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Este país também devia ser para novos e é por isso que temos em estúdio uma jovem eurodeputada. Tem apenas 28 anos e quatro assessores. Nascida e criada em Coimbra, antes de decidir estudar economia na mesma cidade, quis ser engenheira agrónoma, inspetora da PJ e militar. Em criança, quase até à adolescência, queria ter uma quinta e viver da agricultura, mas como sempre viu muitas séries policiais, começou a interessar-se pelo crime económico. E atenção que fez caratê cinto verde até aos 15 anos, escoteira desde os quatro, foi lobita, exploradora, pioneira, caminheira até aos 22. Gosta de música clássica, jazz, bossa nova e esteve três anos no conservatório. Desde a escola primária que joga futebol e é adepta do provérbio "mente sã, corpo são", por isso a boa alimentação, o desporto e a disciplina são três itens indispensáveis no dia a dia da Lídia Pereira, que passou pelo Colégio da Europa, pelo Banco Europeu de Investimento e é eurodeputada desde maio. Lídia, há alguma coisa que não tenhas feito? Eu não disse tudo, guardei algumas coisas para o fecho, mas há alguma coisa que tu quisesses ter feito e não fizeste, por exemplo, capoeira, qualquer coisa?
Olá, Diana. Eu ainda não fiz uma coisa que vou fazer, que é uma licenciatura em História. Não sei quando, não sei em que data, em que altura, mas está na calha e é uma das coisas que me falta fazer.
Mas por quê? Gostas muito de História?
Adoro História. É das matérias que me dá mais gozo ler, aprender. Adoro também ver documentários históricos, ler romances históricos e, portanto, é uma das coisas que ainda está por fazer.
E achas que fará muita diferença fazer uma licenciatura em História ou estudar o programa de uma licenciatura em História?
É diferente, porque uma das coisas que eu dizia é a disciplina. Eu falava de disciplina e, portanto, se nós sabemos que temos que estudar pra um determinado exame, fazer um determinado trabalho e, portanto, há mais responsabilidade, ainda que recreativamente seja sempre um grande desafio aprender.
E também há saudades da academia, ou não?
Sim, eu gosto muito de estudar. Portanto, voltar à escola, voltar à universidade, é sempre um gosto.
Tu contaste-me que desde o início do ano que não tens uma rotina, mas que um bocadinho de rotina não fazia mal nenhum. Como é que uma pessoa que precisa tanto de disciplina se consegue adaptar a não ter uma rotina?
É muito difícil, mas é um desafio e é assim que eu encaro as coisas. O facto de nós não sabermos como é que vai ser o dia de amanhã. Ou melhor, eu sei como é que vai ser o meu dia de amanhã, porque vou à agenda.
Está muito programado.
Está programado. Mas às vezes, há coisas que mudam à última hora e fogem um bocado ao nosso controle e nós temos que nos adaptar. E como a agenda é muito diferente de dia para dia, é por aí que eu acho que falta um bocadinho de rotina, porque eu venho de um setor profissional muito regrado, com deadlines muito estritas, às vezes difíceis de cumprir, mas nós sabemos que naquele dia, naquelas horas, são para dedicar e são para trabalhar e garantir que o cliente recebe o material a tempo. E, portanto, nesta nova vida, é um bocadinho mais difícil gerir esse compromisso ou essa noção que nós temos do tempo. E dou por mim, muitas vezes, a ficar no escritório, no Parlamento, até muito tarde, coisa que não fazia quando estava a trabalhar na empresa.
E o que é que faz um eurodeputado? Já descobriste?
Ainda estou a aprender muitas coisas, mas um eurodeputado é responsável pela produção de legislação e é cerca de 70% da legislação nacional de cada Estado membro. Portanto, um eurodeputado tem aqui um poder muito considerável. Um eurodeputado também representa o seu país. Ainda que represente os cidadãos europeus, há sempre essa ligação mais emocional e nacional ao Estado membro. E portanto, também é um embaixador do seu país. Um eurodeputado vive também muito das relações que vai fazendo no Parlamento, e são relações não só dentro do seu grupo político, mas também com os outros grupos políticos, com as outras famílias políticas. E portanto, até agora, tem sido um trabalho de adaptação e perceber quais é que são todas estas dinâmicas e como é que tudo se conjuga, para no final de contas, nós fazermos aquilo a que nos comprometemos, que é defender os interesses dos cidadãos.
E qual é que é a importância de um eurodeputado em 751? São muitos, achas que são muitos ou são os suficientes?
