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"Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Nos próximos minutos falamos sobre as principais notícias que estão em destaque na imprensa ucraniana, hoje com o jornalista Martim Madeira. E no lado russo, Martim, começamos pelas eleições na Arménia. O Kremlin denuncia violações grosseiras e repressão nas eleições arménias.
Moscovo não aceita os resultados eleitorais em Ierevan. A porta-voz Maria Zakharova afirmou hoje que o voto na Arménia ocorreu sob uma pressão severa sobre a oposição e com interferência ocidental descarada. Para a diplomacia russa, o processo democrático foi grosseiramente violado, sugerindo que esta vitória de Pashinyan não é legítima. Esta retórica serve para preparar o terreno para sanções económicas ou restrições comerciais contra a Arménia, como Moscovo já tinha começado a avisar, num esforço para travar a deriva ocidental do antigo aliado, é o que escreve o Moscow Times.
Lavrov ataca a falta de etiqueta de Zelensky e recusa qualquer negociação.
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Sergey Lavrov, foi contundente nas palavras de hoje. Afirma que a Rússia rejeita desde o início as iniciativas de paz europeias e ucranianas. Lavrov ridicularizou a recente carta aberta de Zelensky a Putin, chamando-lhe de uma violação de protocolo e um gesto impolítico. A mensagem russa está a ser clara e repetida nos canais estatais: o destino da guerra será decidido no campo de batalha e não em reuniões em Londres ou através de missivas públicas. Moscovo mantém que qualquer diálogo só existirá se Kiev aceitar as realidades territoriais impostas pela Rússia.
E os jornais russos falam de um ataque terrorista em território russo.
A imprensa russa abre o dia com relatos de um ataque dramático na Crimeia. Um drone ucraniano atingiu um comboio de passageiros que fazia a ligação Moscovo-Simferopol, provocando a morte do assistente do maquinista e forçando a suspensão imediata do serviço ferroviário na península. O Kremlin classifica o ato como terrorismo puro, acusando Kiev de visar deliberadamente infraestruturas civis. Este incidente é usado para justificar o endurecimento das medidas de segurança e a intensificação dos ataques de retaliação contra centros de decisão em Kiev, enquanto a população russa está a ser instada a manter a vigilância.
E para finalizar, Martim, os jornais russos escrevem sobre inteligência artificial. Uma estrela pop chamada Z usa deepfakes contra o que os jornais chamam de agentes estrangeiros.
Há uma curiosidade tecnológica que diz muito sobre o clima social na Rússia de hoje. Uma notícia do Moscow Times. Shaman, o cantor favorito do regime, é o que dizem os jornais, lançou um novo videoclipe onde usa inteligência artificial para criar deepfakes de figuras russas exiladas, forçando-as, na ficção, a integrar o seu coro patriótico. O Moscow Times escreve que é uma forma de humilhação digital contra aqueles que o Kremlin rotula como agentes estrangeiros. Ao mesmo tempo, o Kremlin admite estar assustado com os avanços da vigilância por IA a nível global, tentando isolar os seus próprios sistemas de segurança da internet para evitar vulnerabilidades externas.
Está feita a edição de hoje de "Guerra Traduzida". Fica daqui a pouco disponível em podcast e também no nosso site.