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Olá e sejam muito bem-vindos. Esta é a História das Histórias. Já sabe, eu sou o João Paulo Sacadura, em Viseu. Alberto Correia, o historiador e investigador da história e das tradições, continua esta sua saga de homenagear grandes mulheres da região Centro. E hoje vamos falar de Mirita Casimiro, quem era a verdadeira Mirita Casimiro, o palco como paixão. Alberto Correia, é consigo agora.

Maria Zulmira Casimiro de Almeida, Mirita Casimiro, que é aqui nome de guerra, essa mostrou no palco a sua garra, a sua terra, nesse enleio de voz que ecoava das canções que interpretava e que também mostrou na tela onde foi Maria Papoila, luminosa e simples como a flor que havia nos trigais. Foi estrela e lua cheia que um dia se apagou, mas ficou o rasto dela. E há ainda quem o veja se souber olhar no céu. Nascida em Espinho a 10 de outubro de 1914, Mirita Casimiro, que assim quis ficar lembrada, é de Viseu, filha de José Casimiro de Almeida e neta de Manuel Casimiro de Almeida Miranda, cavaleiros tauromáquicos de eleição. Frequenta o grande colégio português desta cidade, onde brilha nas anuais récitias interpretando canções populares. Fugaz presença numa récita de caridade no Teatro Dona Maria II, logo se estreia no Teatro Maria Vitória, em 1936, na revista "Viva a Folia", onde canta canções da Beira Alta, marca que lhe ficou para uma vida. As carismáticas interpretações na comédia "João Ninguém" levam ao fragoroso êxito que a mantém em palco de 1936 a 1940, com presença neste último ano no Teatro Avenida, de Viseu. Em 1937, é protagonista no filme de Leitão de Barros, "Maria Papoila", comédia musical que consagra a castiça jovialidade beira. Em 1941, casa com Vasco Santana e trabalham juntos em muitas peças, entre elas três grandes êxitos apresentados em Viseu em 1947, no Teatro Avenida: "Sempre em Pé", premiada pelo Secretariado Nacional de Informação, "TiroLiro" e "Feira do Porto". Em 1949, empresária agora por conta própria, reabre o Teatro Maria Vitória com a peça "João Ninguém", que ali se demora sem o anterior sucesso. O empresário Vasco Morgado, em 1956, tenta relançar a atriz na peça "Touros de Morte", ao lado de Laura Alves. A peça não obtém sucesso e Mirita parte para o Brasil, onde faz teatro, revista, rádio, televisão, sem grande êxito. Casa lá novamente em 1958, nasce a filha Mariquita, mas infeliz no amor, outra vez divorciada, regressa a Lisboa em 1964. Em 1965, integra o elenco do Teatro Experimental de Cascais, onde Carlos Avilez a acolhe, agora afastada do teatro popular. Retornam o sucesso e as palmas nas peças cujo elenco integra. "A Casa de Bernarda Alba", de García Lorca, em 1966, "A Maluquinha da Roça", de Adam Brun, em 1966, "O Comissário de Polícia", de Gervásio Lobato, em 1968. Regressa ao cinema no filme de Erland Queroudeu, "Um Campista em Apuros", em 1968, nesse mesmo ano apresentado em Viseu. Voltam os dias de glória, que o destino corta a 12 de novembro de 1968, em viagem para o Porto, rumo ao Teatro Sá da Bandeira. Um brutal acidente de automóvel atira-a para uma cama de hospital, de onde regressa a Cascais. Impossibilitada de subir aos palcos, entra em depressão profunda e o desenlace acontece. Morre a 28 de março de 1970, no Hospital de São José, aos 56 anos. Repousa em Viseu, em jazigo de família. Em jeito de memória, evocam seu nome o Teatro Municipal Mirita Casimiro, em Cascais, e o Auditório Mirita Casimiro, em Viseu.

Também uma grande e talentosa mulher, infelizmente com azar nos amores, mas com um talento infinito. Obrigado, Alberto, pela memória de Mirita Casimiro. Aliás, com estes grandes vultos que também se cruzaram com ela, o Vasco Santana, seu marido, e depois o Carlos Avilez, que a acolheu tão bem. Muito bonita essa história e também trágica, como normalmente acontece com as grandes artistas, como mais esta mulher de Viseu.

É verdade.

Sim, senhora. Alberto, muito bem, muito obrigado por mais esta homenagem que prestou a outra grande mulher da Beira e marcamos encontro amanhã. Bem-haja.

Até amanhã.