São muitos, mas se nós depois compararmos que Portugal tem 230 deputados, cada Estado membro tem um X número de deputados, nós se calhar não somos assim tantos para representarmos cerca de 500 milhões ou 600 milhões de habitantes. Ser um em 751 é termos uma grande responsabilidade também de afirmação e de mostrarmos ao que vamos, porque os relatórios no Parlamento Europeu são ligeiramente diferentes daqueles que são aprovados e que são discutidos na Assembleia da República, porque os relatórios têm o nome do deputado e portanto, o deputado fica conhecido no Hemiciclo inteiro, no Parlamento inteiro, e portanto, essa responsabilidade é acrescida, porque depois se alguma falha, é o relatório Pereira que estará em jogo. Mas é uma responsabilidade. No Parlamento, há esta individualidade, mas depois também Há muito compromisso que tem de se gerir com os outros grupos políticos e ainda por cima, hoje em dia, nesta legislatura em que o Parlamento Europeu está mais fragmentado, é muito importante fazer pontes com os outros grupos políticos e, portanto, um relatório que se calhar há cinco anos atrás ou na legislatura anterior era mais fácil fazer passar, porque os partidos de centro estavam mais robustos. Hoje em dia a situação é diferente e, portanto, a capacidade de negociação também vai ser diferente, a nossa resiliência, a nossa capacidade de cedência numa negociação. E ser um em 751 é uma responsabilidade acrescida, mas com isto também temos que ter os nossos colegas deputados do nosso grupo a ajudarem-nos na atividade parlamentar, porque sozinhos não conseguimos chegar a lado nenhum.
E tu conheces os outros 750 eurodeputados? Vocês conhecem-se todos ou conheces só os do teu grupo?
Não, eu para já conheço a grande maioria do meu grupo, mas ainda não conheço os nomes todos.
Sim, já conheces as caras, pelo menos.
Já conheço as caras.
É como entrar para uma escola nova. Muitas caras.
Sim. Mas os primeiros dias no Parlamento Europeu lembrou-me do regresso à escola há uns anos atrás, porque nós até tínhamos um Welcome Village, que era uma zona em que nós fazíamos a acreditação, introduzíamos os nossos dados, tinha uma série de etapas e aquilo fez-me mesmo lembrar o regresso à escola. Agora já conheço a grande maioria do meu grupo. Conheço os eurodeputados portugueses, conheço-os a todos. Os socialistas, liberais, estou a começar a conhecê-los melhor e também os outros, os verdes, a esquerda nórdica, porque uma vez que nós estamos divididos por comissões, eu estou com outros colegas sempre de outros grupos e tenho sempre que negociar com eles determinadas emendas a relatórios e isso é transversal aos grupos. Isso obriga-nos também a termos que conhecer as outras caras e os nossos outros colegas dos outros grupos.
E nesse teu primeiro dia no Parlamento Europeu, ias nervosa? Já conhecias a escola? Foi a primeira vez que lá foste?
Eu já tinha ido ao Parlamento algumas vezes, porque eu, como sou presidente da Juventude do PPE, também tenho que representar a juventude nas assembleias políticas do PPE, do Partido Popular Europeu, e já tinha ido ao Parlamento várias vezes. Conhecia, mas não conhecia a extensão do Parlamento. Ainda hoje me perco em algumas reuniões, as salas, ainda é tudo muito novo. Só conhecia a entrada e o caminho para a sala das reuniões da assembleia política e tem sido tudo novo. Tem sido descobrir os estúdios de televisão, os estúdios de rádio, que também existem no Parlamento Europeu, as várias cantinas que existem, várias salas de reuniões onde nós podemos também receber os visitantes. Tem sido engraçado, porque há coisas que nós não vemos quando estamos do outro lado da barricada, então quando começamos a perceber e a conhecer os caminhos, é engraçado. Mas, se me permites, a primeira sessão foi quando os eurodeputados tomaram posse formalmente, foi em Estrasburgo. E o Parlamento de Estrasburgo é diferente do Parlamento de Bruxelas. É muito maior. O hemiciclo é muito maior, nós estamos muito mais longe uns dos outros colegas. E para sair do hemiciclo e até chegar ao meu gabinete, é uma coisa que dura quase 10 minutos e para me habituar, eu às vezes nem me lembrava qual é que era o andar do gabinete. E como são parlamentos diferentes, às vezes ainda se faz algumas confusões, mas tem sido uma experiência engraçada descobrir isto tudo.
Convém lembrar os nossos ouvintes que a Lídia Pereira tem apenas 28 anos. És muito nova. É só trabalho ou já conseguiste fazer amigos? Como é que é essa adaptação a uma nova vida? Deixaste muita coisa cá em Portugal.
Sim, eu já vivia em Bruxelas. A adaptação é mais ao ritmo de trabalho e ainda há um equilíbrio que tenho que gerir, que ainda não consegui encontrar, que é o trabalho com o lazer e com o tempo para ser-
Consegues?
Ainda não consegui.
Achas que vais conseguir?
Ainda estou a lutar com isso. Eu vou conseguir porque todos os políticos dizemos o mesmo. Nós gostamos muito de política e é por isso que nós estamos na política. Mas também é preciso ter tempo para sermos o resto de nós, a nossa dimensão não política. E é isso que nos diferencia enquanto seres humanos, e é importante nós estarmos próximos da realidade e, se me permites, estar fora da bolha, porque se começamos a viver exclusivamente para isso, e isso não é diferente de uma pessoa que seja completamente workaholic, que só viva para o trabalho, o mesmo se passa com a política. É preciso estarmos disponíveis para ouvir o que há para lá da política e ouvir o que há para lá da nossa vida profissional. E por isso, esse equilíbrio eu tenho que encontrar, porque eu gosto de cozinhar, gosto de ir ao ginásio, gosto de ir beber um copo com os meus amigos e tem que haver tempo para tudo.
