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"Guerra Traduzida", estamos de regresso com o João Gama. Destaque agora também para a imprensa ucraniana. Vamos olhar ao outro lado e a começar com uma notícia que faz manchete em vários meios de comunicação de Kiev. Falam de uma noite de explosões na Rússia.

Causada por contra-ataques ucranianos na região de Krasnodar. O portal TSN conta que, durante a noite, as Forças Armadas da Ucrânia e os serviços secretos realizaram duas operações especiais, um ataque a uma refinaria e um ataque a um campo de treino de drones Shahed. Foram desenhados, fabricados no Irã, operam como drones suicidas ou kamikaze em ataques por toda a Ucrânia desde o início desta guerra. Um armazém com drones iranianos foi atacado junto aos quartéis onde vivem soldados russos em Yeysk. Ao mesmo tempo, três refinarias russas foram atingidas. De acordo com a imprensa ucraniana, são as principais refinarias no sul da Federação Russa e responsáveis por produzir combustível para a frota de Moscovo, que está neste momento no Mar Negro. Feitas as contas, esta noite a Rússia foi atacada por mais de 100 drones ucranianos, atingiram um armazém de drones e refinarias de petróleo. Uma fonte bem informada junto deste ataque conta a este meio de comunicação, o portal TSN, que prevê um verão quente nas regiões fronteiriças entre a Rússia e a Ucrânia.

Continuemos então a folhear os jornais que são da Ucrânia e basicamente encontramos aqui, João, a notícia de um novo chefe do Departamento de Segurança de Estado.

Oleksiy Morozov. O decreto entra hoje em vigor, mas para compreendermos esta nova nomeação, temos também que recuar no tempo. O jornal Pravda faz-nos essa mesma cronologia. A 7 de maio, o Serviço de Segurança anunciou o fracasso de uma tentativa de assassinato de Volodymyr Zelenskyy e outros altos cargos ucranianos. Os serviços secretos de Kiev identificaram dois coronéis da Guarda do Estado como culpados de traição e cúmplices de um ataque terrorista. Apenas dois dias depois, Zelenskyy demitiu Serhii Rudyi, ele que liderava a segurança do Estado ainda antes do início da guerra, desde 2019. Hoje é conhecido o seu sucessor, vai ter no caderno de encargos a segurança do presidente da Ucrânia e outros altos funcionários, assim como a proteção dos edifícios e das instalações de autoridades estatais da Ucrânia. É uma tarefa que sabemos que vai ser difícil. Em novembro, o próprio Volodymyr Zelenskyy fazia as contas e contava à imprensa internacional pelo menos cinco tentativas de assassínio desde o início da guerra com a Rússia.

E na Ucrânia surge também o receio de que a Rússia esteja a aumentar a produção de armamento. Moscovo terá atingido a Ucrânia com um novo tipo de bomba.

Foi utilizada ontem, pela primeira vez, uma bomba aérea que pesa mais de uma tonelada, tem um raio de destruição de qualquer coisa como 230 metros e um raio de explosão de 1200. A FAB 3000 foi utilizada contra um ponto de concentração de tropas ucranianas, isto na região de Kharkiv, no nordeste do país. Este tipo de bombas, que são equipadas com o seu próprio sistema para deslizar e corrigir movimentos, permite aos aviões russos atacar alvos a uma distância de cerca de 70 km, ou seja, evitando as defesas antiaéreas dos ucranianos. As Forças da Armada da Ucrânia pretendem lutar contra estas armas com a ajuda de caças F-16. O primeiro deverá aparecer nos céus da Ucrânia já este verão.

Fechamos agora com uma notícia que nos faz pelo menos sorrir um pouco. Há esperança na guerra na Ucrânia, mesmo para os animais.

É uma história de duas baleias brancas, belugas, que foram retiradas de um oceanário ucraniano em Kharkiv, isto por causa do aumento dos bombardeamentos russos. Falávamos agora disso mesmo, mas têm agora uma nova casa. É uma notícia que está a ser partilhada também no Pravda, mas foi primeiro avançada pelo jornal norte-americano New York Times. Vão viver para Valência, em Espanha, para aquele que é o maior oceanário da Europa. Queres adivinhar aqui o nome de alguma destas baleias?

Não faço ideia.

Plombir tem 15 anos, Miranda tem 14. Era fácil de adivinhar.

Era fácil. Era.

Viviam no oceanário Nemo, em Kharkiv, bem longe do seu habitat natural, que é o Ártico. Precisam de água gelada para sobreviver. Com estes ataques à rede de energia de Kharkiv, a manutenção deste oceanário ficou cada vez mais difícil. A evacuação durou qualquer coisa como 36 horas. Foram transportadas estas baleias até à Moldávia em caixas e depois embarcaram num avião de carga especial até Espanha, grande o suficiente para vir equipado, imagina, com o seu próprio guindaste.

Bela história para fechar. Fica então por aqui este episódio da "Guerra Traduzida". Regressamos então para a semana, João. Um grande abraço.

Um abraço.

Um abraço.