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Esta é a história do dia da Rádio Observador. Adriano, o israelita que esteve 12 horas trancado num bunker. A deputada Merav Ben-Ari discursava no Knesset, o Parlamento israelita, quando foi interrompida pelo aviso de bombardeamento. Os deputados tiveram de recolher a local seguro. A sessão acabou por ser retomada mais tarde. Israel é hoje um país em guerra, que vive na expectativa de uma contraofensiva. Neste episódio, conversamos com um israelita que vivia a 12 km de Gaza. É o relato de uma das partes deste conflito, que nos permite perceber como o país está unido na necessidade de exterminar o Hamas, com os danos colaterais que isso implica. Antes da conversa, fica um aviso: usamos sons retirados de vídeos gravados durante os ataques do dia 7 de outubro. Estes sons podem ferir os ouvintes mais sensíveis. Eu sou o Ricardo Conceição e esta é a história do dia. Bem-vindo, Adriano.
Olá, Ricardo.
Adriano, prefere ser tratado por Adriano ou por Aron?
Pode ser Adriano, pois esse é meu nome em português, então estamos falando em português, vamos falar com meu nome em português mesmo.
Eu queria começar por lhe pedir que se apresentasse. Quem é o Adriano, que idade tem, onde vive, qual é a sua profissão?
Pois não. Como disse, meu nome é Adriano, eu sou brasileiro, nascido em 71. Sou formado pela Escola Politécnica de Engenharia Eletrônica da USP. Mais ou menos cerca de 26 anos atrás, por vários motivos, eu emigrei pro estado de Israel. Conheci aqui a minha esposa, mais pra frente me casei. Hoje nós temos, graças a Deus, quatro filhos, três meninas e um menino. Fora isso, somos uma família normal, uma família como qualquer outra família aí que vocês conhecem no Brasil, no mundo, em Portugal.
E onde é que vive, Adriano?
Ok, nós vivemos no que é chamado aqui em Israel, um moshav. Um moshav seria um pequeno vilarejo. Nós vivemos num vilarejo chamado Moshav Sha'ar Efrat, que é um vilarejo que fica a cerca de 12 km na área de Gaza. Nós somos considerados como parte da região periferal à Gaza. Infelizmente, estávamos bem perto da área que foi atacada.
Como foi aquela manhã de sábado, 7 de outubro, o dia do ataque?
Sim. Bom, no sábado, é um dia que em Israel, eu não sei se você sabe, mas nós respeitamos o Shabbat, que é o chamado Shabbat, que é um dia sagrado. Isso está escrito aí na Bíblia. Eu sei que vocês são cristãos aí em Portugal, então vocês devem conhecer o Shabbat, está escrito na Bíblia, na porção do Gênesis. Então é um dia que nós não usamos a eletricidade, inclusive. Isso é muito interessante. O Shabbat você não pode fazer nenhuma atividade, você se dedica basicamente à família e a Deus e a orar.
Não pode trabalhar, é isso?
Não pode trabalhar, não usa eletricidade, várias outras coisas. Por exemplo, nós não usamos o telefone no Shabbat, nem o celular, muito menos a televisão. Mas o que acontece? Por causa da situação, que geralmente é complicada, a gente não usa o telefone, mas existe um aplicativo que a gente deixa ligado, uma app do celular, que toca em caso de alarmes. Infelizmente, isso é uma coisa que a gente está, de certa forma, até que quase que habituado em Israel, ter sirenes. Nossas crianças já sabem o que têm que fazer, eles ouvem a sirene, eles correm pra baixo. A gente tem na nossa casa um porão, que é um porão abrigo, um abrigo antibombas. Infelizmente, é uma coisa que as casas aqui em Israel têm que ter. Então me lembro bem, era por volta de 6h30 da manhã, minha mulher me acordou, ela falou: "Adriano, escuta, está tendo bombas, mas é bombas em Modi'in, em Tel Aviv, em Jerusalém". Isso, embora seja uma coisa que a gente é acostumado a ver bombas, a gente não estava acostumado com isso, porque geralmente nunca acontece numa velocidade tão rápida. Geralmente começa com uma bomba aqui, depois mais duas, mais três, e a coisa vai crescendo aos poucos. Dessa vez foi totalmente diferente, foi um ataque violento de bombas, foi uma coisa exagerada.
