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Último episódio do ano de Guerra Traduzida na Rádio Observador. Vamos nos próximos minutos analisar a imprensa da Rússia e da Ucrânia neste dia 29 de dezembro, dia 674 da invasão. Hoje vamos começar com os jornais da Ucrânia. É um trabalho do jornalista João Filipe Cruz. João, boa tarde.
Boa tarde, João.
Contaste com a colaboração da Tânia Olynyk. João, é inevitável. Foi uma madrugada e manhã de sobressalto em solo ucraniano com múltiplos ataques russos. O número de mortos já supera os 20.
Vinte e três, pra ser mais preciso, a contagem ainda não está fechada. O número é adiantado pelo governo central e também pelos vários governadores das várias regiões que foram atingidas e os dados estão a ser citados pelo jornal Pravda. Para além dos 23 mortos, há ainda registro de mais de 130 feridos. Em Kiev, na capital, quatro pessoas morreram, 30 ficaram feridas. Em Dnipro, há o registro de três mortos e 15 feridos, entre eles um bebê de ano e meio. Em Odessa, há também três mortos contabilizadas e 22 feridos, duas crianças e uma grávida. Kharkiv também conta, pra já, três mortos. E finalmente, em Zaporizhzhia, há seis mortos e 12 feridos neste ataque de madrugada e de manhã. As tropas russas utilizaram perto de 160 meios aéreos, vários entre drones e mísseis.
E a Força Aérea Ucraniana, João, sublinha que Moscou usou grande parte da variedade disponível no arsenal.
E estava a voar de tudo um pouco, de acordo com o porta-voz da Força Aérea da Ucrânia, citado pelo Pravda. Yurii Ihnat garante que viu de tudo, menos mísseis Kalibr. O responsável assegura também que há muito que não via tantos mísseis nos monitores dos radares que acompanham a atividade pelos céus da Ucrânia e salienta que o alerta ainda está, obviamente, vermelho no mapa ucraniano e deixa um apelo pra que todos sigam o protocolo de segurança e fiquem dentro dos abrigos.
Do outro lado, Moscou faz uma declaração cínica sobre os ataques, pelo menos de acordo com a imprensa ucraniana.
É, mais concretamente, o jornal TSN, que faz precisamente essa leitura no título da notícia sobre o comunicado que saiu do Kremlin, mais precisamente do Ministério Russo da Defesa, que divulgou que nesta semana foram bem-sucedidos ataques de 50 grupos terrestres e um grande ataque de armas de alta precisão, este de madrugada e também da parte inicial da manhã. De acordo com o Kremlin, os alvos eram infraestruturas da indústria militar ucraniana e todos foram atingidos.
Fechamos com a leitura da imprensa de Kiev sobre o que apelida de uma série de mortes misteriosas na Rússia.
A última de Vladimir Egorov. Soubemos disso ontem. O aliado de Vladimir Putin e deputado da Duma pelo partido governante Rússia Unida, foi encontrado morto em Tobolsk, uma cidade da Sibéria, depois de alegadamente ter caído da janela de casa do prédio onde vivia no terceiro andar. Egorov tinha 46 anos, foi vice-presidente da Duma na cidade de Tobolsk, chegou ao governo em 2007 e no ano passado tornou-se um dos deputados mais ricos da cidade. O jornal ucraniano TSN escreve que continua a onda de mortes misteriosas na Federação Russa. Cita jornais ocidentais, nomeadamente o The New York Post, que escreveu que Egorov pode ter sofrido problemas cardíacos antes da queda fatal, e sublinha que este aliado de Vladimir Putin tinha sido forçado a demitir-se da administração da cidade da Sibéria há cerca de sete anos devido a um escândalo de corrupção pelo qual não foi condenado. O jornal ucraniano lembra também a morte do diplomata Mykola Kobrynets, que foi encontrado morto num hotel em Istambul, onde ia participar numa ceia entre embaixadores de vários países, mas não chegou a aparecer nas reuniões que estavam agendadas pra manhã de 12 de outubro.
A onda de mortes estranhas no fecho deste episódio de Guerra Traduzida. Já a seguir olhamos para a imprensa da Rússia.