E o que te trouxe esta semana a Lisboa? Vens cá muitas vezes.
Esta semana particular é chamada Semana Verde, que é a semana que os deputados têm para estar em contato com o eleitorado. E, portanto, esta semana estou por Portugal. Vim a Lisboa por compromissos vários e estarei mais por Coimbra, Aveiro, onde tenho visitas marcadas, empresas, associações. É o tempo que nós temos para estarmos com a sociedade civil em geral, com os eleitores. É claro que venho várias vezes, com mais regularidade do que vinha a Portugal, mas como eu também muitas vezes tenho agenda fora, por via do IEP, da Juventude do PPE, em que eu tenho que representar a organização, e normalmente são eventos aos fins de semana, mas tento vir a Portugal e a minha família está em Portugal, eu já viria. Agora venho com mais regularidade, por força das circunstâncias e das minhas responsabilidades políticas.
Tu agora viajas muito. Sei que recentemente estiveste em Washington. Que viagem foi essa?
É verdade, estive em Washington, integrei a comitiva do Parlamento Europeu nas Annual Meetings do FMI. E foi um momento muito interessante, porque tivemos a oportunidade de falar com várias entidades americanas relacionadas com a concorrência. Estivemos com a Reserva Federal, enfim, foi um programa bastante interessante do ponto de vista das pessoas e das matérias que debatemos, mas sobretudo pela participação no painel do FMI. Enfim, foi um desafio interessante, porque vi-me sentada a partilhar algumas ideias com o ministro das Finanças irlandês, o ministro das Finanças chileno e outros acadêmicos de renome. E foi uma viagem profícua, diria, porque também, de certa forma, deixei um pouquinho de Portugal nessa reunião.
Eu tenho de te confessar aqui uma coisa: nós temos a mesma idade, só que tu já tens quatro assessores. Eu se tivesse dois-
Eu não tenho quatro.
Não, são quatro.
São três.
São três assessores.
Pronto. É um número final.
Eu se tivesse dois, já ficava muito contente. Como é ter três assessores aos 28? É garantir que o trabalho fica bem feito, que consegue chegar a todas as suas tarefas?
A questão de ter assessores é que a complexidade do Parlamento é tal que se nós não tivéssemos ajuda, era muito difícil. E, portanto, a necessidade vem com a natureza do trabalho.
E é preciso delegar.
É preciso delegar, porque eu estou na Comissão de Economia, é a minha comissão principal e a outra é Ambiente. Mas para nós podermos acompanhar o trabalho parlamentar, para mim seria impossível conseguir acompanhar as duas comissões ao mesmo tempo e garantir a qualidade do meu trabalho ao mesmo nível. E é por isso que são precisos assessores, mas não só. Para também fazer este trabalho nesta Semana Verde, que é como se chama, aqui em Portugal, no contato com o eleitorado, também é preciso agendarmos reuniões, visitas e, portanto, um deputado sozinho fica mais difícil conseguir gerir toda a agenda e na gestão mesmo estratégica das mensagens políticas que queremos transmitir, matérias em que nos queremos focar. Esta ajuda é muito bem-vinda e penso que contribui.
É um trabalho de equipe, ser eurodeputada é um trabalho de equipe.
Acaba por ser um trabalho de equipe, porque é um trabalho com inputs de outras pessoas e que também permite que tenhamos sempre uma abordagem fresca. Portanto, não é só uma cabeça a pensar, ainda que a grande maioria da coordenação do trabalho acaba por estar sob a responsabilidade do deputado. Mas é um trabalho fundamentalmente de suporte ao deputado.
E a equipe é escolhida pelo eurodeputado?
Sim, exatamente.
Já te criticaram por ter escolhido três homens, sendo a primeira mulher presidente do IEP?
Por acaso ninguém me criticou.
Estamos nesta fase em que é facilmente criticável.
Eu, por acaso, não ouvi nenhum comentário, mas devo dizer que se eu tivesse encontrado-
Escolheste pela eficiência.
Sim, e pela relação que já tinha com eles, são pessoas da minha confiança, mas se eu tivesse encontrado os mesmos perfis, se eu tivesse já os mesmos perfis femininos, isso não era nunca uma barreira ou um obstáculo a virem trabalhar comigo.
E olha, Lídia, para quando uma saia para cada um dos teus assessores?
Eu não me parece que isso seja absolutamente.
O que eu quero saber é como é que tu viste essa polêmica. Tu acompanhas a política caseira ou só em Bruxelas?
Sim, acompanho. Acho que no caso específico da deputada Joacine Katar Moreira, se o objetivo é que ela própria tenha uma agenda, então não faz muito sentido que o seu assistente esteja a ocupar a agenda que deve ser dela, porque ela é eleita pelos eleitores e, portanto, percebo que seja um número mediático, também. Mas preocupa-me que esse número seja mais mediático do que, por exemplo, o fato de bombeiros portugueses ainda não terem recebido ordenados de setembro e que devia ser notícia, porque são os bombeiros que dão o melhor de si para proteger as nossas populações.
