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Este programa tem o apoio da AEG. Não é segredo para ninguém que eu, Joana Barrios, e a cozinha temos um caso sério, mas também não é segredo para ninguém que eu tenho um caso sério com a sustentabilidade e é talvez por isso que a AEG me tenha escolhido para sua embaixadora. Agora no território Taste, mas nós já trabalhamos juntos há alguns anos. A AEG promove este podcast, Green Affair, e foi a AEG que me juntou à maravilhosa e talentosa nutricionista Ana Pinto, que na internet se chama Ana Pinto Nutriaging, para algumas viagens a bordo de uma caravana chamada Mediterrânica. Pergunta o senhor ouvinte: o que é que andamos a fazer nesta autocaravana? E eu respondo: a reproduzir receitas tradicionais, típicas portuguesas, mas com o toque salutar da mestria da Ana, que, além de tantas outras coisas, é nutricionista, e nos ajudou a tornar estas receitas, que já empiricamente são saudáveis, em versões ainda mais saudáveis delas próprias. Tudo isto confecionado de forma muito sustentável com equipamentos AEG. E se não conhecem este projeto, eu convido-vos a procurá-lo. Convido a procurar os episódios do AEG Green Affair Caravana Mediterrânica em aeg.com.pt. Ana, muito bem-vinda, grande introdução. Caramba, agora num formato diferente.

É verdade, Joana. Obrigada por me receberes. Minha companheira de estrada e das aventuras da caravana. Foi um prazer enorme poder participar neste projeto, que não é mais do que um mix de sabores e tradições, com grande foco na saúde e na sustentabilidade. Esta aventura começou em Olhão, no Algarve. Zona de grande influência mediterrânica, e fizemos a nossa caldeirada de litão deliciosa com o cheirinho de tomate e as ostras da Ria Formosa ao vapor, naquele forno maravilhoso.

Foi quilômetro zero essa ostra.

Tão bom, até me está a crescer água na boca. Passamos pelas Caldas da Rainha, na famosa Praça da Fruta, único mercado diário ao ar livre em Portugal que existe desde o século XV, e acabamos na Fábrica Bordal Pinheiro, a fazer ali uma bela de uma feijoada saudável.

Ainda mais saudável, a feijoada já é bastante saudável.

Sem enchidos.

Ainda não te perdoei essa.

E seguimos para Idanha-a-Velha, uma das aldeias históricas de Portugal, conhecida também pela sua agricultura biológica, onde fizemos um borrego com espargos silvestres suculento por dentro e supercrocante por fora. E finalmente chegamos a Aveiro, na capital portuguesa do bacalhau, onde fizemos o delicioso fricassé de bacalhau. Portanto, nesses quatro episódios tentamos condensar muita informação essencial sobre receitas, costumes, tradições, com base na dieta mediterrânica, uma das dietas mais saudáveis e sustentáveis do mundo, considerada pela UNESCO, em 2013, Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. E claro, com uma confeção mais eficiente, tanto do ponto de vista energético, com a ajuda dos eletrodomésticos AEG, como do ponto de vista nutricional, com o cozinhar a vapor, que é superimportante. E foi isto. E vejam, porque estão quatro episódios maravilhosos e fantásticos.

E foi a ponta do iceberg, porque se vocês soubessem o que nós já congeminamos. A primeira questão que eu tenho para te colocar tem a ver com algo que felizmente passou a ser da ordem do dia, que é a questão do desperdício alimentar. Para além de ser uma questão social, moral, etc., é uma questão que tem, neste momento, um forte reforço de dados estatísticos. O Instituto Nacional de Estatística revelou, estimou que em 2020, cada português terá desperdiçado, em média, cerca de 184 quilos de comida. Primeira pergunta é: como é que isto acontece?

Olha, cabe a cada um de nós ajudar a contrariar esta realidade. Para cozinhar sem desperdício, é preciso organização, acima de tudo. E de uma forma simples e prática, existem quatro etapas simples. Planejar, nós temos que planejar as refeições. Comprar, portanto, lista de compras, verificar validades, comprar só o estritamente necessário. O confeccionar quantidades necessárias. Não confeccionarmos em exagero, a não ser que depois conserves de uma outra forma, congelar, ou então o programa Regenerar a vapor da AEG que também é ótimo. Portanto, tudo isso é importante para teres um menor desperdício alimentar nas nossas cozinhas.

