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O Museu Municipal de Oliveira de Frades conta a história da tradição deste concelho e continuamos a visita através destas salas. Já passamos por várias artes, vários ofícios, também vários períodos históricos e agora estamos perante um sistema bastante curioso de época que hoje já não existe, mas que servia para garantir que ninguém trapaceava ninguém. Comigo tenho o Filipe Soares, coordenador deste museu. Em que é que consistia este sistema?

Estamos agora no corredor da metrologia, que ainda existe, só que hoje em dia falamos em balanças digitais, e aqui falamos de algo mais tradicional, mais analógico. Temos aqui objetos que eram comuns às várias câmaras municipais, que tinham sempre, dependendo da sua dimensão, funcionários que eram os aferidores de pesos e medidas, que andavam pelo território concelhio a visitar feiras, mercados e estabelecimentos comerciais que trabalhassem com pesos e medidas, como o nome indica. Portanto, o seu trabalho era tão simples como verificar e validar as ferramentas, os instrumentos de pesagem e de medição desses comerciantes, para verificar se não estariam a enganar o cliente. E por isso temos aqui objetos tão distintos como o metro craveira, que era para verificar se realmente a régua do senhor que vendia o tecido a metro, pano a metro ou outros produtos em extensão, se ele estava a vender um metro de pano ou se estava a vender só 99 centímetros, que faz toda a diferença para o cliente e para ele também. Ou temos aqui estes pesos mais pequeninos de gramas e de miligramas, que serviam para aferir se os farmacêuticos e os ourives vendiam realmente a quantidade de produto certo ou se estavam a prejudicar o cliente. E, portanto, todos estes pesos e as balanças usadas também eram aferidas. E aqui temos distintas balanças, temos balanças de braços ou temos a balança decimal. Esta balança decimal que veio da estação de Arcozelo das Maias, da antiga Linha do Vouga, e posso dizer desde já que será um objeto que se vierem cá num futuro próximo, possivelmente já não estará cá, será substituída por outra balança, porque estamos também a preparar aqui ao lado do museu, do outro lado da Igreja de São Pelágio, o Centro de Interpretação da Linha do Vouga, da extinta Linha do Vouga, e portanto este objeto irá integrar o novo espaço museológico e já não estará cá na altura.

Se do lado direito destas balanças temos pesos, aqui temos recipientes. Estes serviam para quê?

São objetos muito curiosos. São as medidas para aferir produtos líquidos e produtos sólidos ou secos, como é a sua designação oficial. Basicamente, estas medidas serviam para aferir as medidas dos comerciantes que nos vendiam, vinho, azeite, leite, produtos líquidos, como o próprio nome indica. Por outro lado, aqui nas medidas para os secos. Como o próprio nome também indica, desde o arroz à farinha, o açúcar, os cereais, seriam aferidos de forma a saber se este decilitro estava certo, o do comerciante, ou se estaria, mais uma vez, a prejudicar o cliente.

Sim, vemos mesmo aqui recipientes de todos os tamanhos, desde o mais pequenino até ao maior. Isto mesmo, se calhar, na altura para garantir que não haveria dois pesos e duas medidas, como se diz popularmente. Continuamos a visita através das salas do Museu Municipal de Oliveira de Frades, na companhia de Filipe Soares, o coordenador do museu. Este que é um espaço que conta a história da terra e das gentes do concelho de Oliveira de Frades e que já nos mostrou várias tradições, um bocadinho a memória desta região e que vamos continuar a contar na nossa cultura.