Achas que foi um statement?
Foi um statement, mas não me revejo na abordagem, porque eu acho que a igualdade de gênero Deve ser pela igualdade de oportunidades. Nós temos todos a liberdade de escolher como queremos vestir-nos, mas não acredito que seja por aí que nós garantimos igualdade de oportunidades. Isso foi a minha interpretação de tudo o que vi naquele dia.
O Parlamento Europeu é mais apelativo para ti do que o Parlamento Português?
Não, são diferentes. Não é questão de ser mais apelativo. Aliás, o Parlamento Nacional nunca deve ser preterido em função do Parlamento Europeu. Nada disso. Cada um cumpre uma função. O Parlamento Europeu cumpre a função de legislar matérias que podem ser legisladas porque vivemos numa união política e o Parlamento Nacional com as suas competências nacionais e hoje em dia tem cada vez mais, e há coisas que são aprovadas em Bruxelas que precisam também de passar no Parlamento Nacional. Portanto, cada um tem as suas competências específicas, mas não acho que um seja mais importante do que o outro.
As tuas causas e futuras concretizações têm mais que ver com o Parlamento Português ou Europeu? Onde é que tem mais poder em relação àquilo que queres fazer?
Por exemplo, na questão da reforma da zona euro, que é tão importante para nós garantirmos que não voltamos a assistir a bancos resgatados e a garantir que os cidadãos não têm que pagar impostos, isso é uma matéria que está no domínio europeu e, portanto, será o Parlamento Europeu, como co-legislador, que terá uma palavra a dizer, mas depois é legislação que ou é imediatamente aplicada no direito nacional ou então vai ter que ser transposta. E portanto, na transposição, isso normalmente nunca acontece com as diretivas, o Parlamento Nacional tem muito poder nesse processo. Mas eu diria que este é um dos temas que pode ser trabalhado, temas relacionados com a corrupção, com o branqueamento de capitais. A grande maioria da legislação produzida nestas matérias provém de Bruxelas, provém do Parlamento Europeu. O mesmo se aplica à questão da evasão fiscal. Nas questões ambientais, o mesmo. Portanto, o Parlamento Europeu tem aqui talvez uma janela de atuação de assuntos que são transnacionais, mas que depois cada Estado-membro tem que aplicar e cumprir. Mas são exemplo de matérias, de temas que normalmente estão mais sob a jurisdição do Parlamento Europeu, e que eu acho que deve ser assim, porque num mundo cada vez mais globalizado, nós fazemos parte da União Europeia e portanto temos que unir esforços em matérias tão difíceis como o combate à evasão fiscal. E penso que juntos somos mais fortes para conseguirmos alcançar os objetivos que são fundamentais para garantirmos que depois temos os recursos necessários para podermos fazer política, para podermos ir ao encontro das expectativas daquilo que as pessoas esperam de nós. E as pessoas querem ter uma vida estável, querem ter garantias de que têm um salário ao final do mês, garantias de acesso à educação, de acesso à saúde, acesso à justiça. E portanto, eu acho que aqui são duas coisas complementares do Parlamento, as matérias decididas a nível mais transnacional, portanto, o Parlamento Europeu, e depois a aplicação que tem em cada Estado-membro.
Estamos à conversa com Lídia Pereira, eurodeputada número dois do PSD em Bruxelas. Lídia, tu és de direita? Onde é que situavas o teu pensamento político?
Não, sou centro-direita, sou algo conservadora em determinadas coisas e mais liberal noutra, mas sou de centro-direita. O modelo económico que eu defendo encontra-se muito mais próximo do centro-direita do que do centro-esquerda. Acho que, por exemplo, o peso do Estado na economia devia ser diferente, devíamos poder ter mais liberdade de escolha em determinadas coisas. E portanto, sou de centro-direita. Mas posso ser mais liberal em matéria de valores, por exemplo.
E costumes.
E costumes também. Costumes nem tanto. Há bocado falávamos da questão da saia e isso enfim.
És mais conservadora.
Sou mais conservadora, sim. Mas porque também acho que nós devemos poder ter a liberdade de discordar do mainstream. E portanto, às vezes isso é malvisto, ou muitas vezes isso é malvisto. E eu, por acaso, sou mais nesse aspecto, acho que nós devemos ter liberdade para pensar.
E és social-democrata?
Sou.
O que é social-democracia? Uma forma um pouco complicada aos nossos ouvintes.
É uma forma difícil, porque nós em Portugal somos todos sociais-democratas e até o Bloco de Esquerda, enquanto que os italianos são todos democratas cristãos. A social-democracia é a ideologia política que põe o indivíduo no centro da decisão, tem uma visão humanista, tem uma visão personalista. Com a liberdade de escolha, com o direito de iniciativa privada, com o direito de acesso à saúde, à educação, a garantia de que não fica ninguém para trás pelo progresso que nós vamos assistindo hoje em dia e sempre, que promove a inovação.
