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Mais um episódio de "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Vamos agora olhar para a imprensa da Ucrânia, um trabalho do jornalista Rui Casanova, com a colaboração de Tânia Oline. Rui, o presidente ucraniano afirma que está preparado para os ataques da Rússia a infraestruturas de energia.

"Este ano não só vamos defender-nos, como vamos também responder". É o aviso deixado por Volodymyr Zelensky à Rússia numa publicação nas redes sociais, aqui citada pelo jornal ucraniano Pravda. Com o aproximar do inverno, com o tempo mais frio na Ucrânia, o líder ucraniano avisa que é normal um aumento dos ataques da Rússia a infraestruturas críticas de energia, avisos que têm sido repetidos por várias autoridades ucranianas. Ainda assim, Zelensky afirma que as tropas ucranianas estão prontas e que vão responder a estes possíveis ataques da Rússia.

E Rui, já falámos disto no episódio da "Guerra Traduzida" versão Rússia hoje, esta quarta-feira. E vemos agora também esse ataque perto de uma central nuclear ucraniana no "Guerra Traduzida" versão Ucrânia.

Exatamente. É uma notícia não só em destaque na imprensa russa, mas também naturalmente na imprensa ucraniana. As tropas russas atacaram na última madrugada uma região perto da central nuclear de Kamianetski, uma cidade ucraniana. São informações do Ministério da Energia da Ucrânia, aqui citadas pelo jornal Pravda. Na sequência deste ataque, ocorreu uma explosão e vários edifícios ficaram danificados e 16 moradores ficaram feridos. A central nuclear foi mesmo atingida por restos de um drone russo. Também na sequência deste ataque, houve vários danos, vários estragos em linhas energéticas, o que fez com que quase 1900 civis ucranianos ficassem sem energia elétrica em casa em duas cidades à volta de Kamianetski. Essa é uma notícia também em destaque na imprensa ucraniana.

Voltamos a olhar para o conflito entre Israel e o Hamas, que ganha também destaque na imprensa ucraniana. E passo a citar um título do canal TSN, que é bastante elucidativo do que se tem passado: "Como a escalada no Médio Oriente já está a distrair o Ocidente da guerra da Rússia contra a Ucrânia", Rui.

Sim, esta é uma questão que temos falado muito ao longo dos últimos dias aqui na "Guerra Traduzida". Estará ou não este conflito em Israel a desviar as atenções da guerra na Ucrânia? O canal TSN procura responder a essa pergunta e este canal ucraniano faz um longo resumo do que se tem passado no Médio Oriente e na Ucrânia. Cita declarações e entrevistas de vários líderes mundiais, como por exemplo Joe Biden ou Emmanuel Macron, entrevistas essas a vários órgãos de comunicação social, e destaca alertas da Ucrânia. Os armazéns do país estão vazios, armazéns que antigamente continham alimentos, há falta de munições e também a instabilidade política no Congresso norte-americano impede a atribuição de mais fundos. São estes os alertas neste artigo deste canal ucraniano.

E avança com soluções?

Sim, passo a citar o último parágrafo deste longo artigo, que no fundo faz um resumo e procura responder: "Precisamos de mudar as nossas abordagens na comunicação com o Ocidente. O que funcionou durante o primeiro ano de uma invasão em grande escala, já não funciona agora". É este o resumo feito por este artigo do TSN, que acrescenta que fala-se cada vez mais no Ocidente sobre a necessidade de uma abordagem mais pragmática para ajudar a Ucrânia, visto que Vladimir Putin parece estar interessado numa guerra longa e de desgaste e, por isso, conclui o TSN, um simples apelo à vítima da agressão russa face à constante morte de muitos ucranianos já não é suficiente. Ou seja, no fundo, este artigo sugere que, face ao estalar de um outro conflito no Médio Oriente, é preciso mudar a abordagem, mudar a comunicação, a forma como as autoridades ucranianas comunicam com o Ocidente, abordagem essa que, defende este artigo, tem que ser mais pragmática.

E terminamos com um inquérito. A maioria dos ucranianos vê desenvolvimentos positivos na luta contra a corrupção.

Sim, mais de metade dos ucranianos acredita que há tentativas de superar a corrupção na Ucrânia e que há mesmo desenvolvimentos positivos nesse sentido. É o que indica um inquérito, um estudo do Instituto Internacional de Sociologia de Kiev, que decorreu entre 29 de setembro e 9 de outubro. Estas conclusões estão em destaque num artigo do jornal ucraniano Pravda. Os inquiridos destacam, no sentido positivo, as recentes notícias sobre detenções de cidadãos corruptos na Ucrânia. Ainda assim, um terço dos cidadãos ucranianos está convencido de que não foram feitas quaisquer mudanças no sentido de lutar contra a corrupção na Ucrânia. De recordar que este é um dado importante, visto que é um dos fatores que têm impedido a adesão da Ucrânia à União Europeia.

E é com este inquérito que fechamos este episódio de "Guerra Traduzida" na Rádio Observador. Estamos de regresso amanhã.