Eram milhares, não eram milhares de foguetes.
Sim. De imediato, a gente já imaginou que isso aí ia acabar sendo uma guerra. A gente já imaginou que ia ser uma guerra, mas a gente ainda não estava entendendo a situação. Quer dizer, a gente pensou que isso aqui era um bombardeio. Isso é uma coisa que a gente sabe, pra falar a verdade, infelizmente, o bombardeio a gente vai, se tranca na casa de bombas e nada mais. Então, o que eu fiz? Eu de imediato liguei pro meu pai, que meu pai é idoso. Ele mora na região de Modi'in, falei: "Pai, olha, está tendo bombardeio, vocês vão pro abrigo, pro abrigo antibombas". Aí ele falou, tal. E aí já imediatamente, ao mesmo tempo, minha mulher correu, pegou a minha filha, a nossa bebê de três anos, correu com ela pro abrigo, corri no quarto das crianças, falei pra eles: "Guerra, guerra, guerra, vamos pro abrigo agora". Geralmente as crianças é difícil acordar, principalmente no sábado, que é o dia livre. Então você quase não consegue acordar eles antes das 9h. Mas no que eles ouviram: "Guerra, guerra", as minhas duas maiores meninas, uma tem 15 e a outra tem 13, já automaticamente desceram correndo. O menino ainda mais devagar, falei: "Vem cá que eu te carrego", que ele é um pouco menor, ele tem 10 anos, falei: "Vem cá que eu te carrego". Ele falou: "Não, deixa que eu vou sozinho". Já saí mandando, fomos todo mundo pro abrigo antibombas. Mas infelizmente isso aí era só o começo da história. Alguns momentos depois, a gente começou a ouvir informações de que eventualmente estavam tendo infiltrações de terroristas. Eu não sei exatamente como foi que minha mulher me falou, imagino que talvez ela tenha recebido uma mensagem pelo WhatsApp. Ou seja, uma vez que a gente entendeu que existia aqui um problema, um risco de vida, nesses casos, então a gente sim vai usar o telefone, mesmo no Shabbat. Então aí, sim, minha esposa começou a receber mensagens no telefone, avisando pra se trancar nas casas, que existia o risco de estar tendo uma infiltração de terroristas. E aí a gente se trancou na casa. Chegamos a ouvir tiros, ao que nos parece de metralhadoras semiautomáticas, o que geralmente não é usado pelo exército de Israel, ou seja, provavelmente terroristas de fato. Nesse meio tempo também, uma outra coisa que aconteceu é que a rede elétrica foi bombardeada, a gente não sabe exatamente onde, mas desde por volta das 11 até as 18h, a gente ficou sem energia elétrica em casa. E chegou uma hora que começou, inclusive, a escurecer. A gente já estava usando o celular pra poder iluminar o que pudesse. A eletricidade foi restaurada só mais tarde. A gente nesse meio tempo ficou praticamente o tempo todo trancados em casa.
Quanto tempo ficaram trancados?
Cerca de 12h no total, com alguns intervalos. A gente de vez em quando saía, mas logo voltavam a dizer: "Não, e está tendo infiltração e não está tendo". Ficou uma situação muito não clara. Então a gente não sabia o que estava acontecendo e também não tinha como ver na televisão, porque não tinha eletricidade também.
E conhece pessoas que foram alvo de ataque?
É, infelizmente, sim. Minha esposa acabou de voltar do enterro de uma mãe de um amigo nosso, o nome dela era Shoshana, ela era a mãe de um amigo da minha mulher, de nome Eldar. Inclusive a Shoshana era filha de sobrevivente do Holocausto. Isso eu lembro bem. Eu lembro que o Eldar, que é esse conhecido nosso, passou uma mensagem pelo SMS mesmo, que a mãe dele tinha sido morta, tinha sido baleada. É uma situação absurda. A mãe dele tinha sido baleada, o pai dele foi ferido e eles não tinham nem como resgatar, porque eles estavam sob um forte ataque de terroristas e as tropas estavam tentando chegar e não conseguiam chegar. Eles viviam, pelo menos no momento, infelizmente, bem mais perto, a poucos quilômetros da fronteira.