Ai, ai, esta questão agora podia ocupar-nos o resto do dia, mas temos de passar para a próxima. Ouve-se falar muito desta lógica do desperdício zero na cozinha, em que se aproveita tudo do alimento, quer seja de origem animal ou vegetal. Do ponto de vista nutricional, imagina, eu fiz há muito pouco tempo uma sanduíche no "24 Kitchen", uma sanduíche de cascas de banana, que é uma sanduíche inteiramente vegana, e reproduzi essa receita no evento Unidos Contra o Desperdício, precisamente aquilo que está aqui a começar a aflorar. Do ponto de vista nutricional, estas receitas têm validade para além de ser o consumir total do alimento ou não tem interesse nutricional rigorosamente nenhum?

Eu acho que tem interesse tanto do ponto de vista ambiental, como do ponto de vista nutricional. Faz todo sentido. Talos, sementes, cascas de batata, de cenoura, de banana, tudo pode ser aproveitado na cozinha e é nas cascas que estão a maior quantidade de vitaminas, minerais, de fibras.

Temos sempre de ter em conta duas coisas.

Biológico.

Preferencialmente biológico, e se não for biológico, tem de sempre estar muito bem lavado.

Exatamente.

Para o aproveitamento das cascas, sim.

Concordamos a 100%, por causa dos agrotóxicos. É super importante isso. E tu, mais do que ninguém, podes dar-nos aqui algumas receitas, por exemplo, lascas de batata com cenoura, com um bocadinho de azeite e orégãos no forno.

Sim. Faço muitas vezes na airfryer as cascas de batata, muito bem lavadas, faço-as com um bocadinho de sal e alecrim, às vezes um bocado de alho, e ficam super crocantes. São uma espécie de batatas fritas ou cascas de batata frita bastante saudáveis. Já referi da sanduíche de cascas de banana, mas eu todos os dias no Instagram partilho pelo menos as marmitas que os meus filhos levam para a escola. Tenho algumas pessoas mais próximas que comentam as marmitas e que partilham comigo que não é difícil fazer uma marmita, porque é só calcular o jantar um bocadinho a mais.

Exatamente.

E de facto, aquilo que acontece com as marmitas é isso. Eu faço o jantar, calculo a quantidade que precisamos todos de comer, tento fazer as refeições o mais equilibradas possível. Muitas vezes questionam-me por causa da presença de proteína, que é uma questão muito pertinente. No entanto, a ingestão de proteína diária não é preciso ser repartida, pode ser concentrada num determinado período. Há determinados tipos de confeção também através dos eletrodomésticos AEG, que permitem potenciar a qualidade da proteína que vai ser ingerida e eu escolho fazê-lo ao jantar ou em refeições que estejam concentradas em casa, porque até mesmo o transporte, os miúdos andam a brincar, eles chocalham a lancheira.

E controlas mais também aquilo que os teus filhos levam. Sem dúvida nenhuma. Uma outra coisa que muitas vezes acontece é quando se faz limonadas ou quando se faz sumo de laranja, as cascas vão para o lixo. Raspem as cascas, dá para uma granola, dá para aromatizar uma salada.

Dá para fazer um chá.

Um chá, exatamente. Portanto, desperdício zero.

As cascas de cebola, os talos verdes do alho francês, as cascas dos alhos, tudo isso serve para fazer, por exemplo, caldo, caldo de legumes, que é uma coisa que eu faço com muita frequência e vou guardando. E há pessoas que fazem um caldo muito concentrado, que filtram esse caldo muito concentrado e guardam em cubos de gelo para substituir.

Sim, para aromatizar um arroz, por exemplo, eu acho perfeito.

Portanto, uma alimentação equilibrada para o ser humano é também uma alimentação que tem em conta o meio ambiente.

Sem dúvida. A nossa alimentação tem um papel essencial na prevenção de doenças, mas também um grande impacto no equilíbrio do planeta. Daí o termo dieta sustentável. As dietas sustentáveis têm um baixo impacto ambiental, contribuem para a qualidade e segurança nutricional e também para uma vida saudável das gerações futuras. Portanto, é uma dieta à base de plantas, alimentos orgânicos, produtos regionais e sazonais, minimamente processados, com valor justo. Portanto, uma alimentação equilibrada é e deve ser uma alimentação amiga do ambiente, sem dúvida nenhuma.