E existe social-democracia em Portugal?
Existe social-democracia.
Está no PSD?
Está no PSD. Claro que sim, está no PSD. Ainda que outros partidos também achem que está nos partidos correspondentes. Mas eu acho que é isso que define, sobretudo, a social-democracia e, portanto, a matriz identitária do PSD.
Não esperávamos outra resposta. Já que disseste que és de centro-direita, como é que vês o futuro da direita em Portugal?
O futuro da direita, isso é uma discussão. Há muita gente que critica o posicionamento do PSD, não ser declaradamente de direita. O futuro da direita tem que ser ao centro. E nós vimos isso aqui ao lado, em Espanha. O Partido Popular tentou empreender por uma estratégia mais à direita e menos ao centro, com os resultados que não foram os esperados. E, portanto, quando o Pablo Casado, presidente do PP, viu isso nos resultados eleitorais, decidiu: “Nós estamos ao centro”. E, portanto, daí aqueles statements que foram feitos relativamente ao Vox, que se distanciaram completamente. Eu acho que a direita tem que ser uma direita moderada e que seja, de facto, a alternativa à esquerda. Mas nós também não nos podemos esquecer que hoje em dia, e nós vemos isso muito, a política se faz de causas e, portanto, não podemos, de repente, começar a rotular tudo esquerda e direita. A igualdade de género. Eu não concordo que a igualdade de género seja só um tema de esquerda, porque na nossa sociedade temos pessoas de esquerda e direita e cujos direitos das mulheres devem ser salvaguardados e a igualdade de oportunidades de mulheres e homens tem que ser igual. Portanto, isso não é uma matéria de esquerda e direita.
O que eu te perguntava é como é que vês a direita à direita do PSD, com esta derrapagem do CDS, com a aparição da Iniciativa Liberal e do Chega, o que separa o CDS da Iniciativa Liberal e do Chega? Como é que vês esta divisão da direita no Parlamento?
É um momento novo na política nacional. E eu encaro o surgimento de novos partidos com a maior naturalidade. Agora, o que compete aos partidos de centro? É combater mensagens que sejam mais extremistas e, portanto, isso só se faz quando debatemos argumentos e quando provamos porque nós merecemos mais, ou os partidos de centro, neste caso, o centro-direita, merecem mais o voto dos eleitores do que os mais extremistas. Mas é preciso fazer essa análise e é preciso também ter discurso, mensagem política e analisar porque as pessoas optam por alguns partidos, que além de serem à direita, são extremistas, neste caso, se me permites, o Chega.
O Chega é extremista pra ti?
Daquilo que eu ouvi e daquilo que eu tenho lido, parece-me extremista. Acredito que venha a adotar talvez um discurso mais moderado, não sei, vamos ver. Vamos ter tempo para descobrir isso. Mas, por exemplo, na Iniciativa Liberal, acho que também é importante, porque ter este tipo de partidos mais desafiadores, mesmo no estilo de comunicação.
Dá ânimo, achas que vai trazer ânimo ao Parlamento? Já trouxe, não é?
Dá ânimo ao Parlamento, dá responsabilidade aos partidos de centro para se posicionarem e para também perceberem por que há eleitorado que está provavelmente a fugir para estes novos partidos. São análises que são precisas ser feitas, mas eu encaro com naturalidade e não devemos ver isto como uma derrota. São os sinais dos tempos. A política está a mudar muito. A política que se fazia há 30 ou 40 anos atrás não é a mesma que se faz hoje. E isso vê-se através, por exemplo, da comunicação.
Da comunicação nas redes sociais.
As redes sociais. Eu acho que a Iniciativa Liberal foi muito bem sucedida pela comunicação.
E os cartazes também.
Os cartazes, pela imaginação, etc. Agora, é uma oportunidade também, vão ser mais escrutinados. Eu acho, por exemplo, se me permites, a questão do PAN, de um partido que não foi devidamente escrutinado até aos dias de hoje, conseguiu eleger mais deputados e tem uma agenda, quanto a mim, em algumas matérias, radical, e conseguiu eleger deputados que nem conheciam o programa eleitoral do partido. E portanto, os partidos de centro têm essa responsabilidade, e especificamente o PSD, tem essa responsabilidade de analisar onde é que se deve posicionar e talvez dialogar com alguns dos concorrentes.
Com quem é que te apeteceria dialogar?
Eu gostava muito de dialogar com a Iniciativa Liberal. Acho que ideologicamente não estão desviados do espectro de centro-direita. Aliás, eles neste momento são mais o partido Dos impostos. Há coisas que nos unem, naturalmente. Mas deixa-me reforçar isto: não se deve encarar estes novos partidos como uma derrota ou uma catástrofe no sistema político. Não, é a política a funcionar, é a exigência do eleitorado e os partidos têm que se adaptar a esta nova realidade.
E o que separa o PSD de Rui Rio do PS de António Costa?
