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A Guerra Traduzida na Rádio Observador para analisar a imprensa da Ucrânia, num trabalho com a ajuda da Tânia Olynyk. Começamos com esse conflito à margem da guerra. Está por toda a imprensa da Ucrânia os receios da Arménia e as acusações de ataques vindos do Azerbaijão. Houve uma escalada de tensão entre os dois países. O presidente da Arménia chegou mesmo a ligar a Vladimir Putin.
Sim, ele ligou ainda durante a noite de ontem. Há vários artigos sobre isto na imprensa ucraniana, a constatar que parece envolvimento de Putin e da Rússia. No TCN, um artigo tem como título: "O primeiro-ministro da Arménia acordou Vladimir Putin com um telefonema por causa dos bombardeamentos do Azerbaijão". Diz o artigo que ontem, já durante a noite, o primeiro-ministro da Arménia ligou para Putin para poder ajudar em toda esta situação. O líder da Arménia chamou a atenção e pediu que as ações do exército do Azerbaijão fossem consideradas provocativas e agressivas. O Ministério da Defesa do Azerbaijão chamou absurda à informação sobre a invasão das tropas no território da Arménia. Isto ainda durante a noite de ontem. Hoje já sabemos que efetivamente aconteceu esta troca de bombardeamentos entre Arménia e Azerbaijão.
Mas Miguel, vamos lá então perceber o que se sabe para já sobre este conflito.
Sim, há muitos artigos também na imprensa da Ucrânia sobre isto. O governo da Arménia acusa o Azerbaijão de ter feito bombardeamentos intensos. O Ministério da Defesa do Azerbaijão acusa, por sua vez, a Arménia de estar por trás de atos subversivos em larga escala em regiões fronteiriças. Diz que ficou numa posição muito hostil e que o exército teve que responder. Importa dizer que estamos há mais de 30 anos a falar de países que estão envolvidos num conflito motivados pela região do Nagorno-Karabakh. Internacionalmente, esta região é considerada território do Azerbaijão, mas é habitada maioritariamente por arménios e é gerida por um governo controlado pelas autoridades da Arménia. Ontem houve essa aumentara escalada. A Arménia já aponta para 49 mortos, pede a intervenção da Rússia. Os dois lados já se responsabilizaram pelos ataques e Moscovo diz que está a mediar esforços para que seja alcançado um cessar-fogo.
E o Azerbaijão fala também nesse cessar-fogo que já terá sido alcançado.
Sim, logo de manhã disse isso. A imprensa ucraniana tem vários artigos sobre esta situação. Disse o Azerbaijão que depois de uma provocação em larga escala pelas forças da Arménia, conseguiram alcançar um cessar-fogo logo às 09h.
E avançamos agora para as conquistas dos últimos dias. Prossegue a libertação de cidades pelas forças ucranianas. Em manchete na imprensa da Ucrânia, um relatório publicado hoje no Washington Post.
Um relatório que escreve o seguinte: "Representantes dos serviços de segurança norte-americana não descartam que, após uma bem-sucedida contraofensiva das Forças Armadas da Ucrânia, que as tropas russas sejam obrigadas a entregar outros territórios capturados". Ora, é esta a citação que surge em vários artigos ucranianos. Recorrem para artigos de hoje sobre avanços no terreno. O TCN, por exemplo, tem um artigo com mais análises de diferentes publicações ocidentais. Escrevem: "As autoridades ocidentais dizem que a contraofensiva ucraniana pode ser um ponto de viragem na guerra, pode aumentar a pressão sobre o Kremlin para convocar forças adicionais em Moscovo". Estamos aqui a falar de mobilização, isto se quiserem impedir novos avanços das Forças Armadas Ucranianas. Voltando aqui a citar autoridades dos Estados Unidos da América, o TCN escreve: "Certamente há aqui um fracasso militar russo. Não se pode chamar isso de um grande fracasso estratégico neste momento, mas há um fracasso militar". O artigo conclui que os sucessos das Forças Armadas Ucranianas inspiram um otimismo renovado de que as forças da Ucrânia podem recapturar ainda mais território nas próximas semanas e potencialmente expulsar os russos das terras que tinham desde o início da guerra.
O exército ucraniano que aponta agora para centenas de crimes de guerra a serem identificados.
Sim, à medida que vão avançando no terreno, à medida que vão recuperando terreno, vão identificando mais crimes de guerra. Vimos isto acontecer, por exemplo, em Bucha, quando acabou essa ofensiva para Kiev. Agora vemos acontecer noutros territórios, mas continuamos a falar aqui na zona de Kiev, porque as Forças Armadas da Ucrânia estão a identificar por dia cerca de 200 crimes de guerra cometidos pelos russos. É assim que começa este artigo da Pravda ucraniana, que refere também que mais de 70 mil quilômetros quadrados em 10 regiões estão completamente minados. O artigo cita as Forças Armadas da Ucrânia e diz que as forças de defesa estão a tomar medidas para devolver a vida pacífica às comunidades que foram libertadas o mais rápido possível, mas apontam para muito trabalho pela frente, principalmente nesta região de Kharkiv e estas regiões que estão a ser agora controladas. Diz que há muito trabalho, principalmente para avançar com a desminagem.
E para fechar, um vídeo que circula pelos órgãos de comunicação social e pelas redes sociais, que fala aqui num massacre em Bucha.
O caso é denunciado pelo chefe da polícia de Kiev. Como vemos, ainda há casos a serem identificados perto de Kiev e já não há essa ofensiva há vários meses. Durante a ocupação de Bucha, os invasores russos executaram vários civis que se tentavam esconder numa garagem. É o que diz o chefe da polícia de Kiev. É descrito que os russos mataram todos os civis que estavam nesta garagem e depois queimaram os corpos dentro da garagem. No vídeo vê-se este edifício completamente queimado. Surge a falar o chefe da polícia de Kiev e são mostradas algumas zonas neste vídeo, mas são mostradas, claro, desfocadas, onde estão os corpos, onde foram encontrados os corpos. Explica aqui Nebitov, que é o chefe da polícia de Kiev, que as balas que encontraram sobre a porta da garagem indicam que o tiroteio aconteceu e o tom roxo dos ossos indica que os corpos foram encharcados com combustível e depois queimados. Nebitov diz que está longe de ser o único local de execução em massa onde os russos tentaram esconder os vestígios das atrocidades que cometeram.
E termina desta forma esta Guerra Traduzida. Miguel Cordeiro, obrigado. Destaque aqui para a imprensa da Ucrânia, num trabalho que contou com a ajuda de Tânia Olynyk.