E o Adriano, como é que descreve o seu dia a dia normal? Vamos pensar antes de 7 de outubro. Como é que era o seu dia a dia e o dia a dia normal da família? Já explicou que as crianças estão habituadas aos alertas e aos avisos.
Sim. O nosso dia a dia fora isso é normal. Eu trabalho como engenheiro eletrônico pra uma companhia grande. Minha mulher trabalha pra uma outra companhia como analista de negócios, e os filhos vão pra escola, normal. E há uma semana que a gente já não está mais morando na nossa casa. A gente saiu de casa, inclusive há mais de uma semana. O tempo aqui passa, a gente já nem se dá conta do tempo. No domingo, quando teve a primeira oportunidade, nós evacuamos a nossa região e agora nós estamos na região central de Israel.
Estão onde? Estão num hotel, numa casa?
Nós estamos num hotel na região de Netanya, várias famílias da região foram transferidas pra esse hotel, porque de fato, várias cidades de Israel foram evacuadas, justamente, algumas pelo próprio exército, que disse pra se retornar, e algumas outras porque as pessoas, por vontade própria mesmo, já pegaram o carro e se mandaram.
Ou seja, não é seguro, nesta altura, viver na sua casa, teve de sair de casa para outra região.
De fato. Infelizmente.
Já voltamos à conversa com Aaron Adriano Lescovitz, um cidadão israelita que vivia a cerca de 12 km da fronteira com a Faixa de Gaza. Regressamos à conversa com Aaron Adriano Lescovitz, engenheiro, vive em Israel, onde está há 26 anos. Explique-nos um pouco melhor, porque pra realidade portuguesa, tudo isto é muito diferente. Tem uma casa segura, tem um quarto seguro na cave de casa, é isso?
Sim. Para as casas que foram construídas nos últimos anos, e a nossa casa foi construída há mais ou menos oito anos, isso é uma requisitação. Para você poder construir a casa, você é obrigado a construir o que eles chamam, mas não sei como traduzir isso pro português, em hebraico é o que a gente chama de mamad, é um quarto seguro. As paredes dele são feitas de concreto maciço. Ele tem várias blindagens, quer dizer, a porta é uma porta de ferro, uma porta pesada. A janela dele também é uma janela de ferro, que seria à prova de bombas.
Mas não é à prova de um ataque de pessoas a pé, de uma infiltração a pé.
Ele funcionaria até certo ponto. No ataque do Hamas, algumas pessoas realmente se trancaram nos mamads, nesses abrigos. Algumas conseguiram escapar dessa forma, mas eles fizeram várias coisas. Primeira coisa, eles tinham aí, eu não sei como se fala isso, tipo aqueles foguetes de ombro. Eles usaram isso pra abrir e incendiar as casas, eles estouraram a porta do mamad. Em outros casos, eles puseram fogo e forçaram, de certa forma, as pessoas a saírem, ou as pessoas foram queimadas dentro. Ou se asfixiaram. Inclusive, uma outra coisa que eles fizeram, não me lembro exato em qual kibutz, que eles pegaram uma das pessoas e falaram: "Você vai lá e fala pra eles abrirem a porta que a gente não vai fazer nada, porque senão a gente vai matar todo mundo e não sei o quê. E se você abrir, a gente não vai fazer nada". E quando os caras abriam, eles eram eventualmente mortos, mulheres foram estupradas, famílias inteiras foram dizimadas. A coisa realmente foi tristíssima. Acontecendo aqui em Israel atrocidades que são inimagináveis. Eu inclusive tive acesso a alguns dos vídeos das coisas que aconteceram. Eu posso te falar que eu sou um cara que normalmente até gosta de ver filmes policiais, esse tipo de coisa. Filmes que têm um certo grau de violência. Mas eu recebi filmes que infelizmente eu não consegui ver até o final. Eu vi o filme, eu fiquei chocadíssimo com o que aconteceu. Eu cheguei a ter meu coração palpitando muito forte por muito tempo depois de ver aquele filme, eu fiquei totalmente chocado e foi só um dos filmes do que eu vi, do que aconteceu nos kibutzim que são a alguns quilômetros da nossa casa. Não sei se o senhor conhece a cidade de Sderot, que foi muito atacada, foi onde um estabelecimento policial foi atacado pelos terroristas. Só pro senhor ter uma ideia do absurdo, a gente está falando em alguns milhares de terroristas que invadiram simultaneamente a faixa, cruzaram a fronteira. Minha mulher trabalha em Sderot. Minha mulher trabalhava lá, felizmente, foi num dia em que ela não estava naquela região.