Separa tudo. Uma das coisas que eu acho que é muito diferente é a questão das reformas, por exemplo, as reformas estruturais, que não foram feitas durante estes últimos quatro anos. Não se prevê que haja muitas coisas novas nesta legislatura que agora se inicia. Acho que o programa do governo não é ambicioso o suficiente para um país que devia ambicionar ser um país moderno, um país virado para a inovação, um país preparado para a economia digital, um país preparado para as novas gerações lidarem com o fato de muitas crianças que estão hoje na escola primária estarem a estudar para profissões que ainda nem sequer foram criadas. E não vejo um país moderno no PS. Vejo a ideologia e os acordos à esquerda a pesarem mais nesta visão estratégica que nós devemos ter de um país pequeno, numa União Europeia e num mundo globalizado. E podia, desde a educação à saúde, eu não compreendo determinadas opções políticas de despesa, que deterioram o Serviço Nacional de Saúde. Eu posso dizer por experiência própria, porque tenho um familiar nessa situação, que não compreendo como é que uma pessoa que precisa de uma consulta para fazer uma cirurgia, e que é até uma cirurgia de risco, está há um ano à espera. E é isto que separa de forma clara um PS que prefere privilegiar o poder, em vez de tentar olhar para frente e desenvolver um país moderno, um país em que os jovens queiram viver, queiram trabalhar, possam ter um futuro, que não seja só um futuro de pensar na agonia de ter que pagar impostos. E nesse aspecto, há uma abordagem diferente, mesmo no setor empresarial, com as empresas, com os empresários do PSD, que sempre foi bastante mais consciente das dificuldades que os empresários têm. E acho que esta visão moderna do PSD e de Rui Rio, que eu acho que é como ele vê Portugal no século XXI, é diferente de um PS de António Costa, porque não é um PS de António Costa, é um PS com outros apoios do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista, que ainda por cima nem sequer são muito partidários ou defensores da União Europeia, não são partidos europeístas. E esta confusão de ideologia e de alguma cegueira ideológica e de poder, que contrasta muito com o PSD. Outra coisa é que Portugal, nos últimos 24 anos, foi governado pelo PSD apenas sete anos. O país não teve ainda a oportunidade de ver aquilo que o Partido Social Democrata pode ser capaz de fazer pelo país, sendo que quatro desses sete anos foi em contexto de crise. Mas eu diria que a visão de um país moderno, que Rui Rio defende, não se enquadra na visão do PS.
E um país moderno tem mais jovens na política? Como é que vês esta ideia, esta estratégia do Rui Rio trazer jovens? És número dois no Parlamento Europeu, temos o Alexandre Poço também agora no Parlamento português. Foi uma estratégia que veio da cabeça dele? O Rui Carvalho também?
Sim, absolutamente. Isso é uma estratégia que vem do presidente Rui Rio.
Aceitaste logo o convite?
Sim.
Foi uma surpresa?
Foi uma surpresa, sim. Todo o contexto do convite foi engraçado. Mas é uma estratégia, e em linha com a pergunta que me fizeste anteriormente, sobre como é que cada líder vê o país. O Rui Rio está preocupado com estas mudanças ou com este arrojo que teve em dar espaço aos jovens na política, é também dar uma mensagem clara de: "Vocês vão nos suceder e têm que ter um lugar à mesa". Aquilo que o Rui Rio tem como objetivo fundamental é passar os jovens do conselho de Advisory Council e a dizer o conselho de... está a me falhar a palavra em português. É saltar do Advisory Council para um conselho de decisão. Portanto, é sentarmos à mesa dos grandes, se quisermos usar isso, e dizer aquilo que nós queremos para a nossa geração. Nós vimos quando tivemos a crise da dívida, e que ainda não está resolvida, está só adiada, a grande divisão entre as gerações, que era a nossa geração a culpar a geração anterior, que tinha gasto e não tinham pensado no futuro. Eu acho que este sinal de abertura e de responsabilização, mas que vai em linha também com a estratégia de abertura do próprio partido à sociedade. E isso passou-se com a criação do Conselho Estratégico Nacional e agora com estas novas caras, que são o rosto também deste partido renovado. E são caras que trazem outras ideias, que vêm de outros contextos e que eu acredito que são absolutamente válidas para estes próximos anos que não se avizinham fáceis e que exigem também mais frescura na abordagem.
Quem te conhece diz que és muito bem preparada, muito dinâmica, muito original, muito sólida e menos política do que a maioria. Achas que és menos política do que a maioria? Percebes a importância de descer do pedestal da linguagem política e adotar uma linguagem mais próxima dos jovens?
Sim, e isso eu tenho visto cada vez mais. Aliás, no início do ano, eu participei num debate em que disse que a política, fruto dos tempos em que vivemos, e se nós aprendermos e percebermos como é que determinados partidos ou movimentos populistas crescem tanto com o número de membros militantes, nós temos que ter uma linguagem fácil para as pessoas nos compreenderem. E eu dizia que a juventude do Vox tem uma maneira muito interessante de fazer política. Eu não estou a dizer que me identifico com o Vox, não é nada disso, pelo contrário. Mas é importante ver como é que eles se aproximam da juventude. Eles vão para bares e ao som de uma música ou outra, entretanto começam a falar de política, os líderes da juventude do Vox. E portanto são ambientes descontraídos.
