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Guerra traduzida na Rádio Observador. Nos próximos minutos vamos olhar para os destaques da imprensa russa e ucraniana em tempo de guerra. Hoje com o jornalista João Gama. Boa tarde, João.
Boa tarde, Luís.
E começamos com a imprensa de Moscovo. O Kremlin assegura que a Rússia não vai discutir uma troca de territórios. É uma resposta a Volodymyr Zelensky.
Que chega na voz de Dmitry Peskov. O porta-voz da presidência russa assegura que nunca discutiu, nem nunca irá discutir este tema. Em conferência de imprensa, Peskov afasta a possibilidade de trocar quaisquer territórios com a Ucrânia como sendo algo impossível de acontecer. Para o porta-voz do Kremlin, as unidades do exército ucraniano que estão em território russo serão destruídas e expulsas sem direito a qualquer negociação. Ainda ontem, Zelensky admitiu dar territórios que conquistou em Kursk em troca de territórios invadidos pela Rússia na Ucrânia. Isto caso Donald Trump consiga sentar os dois países à mesa das negociações. Esta é uma notícia, Luís, que está em destaque em todas as grandes publicações na Rússia, desde jornais estatais, como a TASS, aos media independentes, como o jornal Meduza.
E precisamente, João, sobre Donald Trump, o ministro russo dos Negócios Estrangeiros diz que uma conversa com Vladimir Putin irá acontecer a seu tempo.
Uma vez que, de acordo com Sergei Lavrov, o presidente russo e o presidente norte-americano já expressaram, de forma consciente, a disponibilidade em comunicar ou pelo menos de decidir quando comunicar, e é uma decisão que vão tomar sozinhos. Lavrov não tem dúvidas de quando houver informações relevantes acabarão por ser fornecidas à imprensa, mas discorda da ideia que foi levantada por alguns jornalistas nesta conferência de imprensa que o mundo está ansioso por um encontro entre estes dois chefes de Estado.
Certo é que Vladimir Putin já conversou por telefone, não com Donald Trump, mas sim com o presidente interino da Síria.
Ahmed Al-Sharaa. O Kremlin conta que, durante a conversa, Putin prometeu que a Rússia está preparada para ajudar a melhorar a situação social e económica da Síria, o que inclui, por exemplo, e à cabeça, o fornecimento de ajuda humanitária. A Rússia diz que apoia sem reservas a unidade, a soberania e a integridade territorial da Síria e que é essencial normalizar a situação no país e começar o diálogo com outros países. É importante recordar que com a queda do regime de Bashar al-Assad, a Rússia perdeu o principal aliado na Síria. Desde então, tem tentado normalizar relações com o novo governo sírio. Putin pede uma agenda de cooperação bilateral em várias áreas entre os dois países que vão, Luís, desde a economia à educação.
E João, os Estados Unidos anunciaram a libertação de um cidadão norte-americano numa troca de prisioneiros com a Rússia, mas ainda não se sabe quem é o cidadão russo que vai ser libertado.
Marc Vogel chegou esta madrugada aos Estados Unidos, onde foi recebido pelo presidente Donald Trump. Dmitry Peskov, voltamos a ele, comentou ainda hoje esta troca de prisioneiros. Diz apenas que foi libertado um cidadão da Federação Russa que está detido num local de detenção nos Estados Unidos. Será libertado nos próximos dias, mas para já, silêncio absoluto é a palavra de ordem do Kremlin. Pessimismo também do lado de Dmitry Peskov, que acredita que os acordos que levaram à libertação do norte-americano Marc Vogel não representam um ponto de viragem na relação com os Estados Unidos, apesar de pouco a pouco, diz Dmitry Peskov, contribuírem para construir uma relação de confiança entre estes dois países. Marc Vogel tinha sido condenado a 14 anos de prisão na Rússia por tráfico de droga. Alguns jornais russos apressaram-se a apontar o nome de Alexander Vinnik como moeda de troca. Está a ser julgado nos Estados Unidos. Foi condenado em 2020 a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro em França.
E os jornais independentes russos fazem eco de uma notícia do Washington Post. Mais de uma centena de civis em Kursk foram retirados para a Ucrânia.
Mais precisamente para a região de Sumy. A decisão foi tomada depois de um ataque a um prédio de um antigo colégio na cidade de Sudga, precisamente na região russa de Kursk. De acordo com ativistas no local, cerca de 110 moradores foram retirados para Sumy. O Washington Post diz ter falado com mais de 40 moradores desta região, que estão abrigados num hospital e num abrigo na cidade ucraniana de Sumy. Muitas das pessoas que foram retiradas são idosas. As famílias na Rússia esperam que possam regressar a casa em breve.
E foram estes os destaques da imprensa russa. Voltamos já a seguir com o que dizem os jornais ucranianos.