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Seguimos com mais um episódio da Guerra Traduzida, com destaque agora para a imprensa da Ucrânia. E conosco está o jornalista Vasco Maldonado Correia para começar com uma notícia na imprensa ucraniana, onde podemos ler que Vladimir Putin vive uma das melhores semanas de sempre.
Título em destaque no TSN, escreve que a semana passada não foi apenas a melhor para o ditador russo desde o início da invasão da Ucrânia, mas também na carreira política em geral de Vladimir Putin. Isto porque, de acordo com esta publicação, Putin está a voltar de Pequim com o total apoio de Xi Jinping, o líder chinês, e também do aliado norte-coreano Kim Jong-un, enquanto os inimigos no Ocidente estão a viver um caos. Escreve mesmo o TSN que Putin deixou de ser um pária global e que agora se passeia por onde quer, seja em solo americano, lembrando a visita ao Alasca, seja em solo chinês, lembrando esta cimeira que decorreu esta semana em Pequim. Analistas citados pelo TSN concordam que Putin parece ter enganado o presidente Trump no Alasca sobre a questão das garantias de segurança para a Ucrânia, tão discutida ao longo dos últimos meses. Depois das negociações, autoridades do governo norte-americano alegavam que o líder russo tinha feito concessões significativas, mas o TSN duvida que isso tenha mesmo acontecido. Diz que, na verdade, Putin fez regressar à mesa de negociações uma ideia antiga que daria ao Kremlin poder de veto sobre essas garantias de segurança e permitiria assim bloquear os esforços para proteger a Ucrânia de outra invasão russa. O jornal ucraniano garante, por isso, que Donald Trump, conhecido pela impaciência com detalhes, parece ter sido induzido ao erro por Vladimir Putin, por acreditar que a proposta valia a pena ser considerada.
E Volodymyr Zelensky garante que as tropas ocidentais vão chegar à Ucrânia aos milhares.
A notícia está em manchete no Pravda. O presidente ucraniano explica que Kiev está a discutir o envio de tropas para o país com os parceiros e que os parceiros certamente não as vão enviar em números pequenos, mas sim aos milhares, como dizias, Miguel, em conferência de imprensa ao lado do presidente do Conselho Europeu, António Costa, que está de visita à Ucrânia. Zelensky diz que não pode adiantar o número exato, é cedo para o fazer, mas que espera uma grande influência de tropas ocidentais no terreno. Falamos, claro, do anúncio feito ontem por Emmanuel Macron, de que a Coligação da Boa Vontade pretende enviar forças pro terreno pra assegurar a paz na Ucrânia e de acordo com o Wall Street Journal, que é aqui também citado pelo Pravda, o plano atual já prevê o envio de mais de 10 mil soldados, enquanto as patrulhas aéreas sobre a Ucrânia devem ser realizadas por forças aéreas estacionadas fora do país.
E os Estados Unidos podem assumir a liderança de uma chamada zona tampão na Ucrânia se o acordo de paz for alcançado.
É o que escreve o NBC News, aqui citado também pelo Pravda. Falamos numa grande zona de proteção na Ucrânia, projetada para proteger o país de novas agressões russas, que iria ser formada depois desse eventual acordo de paz. Seria uma vasta área desmilitarizada, com fronteiras ainda indefinidas dentro da Ucrânia e a separar os territórios controlados por Moscovo e por Kiev. Estas informações baseiam-se em quatro fontes familiarizadas com o plano discutido por autoridades militares dos aliados da Ucrânia, incluindo os Estados Unidos, e Washington, em parte devido à capacidade tecnológica, iria assumir a liderança no controle desta zona usando drones, satélites e outras ferramentas de inteligência em coordenação com outros países envolvidos. A região pode também ser protegida por tropas de países não pertencentes à NATO, alguns talvez surpreendentes. Para dar alguns exemplos, a Arábia Saudita, mas também o Bangladesh. Apesar disto, e isto é um pormenor importante, estas tropas norte-americanas não ficariam estacionadas em território ucraniano.
Para fechar, a Rússia continua a atacar na Ucrânia. Foi atingida uma missão humanitária de desminagem.
Na região de Chernihiv, a Força Aérea Ucraniana emitiu um alerta sobre a ameaça de um míssil balístico vindo do norte. As autoridades locais afirmam que o míssil atingiu um posto de controle próximo da entrada da vila de Novozelyvka. Míssil russo que atingiu as instalações de uma unidade de produção na cidade. O ataque teve como alvo funcionários de uma missão humanitária de desminagem que estavam a realizar, claro, a limpeza de minas nesta área. Há relatos de vítimas, de feridos, mas para já ainda sem números concretos. É uma notícia que também está em destaque no Pravda.