ucrânia em trabalhar da forma mais produtiva possível, em busca de resultados concretos, e diz ainda que esta reunião de amanhã vai focar-se na troca de prisioneiros de guerra e na devolução de crianças ucranianas sequestradas, assim como vai também ser discutida a possibilidade de haver líderes internacionais presentes na nova ronda de negociações.
Isto numa altura em que a Ucrânia reivindica o ataque a uma fábrica russa que produz explosivos para a guerra.
As instalações fabricam 1 milhão de toneladas de material por ano e fazem parte da cadeia de abastecimento do complexo militar industrial da Rússia. Estão localizadas na região de Samara, precisamente em território russo. É uma das maiores produtoras destes equipamentos utilizados em bombas aéreas, também em artilharia e em mísseis. As autoridades russas fazem um relato diferente. O governador da região de Samara diz que os drones que tentaram atacar uma instalação industrial foram destruídos pelas defesas aéreas, alega que não houve vítimas ou danos a registar. De acordo com o Kyiv Post, é uma informação que não foi confirmada de forma independente, esta informação relativamente aos danos à instalação.
Outro jornal, o Kyiv Independent, publicou há instantes uma manchete de última hora que diz que o Parlamento ucraniano aprovou um projeto de lei que alegadamente destrói a independência de importantes órgãos anticorrupção.
A denúncia é feita por deputados da oposição. A legislação concede ao Procurador-Geral novos poderes sobre investigações conduzidas pelo Gabinete Nacional Anticorrupção da Ucrânia e também casos conduzidos pelo gabinete especializado anticorrupção. Duas agências que foram ontem alvo de buscas, se bem te lembras, Luís, por causa de suspeitas de infiltração russa. Vários órgãos de fiscalização alertaram que, se forem adotadas, estas emendas vão dificultar as investigações das duas agências sobre autoridades ou indivíduos próximos ao presidente Zelensky. O diretor deste serviço anticorrupção condena a legislação, afirma que esta legislação ameaça a integração da Ucrânia na NATO e espera que o diploma seja chumbado por Zelensky.
E de resto, a União Europeia já reagiu a esta notícia e sinaliza um retrocesso no combate à corrupção na Ucrânia.
O porta-voz da Comissão Europeia expressou a preocupação do bloco europeu. Diz que as agências que compõem este gabinete anticorrupção são essenciais para a agenda de reformas que a Ucrânia deve implementar e devem operar de forma independente para combater a corrupção e manter a confiança pública. Sublinha ainda este responsável que a ajuda financeira da União Europeia à Ucrânia está condicionada ao progresso em termos de transparência, também da reforma judicial e de uma governação democrática. Ainda a futura adesão da Ucrânia à União Europeia vai exigir uma forte capacidade de combater a corrupção e manter a resiliência institucional. Lembro que a corrupção é um dos maiores problemas da Ucrânia. A União Europeia, diz o porta-voz da Comissão Europeia, vai continuar a monitorizar a situação e a apoiar a Ucrânia na defesa do Estado de Direito.
Notícia em destaque na imprensa ucraniana. Voltamos já a seguir para saber o que dizem os jornais russos.