Já foste para bares?
Já fui. Olha, este fim de semana organizei o Doctor Why, um concurso estilo Trivial Pursuit, mas mais dinâmico, com comandos. Foi um campeonato com 40 perguntas sobre a União Europeia e depois a equipa vencedora terá a oportunidade de ir a Bruxelas. E foi num contexto muito informal e as pessoas naquela hora e meia, duas horas, para pessoas mais jovens, tiveram a oportunidade de debater, de levarem alguns conceitos para casa ou de terem a curiosidade em casa de irem ver quem é que é a Ursula von der Leyen, presidente eleita da comissão. Coisas simples.
Agoçar a curiosidade, não é?
Agoçar a curiosidade. E portanto, nós temos que fazer política onde as pessoas estão. Se os jovens estão nos bares, é claro que não os vamos incomodar. Isto são coisas minimamente preparadas. Mas estão nos bares, estão nas bibliotecas das faculdades, estão em exposições, estão em concertos.
Estão nas redes sociais.
Estão nas redes sociais. Portanto, nós temos que ir onde os jovens estão. E nesse aspecto, eu sempre estive na política, fui membro da conselheira da JSC de Coimbra, vice-presidente da distrital, mas ainda não tinha tido um lugar institucional como tenho agora enquanto eurodeputada. E portanto, talvez por isso tenha, se calhar, mais facilidade em descomplicar, ainda que caia sempre na tentação de usar algum politiquês, mas temos que ser. Não, mas é verdade, porque a estratégia de sucesso dos movimentos populistas bebe muito da simplicidade. E as pessoas têm que perceber qual é o contrato que lhes estão a propor. E portanto, eu acho que talvez seja por isso que tenha mais facilidade em falar num ou outro tema, mas esse também é o meu compromisso para futuro, é não compliquemos o que pode ser simples.
Nós estamos a ficar com muito pouco tempo ou quase nenhum. Ainda tenho aqui muitas perguntas, por isso apelo ao teu poder de síntese. Eu sei que tens grandes preocupações ambientais. Há quem diga até que estás obcecada com o Green Deal.
Eu não estou obcecada.
E as alterações climáticas é uma das tuas prioridades?
É uma das minhas prioridades, mas deixa-me só dizer já, eu não estou obcecada com o Green Deal.
Há opções piores.
Não, eu estou preocupada e porque se nós formos ver o Eurobarómetro de setembro, as alterações climáticas surgem como segunda principal preocupação dos eleitores europeus. Portanto, é um tema que as pessoas estão alerta e querem saber o que nós podemos fazer.
E tu também estás alerta.
Eu também estou. E uma das coisas que fiz logo enquanto andei a fazer a campanha, eu tinha a Celeste, que era a carrinha pão de forma, em que me comprometi a compensar as emissões de CO₂ Que fossem emitidas pela Celeste, porque nós temos que liderar pelo exemplo. Estamos na política, temos lugares institucionais e as pessoas olham para nós muitas vezes como exemplo e, portanto, nós não podemos dar margem de sermos menos que aquilo que esperam de nós. Mas também é uma preocupação individual minha. Eu ensinei a fazer reciclagem em casa, quando eu estava na primária, foi quando despertei para a política dos três Rs. E hoje em dia parece-me que é fundamental falarmos da questão ambiental numa lógica sustentável, sem obsessão. E sem obsessão, digo, porque não é só pensarmos que os objetivos das emissões de CO₂ são suficientes para nós conseguirmos o que quer que seja. Tem que haver políticas práticas e isso parte das juntas de freguesia, das câmaras municipais, das próprias empresas. Nós não vamos conseguir mudar o modelo. Vamos ter que fazer um ajuste, uma correção do modelo econômico vigente. E isso só se consegue fazer se todos os, e agora uma linguagem mais corporativa, stakeholders da nossa sociedade estiverem envolvidos nesse processo. Aquilo que eu quero fazer, no domínio ambiental, é trazer o conceito de sustentabilidade para a política, novamente, porque agora falamos só de alterações climáticas, mas antes falava-se muito de ambiente, mas no fundo é a sustentabilidade que está aqui em jogo. E portanto, eu sendo membro da Comissão de Ambiente, é claro que é sempre uma preocupação maior, e é isso que eu vou querer debater mais. Aliás, hoje de manhã estive numa reunião com a Associação Zero, exatamente por isso. É preciso ouvirmos a sociedade civil, é preciso ouvirmos as várias partes da nossa sociedade, para sabermos qual é a melhor estratégia. Mas é preciso passarmos da palavra à ação, porque o diagnóstico está feito, portanto, agora está nas nossas mãos e políticos, sobretudo, de mostrarem aquilo que devemos fazer.
E figuras como Greta Thunberg são importantes?