Voltando um bocadinho à nossa caravana mediterrânica, tínhamos uma caravana ultrabem equipada. Tínhamos o forno SteamPro da AEG, que pertence à gama Ecoline. Atenção, é importante sublinhar que a gama Ecoline AEG não é uma gama onde se criaram, de repente, eletrodomésticos para se tornarem sustentáveis. É uma nomenclatura para uma gama de eletrodomésticos já existente, que tem esta possibilidade de ser ultrasustentável e ultraeficiente. Eu não vou dizer dados ao certo, porque não os sei, não tenho acesso a eles, não os sei decor, mas sei que, por exemplo, o programa de regeneração de alimentos que a Ana já falou, é um dos meus favoritos. Temos as cozeduras a vapor, portanto, cozinhar em pouco tempo, cozinhar de forma saudável, não comprometendo nem a qualidade do alimento, nem o ambiente, realmente era aquilo que nós fazíamos na caravana, mas que eu faço em minha casa e imagino que tu faças na tua.

Claro.

Quais são as mais-valias do ponto de vista nutricional, de poderes beneficiar, de ter aqui um grande aliado na cozinha?

O vapor é a melhor forma de conservar todas as propriedades nutricionais do alimento. Os fornos AEG, como tu já estavas a dizer, potencializam sabor, textura e cor. E ao cozinharmos a vapor, nós utilizamos muito menos sal, muito menos gordura, mantemos ali os minerais, preservamos a maioria, especialmente da vitamina C do alimento, que é importante. Do ponto de vista energético, cozinhar num forno a vapor permite cozinhar a temperaturas mais baixas, como estavas a dizer, poupar mais energia e ainda contribuímos para um menor desperdício com o programa Regenerar a Vapor, ideal para aquecer as sobras que parecem que foram acabadas de fazer. Portanto, eu acho que é das melhores formas de cozinhar.

Eu nunca chamo sobras, nem restos, nem desperdícios, chamo sempre 2.0, como a atualização dos softwares. Eu estou a fazer a atualização da receita. É muito raro, na minha casa não há estas coisas.

E normalmente até ficam mais saborosas.

De um dia para o outro e dois dias depois. Um assado dois dias depois, é incrível. Desculpa, eu fico sempre um bocadinho emocionada com estes temas. Esta última pergunta, Ana, Portugal tem tanta diversidade de produtos, consumir alimentos de época traz então estes benefícios do que é local, os benefícios do quilómetro zero, da saúde ambiental também. Faz sentido darmos tanto destaque a estes produtos tradicionais de outros países que acabam por consumir os nossos recursos, etc. Tu enquanto nutricionista, de certeza que te deparas muitas vezes com estas questões. Porque há coisas que precisas ou que recomendas porque profissionalmente é importante. Falavas há bocado de uma boa alimentação também é uma chave de uma saúde melhor. Primeiro, tu recomendas este tipo de alimentos?

Olha, é assim, vou te dar um exemplo. O abacate é um desses tipos de alimentos, que infelizmente esconde um grande problema de sustentabilidade. Eu acho que nós, acima de tudo, devemos utilizar o que é nosso.

E o que temos à porta de casa.

Exatamente. Localmente, o que é nosso, e isso está na dieta mediterrânica. Portanto, acima de tudo isso.

Coitado, o abacate também não fez mal a ninguém.

É uma fruta da moda.

Mas é uma fruta que também está presente nos jardins de muitas pessoas, porque esta questão também é importante. Há muitas pessoas que têm no jardim um abacateiro, uma bananeira, um pessegueiro, uma nespereira.

Isso não há problema nenhum. O problema está mais nas colheitas intensivas, mas acima de tudo, o abacate é um alimento saudável. E altamente instagramável.

É muito bonito, tem cor.

Para os vegetarianos é maravilhoso, dietas saudáveis, etc. Tem proteínas vegetais, gorduras boas, vitamina C, ômega 3, fibras, portanto tem isso tudo. O problema aqui são as colheitas que têm uma maior pegada de carbono, necessitam de grandes quantidades de água, são abatidas muitas vezes grandes áreas de floresta para estas plantações.

Floresta autóctone, esta parte é aquela que me causa mais tristeza.

Exatamente. São ainda utilizados químicos agrícolas em excesso, que acabam por degradar a qualidade dos solos. Mas curiosamente, vários chefs estão a tentar fazer e a testar receitas com outros frutos e vegetais. É um pouco difícil, porque o abacate, como tu sabes, tem aquela textura e aquele sabor específico.

