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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos nos próximos minutos falar da imprensa ucraniana de hoje, sexta-feira, dia 15 de dezembro. O trabalho do João Filipe Cruz, jornalista com colaboração de Tânia Oleinik. João, começamos com um vereador ucraniano que detonou granadas numa reunião da autarquia.

Está em todo lado, Miguel. Não adianta estarmos a referir especificamente um jornal ucraniano, porque está de facto em todo lado. Vinte e seis pessoas ficaram feridas, incluindo esse vereador. Aconteceu na comunidade de Kereçk, na Transcarpática, que fica na região de Zakarpattia. De acordo com a televisão pública ucraniana, o homem em questão é Sergei Batrin, é vereador pelo partido do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Seis pessoas foram levadas pro hospital com ferimentos graves, de acordo com a polícia local. As imagens do momento captadas por uma câmera de vigilância estão a ser partilhadas, foram partilhadas pela polícia, encaminhadas para o Serviço de Segurança da Ucrânia e este caso está a ser tratado como um possível ato terrorista. O homem é visto entrar na sala onde a reunião estava a decorrer, encosta-se à porta, ainda espera alguns segundos, está com as mãos nos bolsos e depois tira-as dos bolsos e mostra duas granadas antes de as lançar ao chão. Seguiram-se várias explosões que encheram a sala de fumo. Várias pessoas ficaram no chão. O meio de comunicação local, o Zakarpattia 24, partilhou o vídeo onde o atacante se queixava dos autarcas locais. O mesmo jornal que avança que Batrin já tinha tido conflitos com colegas sobre um aumento salarial para o presidente da autarquia durante a guerra. Antes de detonar as granadas, teria estado alegadamente a discutir com os colegas sobre exatamente o mesmo tema, mas ninguém terá tomado o partido deste vereador, que saiu então da sala, voltando mais tarde com as granadas. Há vídeos, aliás, o vídeo captado pelas câmeras de vigilância estão a ser partilhados também pelos vários sites ucranianos.

Entretanto, a entrada da Ucrânia na União Europeia vai ser adiada, é o que escreve o britânico The Times. É um artigo que faz eco na imprensa ucraniana.

Nomeadamente no jornal TSN, pode ser adiada até pelo menos 2030. Os autores sublinham que os desacordos que têm surgido entre os Estados-membros e sugerem que esses desacordos não passam de tricas quando há um custo associado à entrada da Ucrânia e que o custo pode exceder os 180 mil milhões de euros. Mas não se fica por aqui. A maior parte dos países terá também medo de perder o direito de veto em matérias como orçamentos futuros ou eventuais outras expansões do bloco comunitário. E outro dos problemas levantados neste artigo é o facto de a Ucrânia fazer parte da esfera geopolítica, primeiro da Europa, obviamente, mas também fazer parte da esfera dos Balcãs Ocidentais, da Turquia e do Cáucaso, e de haver também a possibilidade de, se vier à baila, poder pressionar para que a Sérvia, a Albânia e a Bósnia entrem também na União Europeia. Estes são alguns dos problemas elencados pelo The Times para este adiamento até à próxima década, a entrada da Ucrânia na União.

Sobre o recrutamento para o exército, menos de 7 mil ucranianos fizeram o registo como voluntários.

É uma notícia que está em destaque na secção da economia do jornal Pravda, voluntários pra guerra. 6734 pessoas estão registadas. O número é já do início deste mês de dezembro. É um aumento de pouco mais de 700 pessoas relativamente a dezembro do ano passado. Isto significa que num ano, 700 pessoas inscreveram-se como voluntários. O jornal lembra que em novembro de 2022, o Parlamento aprovou uma lei que isenta estas pessoas de pagarem impostos, mas destaca no título que apenas menos de 7 mil ucranianos estão registados como voluntários para a guerra contra a Rússia.

Terminamos com a pena de prisão perpétua para uma médica que entregou soldados ucranianos feridos às tropas russas.

A notícia é do Pravda. A sentença foi lida em Donetsk, mas tudo aconteceu em Mariupol. A oftalmologista Valentina Chekova estava num hospital da zona ocupada pelos russos. Durante as batalhas de março do ano passado, entregou sete militares ucranianos gravemente feridos. De acordo com a investigação, o staff médico, antes de tudo isso acontecer, destruiu as provas da presença desses militares. Destruiu as armas ou escondeu as armas, destruiu as insígnias deles, as fardas, enfim, tudo isso. E registraram-nos como civis antes de o hospital ter sido tomado por militares russos que estavam à procura de soldados ucranianos que estivessem eventualmente internados ou a serem acompanhados. O tribunal entende que Chekova, sabendo que os militares corriam perigo, entregou-os, ainda assim, de forma voluntária. Depois de os ter entregado, o tribunal acrescenta que Chekova, a oftalmologista, fez uma visita guiada aos militares russos e mostrou claramente onde estavam os sete ucranianos feridos, que foram depois levados para uma câmara de tortura russa que, tal como o nome indica, foi lá onde terão sido torturados de forma violenta. Ainda de notar que esta oftalmologista terá denunciado também um dos médicos que tentou ajudar os militares ucranianos. O médico conseguiu, entretanto, escapar porque houve uma mudança nos seguranças russos que vigiavam a equipe e o staff médico. A traidora, como é descrita, está atualmente numa zona que está temporariamente ocupada pelos russos. Ainda assim, o tribunal admite que estão a ser tomadas medidas para levá-la o quanto antes à justiça.

Termina aqui esta "Guerra Traduzida".