Adriano, e como é que a opinião pública israelita lida com o facto disto ter acontecido? Nós temos Israel como sendo um dos países mais seguros do mundo, pelo menos, com mais exército, polícia, vigilância eletrônica. Como é que isto aconteceu?
De fato, amigo, essa realmente é uma pergunta muito boa. Infelizmente, houve provavelmente uma falha. Houveram muitas falhas aqui, foi algo totalmente inesperado. Eu posso te falar que isso mudou totalmente a mente de, eu acredito que de toda a população aqui em Israel. Toda a população de Israel jamais imaginou que tal coisa pudesse ter acontecido. E realmente, foi uma tragédia muito grande, isso era realmente inimaginável. Se falou, de certa forma, isso foi comentado aqui na mídia, mas a opinião geral que foi é que é o seguinte: vai ter muita coisa que vai ter que ser investigada aqui. Vão ter muitas investigações que vão ser feitas. Eu acredito que muitas pessoas dos mais altos níveis vão ter que ser julgadas. A coisa vai ser muito feia nisso aqui, porque imagino que vai ter muitas pessoas que vão ser mandadas embora, etc. Estou falando a níveis de militares ou serviço secreto e por aí vai. Mas uma coisa muito importante é que existe também, nesse ponto, um consenso: que infelizmente agora nós estamos num momento de guerra. Esse aqui não é o momento de investigar o que aconteceu. Então, no momento, toda Israel está 100% unida no esforço de guerra, no esforço de retornar. Nós temos, infelizmente, mais de 130 pessoas sequestradas, como eu falei, entre elas bebês de nove meses, crianças de dois anos, quatro anos. Embora isso aqui já passou nove dias ou quase 10 dias do ataque, eu falo em você, eu tenho uma criança de três anos, eu penso nisso, uma criança igual. Te falo a verdade, não consigo nem pensar. Eu penso, eu já desvio o meu pensamento. Eu estou falando com você aqui, se o senhor pudesse me ver, eu estou quase com lágrimas nos olhos só de pensar na ideia. Uma criança de três anos, crianças de nove meses, menores, crianças. Enfim. Toda a população, 100% da população está concentrada nisso. O nosso foco é no futuro, o nosso foco é em retornar os nossos sequestrados e o nosso foco é em suportar o nosso exército a fazer e a nos defender. As ações vão acontecer, vai ter o tempo correto, esse não é o tempo correto, amigo.
Adriano, deixa eu pegar nesse ponto que estava a explicar, porque nós vemos aqui também as imagens que nos chegam de Gaza, onde não há eletricidade, não há água, não há mercadorias, vemos a situação nos hospitais de Gaza, as crianças de Gaza. Como é que esse lado, que passa também para cá, para Portugal, é visto pelos israelitas? E sendo o senhor temente a Deus, como é que olha também para o outro lado?