Isso é uma coisa que me acontece muitas vezes. Em determinadas receitas, pedem-me substituições de determinados ingredientes. Há coisas que não têm substituição pelas suas características únicas. Muitas vezes esquecemos um bocado este lado nutricional da escolha do ingrediente base para pensarmos na textura, na forma, na cor, etc. No sabor, também.

Claro, e nunca é a mesma coisa. Mas olha, eles fizeram umas misturas de favas-limo e coentros, deve ser bom.

Isso é bom, mas não é uma fruta.

Mas não é um abacate.

Mas a fava também tem um período muito curto, de estar em época, porque é uma coisa muito primaveril. Eu tenho uma coisa com favas, eu adoro favas e só descobri que adorava favas quando não morava em Portugal, porque as favas cá fazem-se sempre estufadas com chouriço, muito escuras. E fascina-me a fava por ser tão verde, tão fresca, tão leve e de repente está ali dentro de uma panela.

Tens que me fazer umas favas ao vapor.

Eu faço muitas vezes e faço com uma saladinha, limão, pera e maçã.

Mimo, coentros. Deve ser delicioso.

Pronto, vá. É para continuar.

Acima de tudo, produtos da época, produtos nossos. Acho que é o essencial.

Nas tuas consultas, tu ajudas as pessoas que te procuram a cozinhar de forma mais eficiente, sem desperdício. Há muitas coisas que se escondem numa forma de cozinhar pouco eficiente. As acrilamidas, por exemplo, os tostados em excesso. Acrilamida, está certo?

Sim.

Os tostados em excesso são péssimos e isso não acontecerá numa cozedura a vapor.

Os grelhados, muitas vezes, que as pessoas julgam que são fantásticos e não são assim tão fantásticos.

Em termos de gestão de gordura, são fantásticos, mas depois têm o outro lado. Portanto, realmente, para uma alimentação muito saudável e muito equilibrada, é realmente necessário ter um conhecimento, uma cultura gastronómica muito forte para se poder fazer uma escolha melhor.

Sim.

E essa cultura também tem de se começar a trabalhar na zona do desperdício.

Sem dúvida.

Porque comer não é só o momento em que se prepara o alimento e que se ingere, é toda a cadeia que está para trás e a cadeia que lhe irá suceder.

Claro que sim. E uma das coisas que me dá mais prazer é eu poder começar a fazer um plano alimentar com uma pessoa e toda a família mudar os seus hábitos. Isso é das coisas que me dá mais prazer.

A coisa mais surpreendente que tenha acontecido numa consulta tua com desperdício, tens alguma história?

Eu acho que as pessoas ainda não estão lá. Eu acho que desperdiçam muito ainda. Porque as pessoas não são práticas e acham que o comer saudável é muito caro, ou é muito difícil, ou não têm tempo. Mas não é. É ser prático, ser simples e aproveitar.

Então, já que estamos a falar de economia, o desperdício também é deitar dinheiro fora.

Sem dúvida nenhuma.

Isso é importante. E como cozinhar é um ato de amor, deitar comida fora depois de estar cozinhada, também é deitar amor fora. Ninguém espezinha o amor.

Exatamente.

Pronto, é só isto. Para com os outros, para com o ambiente, para com o futuro do planeta, sem desperdício e sempre com amor. Ana, muito obrigada por teres aceito este desafio de vir aqui falar um bocadinho. Esta viagem hoje foi menos acidentada.

Exato.

Sempre com o objetivo de defender a sustentabilidade, o planeta e acima de tudo, bons hábitos alimentares. Aos nossos ouvintes, muito obrigada. Obrigada, Ana, mais uma vez.

Obrigada eu pelo convite e por partilhar contigo mais uma vez a importância de uma alimentação saudável e sustentável. E o conselho que deixo é: sigam uma dieta saudável, equilibrada, consciente, alimentem as vossas células com alimentos de verdade e não coloquem lixo dentro da vossa casa. Quando eu digo casa, digo planeta, digo a vossa casa e o vosso organismo. Portanto, foi um prazer estar contigo novamente e sempre será.

Encontramo-nos para a semana à mesma hora, no próximo AEG Green Affair, aqui na Rádio Observador e mais tarde no site do Observador e nas plataformas de podcast habituais: Google Podcast, Spotify e Apple Podcast. Não se esqueça, faça escolhas sustentáveis.

E saudáveis.

Também. Hoje temos de acrescentar saudáveis.

Hoje sim.

Este programa tem o apoio da AEG