São importantes, cada um cumpre o seu papel. Greta Thunberg foi muito criticada, mas eu acho que tem feito o seu papel de chamar a atenção, e isso ela conseguiu. Se vejo algum radicalismo ou algum fundamentalismo? Vejo, porque a marcha pelo clima ou a greve climática já têm ali um contexto ideológico por trás. Eu estive na Marcha do Clima no dia 27 de setembro, e percebi que a certa altura, a marcha nem era tanto contra as alterações climáticas ou pelo clima, e estava refugiada já quase noutro tipo de agendas, anticapitalismo, etc. Portanto, Greta Thunberg cumpre o seu papel, mas depois também tem que haver, e aí há uma grande responsabilidade dos partidos de centro, não devemos desaparecer deste tipo de iniciativas, porque a sociedade civil espera que nós tenhamos uma palavra sobre estas matérias. E deixa-me que te diga, o PSD foi sempre um partido tradicional nas questões ambientais e foi percursor pioneiro. Não é um partido verde, mas sempre se mostrou preocupado com as questões ambientais e, portanto, cumpre cada um na sociedade com o seu papel. Os partidos de centro não podem desaparecer destas causas e esta causa diz muito aos jovens. E, portanto, aquilo que eu quero fazer é com razoabilidade e com espírito de ação, como eu dizia há bocado, não é só ficarmos pelas palavras. Podermos cumprir os objetivos de 2035, de 2050 e, sobretudo, podermos garantir um futuro tão bom ou melhor do que aquele que nós tivemos enquanto jovens, quando os nossos pais nos criaram e as oportunidades que nós tivemos. E portanto, isso tem que ser garantido.
O combate ao branqueamento de capitais e a evasão fiscal são temas pelos quais tens especial carinho. Vias-te ao lado de Ana Gomes no combate à corrupção?
Ana Gomes fez um trabalho, é a marca da Ana Gomes, são esses temas. São temas que no Parlamento Europeu acabam por ser muito consensuais e como são matérias que têm competência ou que podem ser emanadas de Bruxelas, pelas competências transnacionais que têm, o movimento de capitais é livre nos países da União Europeia. Eu vejo-me diferente no estilo, mas claro que gostava de dar continuidade ao trabalho que foi feito na legislatura anterior e garantir que fazemos as correções necessárias para que possamos ter mais recursos para utilizar, por exemplo, para a inovação tecnológica que precisamos para o ambiente, para a saúde, para a justiça, para as pessoas em geral. Portanto, são temas não só pelo meu percurso profissional, mas porque também dizem muito às pessoas em geral.
Mais duas perguntas muito rápidas. O Brexit vai continuar a ser adiado até que ano? 2079? Qual é a tua sugestão?
Por mim era adiado para sempre. Não, as últimas notícias é 31 de janeiro. Hoje acho que ainda vamos ter algumas novidades. Nas últimas semanas, ou melhor, desde que tomei posse Falar sobre o Brexit foi sempre uma especulação e ir a programas de televisão falar sobre o que é que vai acontecer, quais é que são os passos a seguir, nós íamos, mas não sabíamos o que nas próximas horas ou nos próximos dias ia acontecer. Devemos manter uma relação próxima de parceria com o Reino Unido. Vai ser um momento crítico, porque vai gerar outros movimentos. Eu acho que vamos deixar, provavelmente, de termos United Kingdom para termos um Split Kingdom, porque acredito que a Escócia, entretanto, também se pronuncie e também queira um referendo para sair do Reino Unido e juntar-se à União Europeia. Enfim, vamos ter uma infinidade de coisas a acontecer, mas temos que manter uma relação próxima por tudo que nos aproxima, por toda a nossa história, por tudo que nós partilhamos. Portugal e o Reino Unido têm que manter essa proximidade.
E por falar em reino desunido, quem é que vai ser o próximo líder do PSD? Luís Montenegro, Miguel Pinto Luz, Miguel Morgado ou Rui Rio?
Vamos ver. Os dados começam a estar todos lançados. Eu teria muito gosto que o presidente Rui Rio se mantivesse no cargo e vamos ver o que é que vai acontecer nos próximos meses e, sobretudo, nas diretas. Mas estou confiante que o presidente Rui Rio vai continuar no cargo.
Licenciada em Economia pela Faculdade de Coimbra, fez parte da tuna feminina da universidade, passou pelo Banco Europeu de Investimento, onde se começou a interessar pelo combate ao branqueamento de capitais e evasão fiscal. Trabalhou como consultora em fundos de investimento e bancos. No secundário, participou no Parlamento de Jovens. Toca guitarra, é número dois do PSD no Parlamento Europeu, uma posição muito importante para a idade. Aos 28 anos, é presidente do IEP, que reúne as juventudes do centro-direita europeu e é a maior organização política de juventude na Europa. Euroentusiasta por convicção, grande aficionada de jogos de computador e consolas, jogava FIFA, Sims e Counter-Strike. Sempre foi muito ativa e reivindicativa e nós, por cá, vamos continuar a acompanhar as reivindicações da Lídia Pereira, que nos fez companhia na última hora, no Observador.
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