O amigo tem toda razão. E eu posso te falar, não só por mim, mas isso também é opinião de 90% da população israelense. É óbvio, existem extremistas em todo lado, mas a grande maioria da população pensa dessa maneira, principalmente o governo, inclusive os militares. Nós, eu posso falar, lamentamos a morte de qualquer civil, qualquer criança, qualquer pessoa, mas deixa eu te explicar, amigo, a grande diferença. E até o que explica, de certa forma, o número grande de feridos, infelizmente, que existe na região de Gaza. Em Israel, Israel de imediato, quando soube, vamos entrar em guerra. Essa guerra é uma guerra que nós não queremos, que foi decretada pelo Hamas. Israel evacuou. As crianças, todo mundo foi tirado, nossa população foi toda evacuada. O Hamas fez justamente o contrário. O que o Hamas faz? Ele vai lá e vai se esconder nos hospitais, eles vão atirar em nós dos hospitais. O Hamas usa as crianças dele como escudo. Na verdade, isso é muito importante, amigo, porque aqui em Israel, por exemplo, eu trabalho com árabes. Eu trabalho com árabes, a gente tem árabes, inclusive tem um médico árabe que foi ferido nisso aqui. Se você for num hospital aqui em Israel, você vai ver que a maioria dos enfermeiros, a maioria dos médicos, a maioria não, mas eu diria quase que metade deles são árabes. A gente tem uma população muito grande de árabes, de cristãos, de tudo. E eles falam mesmo, o Hamas não luta pelos árabes, eles não são muçulmanos. Isso aqui é uma coisa que vai, como o senhor falou, vai contra a religião cristã, vai contra a religião judaica e vai contra a religião muçulmana também. Nenhuma religião é a favor de matar outras pessoas, inclusive os muçulmanos, isso vai contra a religião deles. E o Hamas não representa o povo palestino. O Hamas quer se pintar como se o Hamas estivesse defendendo os interesses do povo palestino. Isso não é verdade. Recentemente eu tive coisas que foram feitas na minha casa, pessoas da religião da Palestina trabalhando na minha casa. E eles falaram: "Nós detestamos o Hamas". Eu fui levar eles pra fronteira. Uma coisa que o cara me falou foi o seguinte: "Pra gente poder atravessar a fronteira, a gente tem que pagar entrada pro Hamas e pra poder voltar pras nossas casas, a gente tem que pagar uma entrada pro Hamas". Por que Gaza está nessa situação? Porque o Hamas tem muito dinheiro, eles pegam o dinheiro da população, eles pegam o dinheiro que foi enviado pra comprar remédios, pra comprar o que for, e eles usam pra eles. Então eles pegam o cimento, e o cimento deles foi feito pra construir uma coisa que é sabido que em Gaza existe uma asa subterrânea. O Hamas não está sendo bombardeado. A infraestrutura do Hamas está toda abaixo da rede de Gaza. Isso é o que dificulta muito, explica também o grande número, infelizmente, o número de feridos que existem, como o senhor mesmo falou, de crianças feridas lá. Nós sempre, em qualquer ataque que Israel faz, vai fazer todo o possível pra evitar atingir inocentes em geral e sobretudo crianças. Infelizmente, o Hamas faz justamente o contrário, ele vai botar as crianças onde ele está, ele vai tentar guerrear onde as crianças estão, justamente pra usar elas como escudo.
Adriano, mas a paz é possível? Acredita nisso?
Eu acredito que se Deus quiser, eu espero que sim. Infelizmente, vai ter que ser trocado todo o panorama político que existe. Não só político. Se Deus quiser, quando os terroristas forem eliminados da Faixa de Gaza, eu acredito que talvez vai ser um processo muito longo. Eu acredito que sim, mas talvez eu esteja errado. Não sei o que te dizer. Com o Hamas, eventualmente, se você visse os vídeos e as informações que eu tenho, você ia entender que não existe como fazer paz. Você não tem como fazer paz com pessoas que degolam, literalmente, degolam crianças. Mas como eu falei, existem árabes vivendo em Israel, eu acredito que existem árabes que possam continuar vivendo na região onde está hoje Gaza. Inclusive, existem muitos de lá que querem a paz. Vamos ver se a gente consegue. Eu acredito que se Deus quiser, com a ajuda de Deus, nós acreditamos em Deus, ele vai permitir que haja paz algum dia. Israel ofereceu várias vezes a possibilidade de ter dois Estados, o Estado de Israel e o Estado Palestino, os palestinos não quiseram isso. Então Deus queira que possa haver paz, mas infelizmente, no momento, isso está muito longe.
Obrigado, Adriano.
Obrigado, Ricardo. Saudações a todos os amigos aí de Portugal. Fiquem em paz.
Aron Adriano Lescovich é um israelita de origem brasileira. Esta foi a história do dia e os sons que ouvimos foram retirados de vídeos partilhados no dia do ataque pelo Hamas e muitos estão disponíveis na plataforma Tagbox. A sonoplastia é da Beatriz Martelo Garcia, a música do genérico, do João Ribeiro. Eu sou o Ricardo Conceição. Até amanhã.